Escola técnica em Castro produz 2 mil litros de leite por dia e gera receita milionária reinvestida no próprio ensino

Com 340 alunos em tempo integral e parcerias com o cooperativismo regional, o CEEP Olegário Macedo é referência nacional em educação profissional agrícola

Escola técnica em Castro produz 2 mil litros de leite por dia e gera receita milionária reinvestida no próprio ensino

Foto: Lucas Fermin/SEED

O Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Olegário Macedo, localizado em Castro, nos Campos Gerais do Paraná, registrou receita anual de R$ 2,3 milhões, a maior entre os 32 colégios agrícolas da rede estadual. Os recursos vêm da produção própria de leite, milho, soja e suínos, conduzida diariamente pelos estudantes como parte da grade curricular, e são integralmente reinvestidos na infraestrutura e no funcionamento da escola, reduzindo a dependência de repasses públicos e ampliando as condições de ensino.

A unidade funciona, na prática, como um laboratório do agronegócio instalado em 513 hectares nos Campos Gerais, região que concentra uma das mais dinâmicas economias agropecuárias do país. Metade desse território é mantida como Reserva Legal, índice que supera o dobro do mínimo legal exigido de 20%, integrando a conservação ambiental ao processo formativo dos alunos desde os primeiros anos do curso.

2 mil litros de leite por dia saindo das aulas

A pecuária leiteira é o carro-chefe da instituição. O rebanho conta com cem animais, dos quais 50 vacas em lactação, com produção diária de aproximadamente 2 mil litros de leite. O volume posiciona o colégio dentro de um contexto regional de peso: Castro é o maior produtor de leite do Brasil, com 484 milhões de litros anuais, segundo o IBGE, e integra a principal bacia leiteira do Paraná, estado que alcançou, em 2025, a marca de 4,3 bilhões de litros destinados à indústria, crescimento de 10% frente ao ano anterior.

Além da pecuária, a escola produz anualmente cerca de mil toneladas de milho para silagem, com produtividade média de 50 toneladas por hectare, aproximadamente cinco mil sacas de soja e 500 suínos. Toda a comercialização é operada por meio da cooperativa escolar, em parceria com a Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, uma das mais tradicionais do setor no país. O arranjo garante escoamento estruturado da produção e insere os estudantes em uma dinâmica real de mercado, com padrões profissionais de qualidade, logística e negociação.

Formação que combina sala de aula e resultado econômico

O modelo pedagógico do CEEP Olegário Macedo é estruturado no regime de tempo integral, com carga horária semanal de 48 horas. São 340 alunos matriculados no Ensino Médio Técnico, dos quais 150 vivem em regime de internato. Do total de estudantes, 56% são mulheres, dado que reflete a crescente presença feminina nas ciências agrárias e no agronegócio paranaense.

Para o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, o modelo vai além da formação técnica convencional. “O diferencial dos cursos técnicos é, justamente, aliar teoria e prática, preparando os estudantes para o mercado de trabalho e o ingresso no Ensino Superior. Ao formar jovens qualificados e ao mesmo tempo produzir com eficiência, a escola fortalece o agronegócio regional e amplia as oportunidades no campo”, afirma.

Os números do desempenho educacional sustentam a avaliação. Ao final de 2025, os 120 alunos da 3ª série registraram 100% de aprovação no Ensino Médio. Desse grupo, 30 ingressaram em cursos de Ciências Agrárias, principalmente na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), enquanto mais de 60% dos demais egressos foram absorvidos pelo mercado de trabalho, com atuação no setor agropecuário e no cooperativismo. O colégio obteve nota 4,8 no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), acima da média nacional do Ensino Médio, fixada em 4,3.

Parcerias que levam tecnologia de ponta para dentro da escola

A estrutura produtiva do colégio conta com suporte de empresas e instituições do setor agropecuário. A New Holland fornece os equipamentos utilizados em parte das operações de plantio; a Rolatrek atua na manutenção e assistência técnica dos maquinários; a Bowman participa do processo de produção de silagem de milho; e a Fazenda Portão Vermelho é responsável pelo fornecimento de matrizes genéticas de ovinos. As parcerias envolvem diretamente os alunos nas atividades, aproximando-os de tecnologias atuais e de padrões de excelência do agronegócio.

Para o coordenador de Colégios Agrícolas da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), Renato Gondin, o conjunto de resultados coloca a unidade em posição singular no cenário nacional. “A combinação entre alto volume de produção, geração de receita e consistência pedagógica coloca a unidade como referência nacional, ao evidenciar que é possível integrar educação pública de qualidade, formação técnica e eficiência produtiva em um único ambiente”, avalia.

Castro no centro do agronegócio paranaense

O município sede do colégio ocupa a 3ª posição no ranking estadual de Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), com R$ 3,6 bilhões, e integra um estado que projeta colheita de 45,3 milhões de toneladas de grãos em 2025, liderada pela soja e pelo milho. O contexto regional não é coincidência na história do CEEP Olegário Macedo: a vocação produtiva dos Campos Gerais moldou o perfil da escola e, ao longo das décadas, a escola moldou parte da mão de obra que movimenta essa economia.

A rede estadual de colégios agrícolas do Paraná atende mais de 8 mil estudantes distribuídos por todas as regiões do estado, com metodologia que integra Ensino Médio e Educação Profissional, voltada principalmente para jovens de regiões rurais e filhos de pequenos produtores. O CEEP Olegário Macedo é o maior dessa rede, e seus R$ 2,3 milhões em receita anual são o indicador mais direto de que o modelo funciona, tanto dentro da sala de aula quanto no mercado.

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