ExpoLondrina 2026: Paraná assume o posto de maior produtor de proteína animal do Brasil

Na abertura da 64ª edição da feira, governador detalha os investimentos que reposicionaram o Estado no mapa do agronegócio nacional

ExpoLondrina 2026: Paraná assume o posto de maior produtor de proteína animal do Brasil

Foto: Geraldo Bubniak/AEN

A 64ª ExpoLondrina abriu as portas nesta sexta-feira (10) com um cenário que poucos estados brasileiros conseguiriam sustentar: o Paraná na liderança nacional da produção de proteína animal. Frango, peixe de água doce, suínos, ovos, leite e, agora, entre os dez maiores produtores de carne bovina do país. O governador Carlos Massa Ratinho Junior foi direto ao ponto durante a cerimônia de abertura. “O Paraná se transformou no maior produtor de proteína animal do Brasil”, afirmou, diante de produtores, autoridades e representantes de mais de dez países presentes no Parque Ney Braga Eventos, em Londrina, Norte do Estado.

A feira, que segue até 19 de abril, chega à sua 64ª edição consolidada como uma das principais vitrines do agronegócio da América Latina. Na edição anterior, o evento movimentou cerca de R$ 1,7 bilhão e atraiu mais de 590 mil visitantes em dez dias, números que reforçam o peso econômico do encontro para toda a cadeia produtiva do Estado.

A decisão que mudou a pecuária paranaense

O reposicionamento do Paraná na pecuária não aconteceu por acaso. Em 2019, o Estado retirou a vacinação obrigatória contra a febre aftosa, uma decisão técnica e política que obrigou toda a cadeia a se modernizar. “Foi uma decisão importante para reposicionar o Paraná. Isso nos obrigou a modernizar a pecuária, investir em tecnologia e fortalecer toda a cadeia produtiva”, explicou Ratinho Junior durante a abertura.

A mudança gerou um efeito cascata: mais rigor sanitário, novos mercados exportadores, maior exigência sobre o manejo nas propriedades e, consequentemente, atração de agroindústrias dispostas a investir em um estado com padrão produtivo elevado. O resultado aparece nos números atuais e na presença crescente de compradores internacionais em eventos como a própria ExpoLondrina.

Infraestrutura como base do crescimento

Por trás dos índices de produção, há uma agenda de infraestrutura que o governador listou com precisão. Mais de 25 mil quilômetros de rede de energia trifásica instalada em todo o Estado, pavimentação de estradas rurais e o Banco do Agricultor Paranaense, linha de crédito com juros zero voltada à modernização das propriedades. “Estamos levando infraestrutura para quem produz”, resumiu Ratinho Junior, conectando os investimentos públicos ao salto produtivo registrado no campo paranaense nos últimos anos.

A energia trifásica, em especial, tem impacto direto na produção de proteína animal. Aviários, granjas suinícolas, pisciculturas e agroindústrias de pequeno porte dependem de fornecimento estável e de maior capacidade para operar sem risco de perdas. Sem essa base, o crescimento do setor encontraria um teto rápido.

ExpoLondrina como termômetro do agro

Para o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Marcelo Janene El-Kadre, a feira cumpre um papel que vai além da exposição de produtos e tecnologias. “A expectativa é muito grande. Tenho certeza de que vamos fazer um grande evento e que muitos negócios serão realizados ao longo desses dias”, destacou, ao ressaltar o potencial de geração de contratos e parcerias que o evento movimenta a cada edição.

Já o prefeito de Londrina, Tiago Amaral, enxerga na feira uma janela estratégica para a cidade. “A ExpoLondrina é a nossa grande vitrine. É o momento em que mostramos o que somos capazes de fazer, atraímos investimentos e impulsionamos o desenvolvimento econômico. Hoje, por exemplo, já temos a presença de representantes de mais de dez países acompanhando o evento”, salientou. A presença internacional não é detalhe: é sinal de que o agro paranaense passou a ser observado com atenção por mercados que buscam fornecedores confiáveis de alimentos.

Inovação, cultura e serviços públicos no mesmo espaço

A programação da 64ª edição vai além das negociações. O Sistema Estadual de Agricultura (Seagri) ocupa a feira com seminários técnicos, palestras e a Via Rural “Fazendinha”, área de mais de 11 mil metros quadrados dedicada à difusão de tecnologias e práticas sustentáveis. O BRDE e a Fundação Araucária também estão presentes, o primeiro com ações de fomento econômico e a segunda com projetos voltados ao futuro do setor.

Ratinho Junior também inaugurou, durante a abertura, o novo complexo cultural que integra o Museu da Sociedade Rural do Paraná e o Aquário de Londrina, no próprio Parque Ney Braga Eventos. O museu conta a trajetória da Sociedade Rural e sua relação com o desenvolvimento da região Norte, com destaque para a cultura do café, símbolo histórico do Paraná produtivo. Entre os itens preservados, uma máquina de beneficiamento de café ajuda a narrar essa evolução. O aquário, por sua vez, ganhou estruturas e ambientes interativos que ampliam o caráter educativo do espaço.

O tema escolhido para esta edição, “Agro: inteligente, humano e feito de encontros”, traduz o que a ExpoLondrina representa para o Paraná: um ponto de convergência entre tecnologia, pessoas e oportunidades, onde o futuro da produção de alimentos começa a ser desenhado dez dias antes de chegar às mesas do mundo.

  • Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

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