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Fapesp, Esalq/USP e Fundecitrus oficializam centro de pesquisa voltado à sustentabilidade da citricultura
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1 mês atrásem

A citricultura brasileira, reconhecida mundialmente por sua produtividade e protagonismo na exportação de suco de laranja, passa a contar com uma nova estrutura estratégica voltada à inovação científica. Foi oficializada, em Piracicaba (SP), a criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura – CPA Citros, resultado de um convênio firmado entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP) e o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).
A iniciativa nasce com um propósito claro: enfrentar, de maneira estruturada e colaborativa, os desafios fitossanitários que ameaçam os pomares brasileiros, sobretudo o greening, atualmente a principal preocupação do setor.
Uma rede global para um desafio complexo
O CPA Citros surge como a maior rede de inteligência já estruturada no mundo para o combate ao greening. Ao invés de operar em um único laboratório, o centro funcionará em modelo descentralizado, com sede na Esalq/USP e integração entre laboratórios nacionais e internacionais. Ao todo, cerca de 75 pesquisadores, vinculados a 19 instituições e 36 departamentos de sete países, atuarão de forma articulada.
A proposta vai além da pesquisa convencional. O foco está na compreensão aprofundada da interação entre planta, patógeno e vetor, no desenvolvimento de estratégias de manejo mais eficientes e na formação de novos especialistas em citricultura. Trata-se, portanto, de uma abordagem sistêmica, que conecta biologia, agronomia, inovação tecnológica e transferência de conhecimento ao produtor.
Segundo Juliano Ayres, diretor-executivo do Fundecitrus, o centro representa um marco na pesquisa colaborativa do agronegócio. “O centro reúne instituições de excelência para enfrentar de forma estratégica o greening. É uma iniciativa grandiosa, por adotar um modelo de trabalho em rede que integra alguns dos principais pesquisadores do Brasil e do mundo”, afirma. Ele destaca ainda que a união de esforços é determinante para avançar na busca por soluções duradouras para a doença.
Investimento robusto e compromisso de longo prazo
O convênio prevê investimento de R$ 90 milhões ao longo dos próximos cinco anos, com recursos aportados pelo Fundecitrus — com apoio de citricultores e da indústria de suco de laranja — e pela Fapesp, por meio de recursos do Governo do Estado de São Paulo.
Esse volume financeiro demonstra não apenas a dimensão do desafio, mas também o compromisso institucional com a sustentabilidade do setor. Além de gerar conhecimento científico de ponta, o centro terá atuação direta na transferência de tecnologia, aproximando resultados de pesquisa da realidade do campo e acelerando a adoção de soluções inovadoras.
Para Lilian Amorim, pesquisadora da Esalq/USP e diretora do CPA Citros, o centro nasce de uma demanda concreta do setor produtivo. “Trata-se de uma parceria voltada à pesquisa para a solução de um problema da sociedade, que também atua na educação e na transferência de tecnologia, garantindo que os resultados científicos cheguem rapidamente ao setor citrícola”, destaca.
Impactos do greening na citricultura
O Brasil lidera a produção mundial de laranja e ocupa posição central no mercado global de suco. No cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, a última safra alcançou aproximadamente 230 milhões de caixas. Entretanto, a expansão do greening impõe perdas significativas.
Nas últimas cinco safras, a doença provocou prejuízo equivalente a mais de 102 milhões de caixas. Atualmente, cerca de 47,6% das plantas nos pomares comerciais dessas regiões apresentam algum nível de infecção. O impacto não se restringe à produção agrícola: envolve empregos, exportações e toda a cadeia industrial associada.
Renato Bassanezi, vice-diretor do CPA Citros, ressalta a dimensão do problema. “A citricultura tem grande importância para a economia do país e emprega mais de 200 mil pessoas, e o greening impacta diversos setores. Por isso, acreditamos que essa atuação integrada será fundamental para avançar no entendimento da doença”, explica.
Ciência, inovação e sustentabilidade
O novo centro consolida também a tradição de cooperação entre as instituições envolvidas. A parceria entre Fapesp e Fundecitrus remonta ao Projeto Genoma, responsável, em 2000, pelo sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa, marco da biotecnologia brasileira. Esse histórico reforça a expectativa de que o CPA Citros possa gerar avanços científicos com repercussão internacional.
Além do Fundecitrus e da Esalq/USP, participam pesquisadores de outras unidades da USP, da UFSCar, Unicamp, Unesp, IAC e Embrapa, bem como de instituições estrangeiras na França, Espanha, Estados Unidos, Austrália, Inglaterra e Portugal. Essa articulação amplia a diversidade de abordagens e fortalece a produção de conhecimento aplicado.
O modelo colaborativo rompe fronteiras institucionais e cria uma estrutura multidisciplinar voltada à proteção dos pomares, ao fortalecimento da competitividade e à sustentabilidade da citricultura no longo prazo. Assim, o CPA Citros se consolida não apenas como um centro de pesquisa, mas como uma estratégia integrada para preservar um dos pilares do agronegócio brasileiro.
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