Pecuaria
Feiras de ovinos no Rio Grande do Sul somam R$ 5,07 milhões e apontam expansão do setor
Valorização da lã fina e do cordeiro impulsiona negócios em cinco municípios gaúchos e coloca o Brasil no radar do mercado internacional
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O circuito de feiras de verão da ovinocultura no Rio Grande do Sul encerrou a temporada com R$ 5,07 milhões movimentados em negócios, resultado que consolida um ciclo de retomada que o setor vinha sinalizando desde o início de 2025. A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) avaliou positivamente o desempenho dos eventos, considerando não apenas o volume financeiro, mas também a qualidade genética dos animais comercializados e o perfil dos compradores presentes nas arenas.
Entre janeiro e março, cinco municípios da metade sul do estado sediaram as exposições: Bagé, Sant’Ana do Livramento, Pinheiro Machado, Herval e Jaguarão. A concentração dos eventos nessa região não é casual — ela reflete a vocação histórica da Campanha Gaúcha para a criação de ovinos, bioma onde o rebanho encontra condições de pastagem, clima e tradição produtiva que poucos territórios brasileiros reúnem.
Mercado favorável sustenta os negócios
O ambiente de mercado contribuiu diretamente para o desempenho das feiras. A lã fina segue em valorização, especialmente as categorias com micronagem mais baixa, que atendem à indústria têxtil de maior valor agregado.
O quilo do cordeiro, negociado em torno de R$ 14, mantém margens atrativas para o produtor que trabalha com manejo eficiente do rebanho e escala de abate compatível com a demanda dos frigoríficos regionais. Para o presidente da Arco, Edemundo Gressler, os eventos cumpriram um papel que vai além da comercialização imediata.
“Esse circuito das exposições de verão foi muito positivo. Tivemos feiras consolidadas, outras em retomada, mas todas cumpriram seu papel de fomentar a ovinocultura”, afirma. Gressler também aponta que a indústria está acompanhando o movimento com atenção: “Apesar dos custos, como transporte e logística, o mercado mostra demanda consistente”, destaca.
A pressão dos custos operacionais, aliás, é um dado que o setor não ignora. O transporte de animais vivos encarece a equação produtiva, especialmente em distâncias maiores dentro do próprio Rio Grande do Sul, onde os frigoríficos especializados ainda estão concentrados em determinadas regiões. Contudo, a demanda firme pelo produto final tem sustentado as margens e dado ao produtor confiança para reinvestir no plantel.
Genética brasileira desperta interesse internacional
Um dos pontos mais relevantes observados ao longo do circuito foi a evolução qualitativa dos animais expostos. Os rebanhos apresentados nas feiras refletem anos de seleção genética orientada tanto para a produção de carne quanto para a produção de lã, e esse avanço começa a ultrapassar as fronteiras do país.
“Estamos vendo animais cada vez mais qualificados, dentro dos padrões raciais e produtivos, seja para carne ou para lã. Isso tem despertado interesse inclusive de países sul-americanos pela genética brasileira”, observa Gressler. O interesse externo reposiciona o Brasil não apenas como produtor, mas como referência genética regional — o que traz implicações diretas para o valor dos reprodutores e para a estratégia de quem investe em melhoramento de rebanho.
Países como Uruguai e Argentina, historicamente referências na ovinocultura da América do Sul, passaram por ciclos de redução de rebanho nas últimas décadas. Esse movimento abriu espaço para que produtores gaúchos, especialmente os que apostaram na qualidade racial, ocupassem uma posição mais competitiva no abastecimento regional.
Expansão do plantel, o próximo desafio
O crescimento da demanda internacional por ovinos vivos e produtos derivados coloca o setor diante de uma exigência concreta: ampliar o rebanho nacional sem abrir mão dos avanços em eficiência reprodutiva já conquistados. Produzir mais e produzir melhor ao mesmo tempo exige investimento em protocolos de reprodução, nutrição estratégica e gestão sanitária, áreas que ainda apresentam gaps significativos em propriedades de escala familiar.
“O mercado está pedindo aumento de produção. Precisamos trabalhar para expandir o plantel e responder a essa oportunidade”, ressalta Gressler. A declaração traduz bem a posição do setor: o problema hoje não é falta de mercado, mas capacidade de oferta organizada e contínua para atendê-lo.
Nesse contexto, a eficiência reprodutiva das matrizes passa a ser um indicador tão relevante quanto o peso de abate ou a micronagem da lã. Protocolos de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) aplicados a ovinos já estão disponíveis e comprovados, e representam uma das ferramentas mais acessíveis para acelerar o crescimento do plantel sem depender exclusivamente da monta natural.
Fenovinos projeta o próximo ciclo
O calendário do setor aponta para maio com a realização da Fenovinos, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. O evento é o maior da ovinocultura no Brasil e funciona como vitrine para os grandes reprodutores que disputarão os campeonatos da Expointer, em agosto. A expectativa da Arco é de participação expressiva de expositores, e o desempenho do circuito de verão alimenta esse otimismo com dados concretos.
A sequência de eventos também cumpre uma função estratégica para o mercado: mantém a visibilidade dos rebanhos, conecta criadores a compradores e movimenta o comércio de insumos, serviços veterinários e equipamentos associados à cadeia. Para o Rio Grande do Sul, que concentra a maior parte do rebanho ovino do país, manter esse calendário ativo é parte essencial da política de desenvolvimento de uma das cadeias produtivas com maior potencial de crescimento do agronegócio gaúcho.
Foto: Arco/Divulgação
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