Paisagismo
Flor-de-cera: os segredos para fazer a Hoya carnosa florescer em qualquer estação
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4 meses atrásem

A aparência porcelanada de suas flores faz da flor-de-cera uma planta simplesmente inesquecível. Seu nome popular não é por acaso: ao desabrochar, as pétalas cerosas, de textura firme e brilho natural, parecem mesmo ter sido moldadas à mão. Mas o encanto não para por aí. Essa espécie da família Apocynaceae conquista pela forma como se desenvolve — seja como trepadeira, pendente ou ramificada — e pela sua capacidade de florescer várias vezes ao longo do ano, quando bem cultivada.
Originária da Ásia tropical e muito difundida no Brasil, a Hoya carnosa tornou-se uma queridinha dos colecionadores de plantas ornamentais. Apesar da aparência delicada, ela é surpreendentemente resistente e se adapta bem tanto em ambientes internos bem iluminados quanto em varandas e jardins verticais. “É uma planta de comportamento tropical, mas que se adapta muito bem a diferentes regiões brasileiras. Basta fornecer luz e umidade na medida certa”, explica a arquiteta paisagista July Franchesca Dallagrana, especializada em cultivo de plantas para interiores.
Beleza que floresce com o tempo
Um dos traços mais marcantes da flor-de-cera é sua forma de crescimento. Com caules longos e flexíveis, que podem ser guiados por suportes ou deixados livres em vasos suspensos, a planta forma uma massa verde-escura de folhas carnosas que, com o tempo, dá lugar às inflorescências em forma de estrelas agrupadas como buquês. As flores, além de vistosas, exalam um perfume adocicado, principalmente à noite, atraindo polinizadores naturais como mariposas.

Entretanto, é importante destacar que a floração não é imediata. “A Hoya carnosa precisa se sentir confortável no local onde está. Ela pode levar meses para se adaptar e só depois iniciar seu ciclo de floração. Paciência é fundamental”, comenta o engenheiro agrônomo Eduardo Funari, especialista em paisagismo tropical. Segundo ele, a planta costuma florescer mais intensamente quando não é replantada com frequência, já que aprecia ambientes estáveis.
Iluminação e local ideal para cultivo
Apesar de não exigir sol direto, a flor-de-cera precisa de boa luminosidade indireta para prosperar. Isso a torna perfeita para varandas, beirais e salas próximas a janelas, onde possa receber luz filtrada ao longo do dia. A exposição ao sol da manhã pode ser benéfica, desde que moderada. Já em locais com sombra total, o crescimento será comprometido, e as floradas se tornam mais esparsas ou inexistentes.
Um ponto interessante é que essa planta pode ser treinada para subir treliças, pergolados ou mesmo arames em formato decorativo, criando verdadeiras esculturas vegetais. Eduardo reforça que, em projetos de paisagismo, a flor-de-cera é uma solução versátil. “Ela funciona tanto para espaços reduzidos quanto em composições maiores. E o melhor: é uma planta de pouca manutenção, o que agrada quem tem rotina agitada.”
Substrato, rega e adubação na medida certa
Por ser uma espécie epífita na natureza — ou seja, que cresce sobre outras plantas sem parasitá-las —, a Hoya carnosa prefere substratos leves, bem drenados e aerados, que simulem esse ambiente mais solto. Uma boa mistura leva fibra de coco, casca de pinus, perlita e um pouco de terra vegetal, sem compactação.

A rega deve ser feita com moderação. “O segredo está em deixar o substrato secar levemente entre uma irrigação e outra. As folhas da Hoya são suculentas e armazenam água, o que a torna tolerante a pequenos períodos de seca”, orienta July. Já a adubação, segundo ela, pode ser feita mensalmente com um fertilizante equilibrado do tipo NPK 10-10-10 ou com fórmulas florais que estimulem a floração sem excesso de nitrogênio.
Poda, floração e curiosidades da espécie
A poda da flor-de-cera deve ser feita com cuidado. O ideal é remover apenas folhas amareladas ou ramos secos, preservando os pedúnculos florais que, após cada florada, tendem a emitir novos botões do mesmo ponto. “Muita gente comete o erro de podar os ramos após a floração, o que pode atrasar ou impedir novas flores”, alerta Eduardo.
Outro detalhe curioso é que, durante a floração, pode surgir uma substância açucarada nas flores — uma espécie de néctar pegajoso que não é sinal de doença, mas parte do comportamento natural da planta para atrair polinizadores. Essa secreção pode ser limpa com um pano úmido, caso incomode, mas não representa nenhum risco à saúde da planta.
Além disso, a flor-de-cera não costuma ser atacada por pragas com frequência, mas ambientes abafados e com pouca ventilação podem favorecer o aparecimento de cochonilhas ou fungos. A recomendação é manter a circulação de ar, sem excesso de umidade, e realizar limpezas periódicas nas folhas.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.


