A passagem de uma massa de ar frio mais intensa sobre o Sul do Brasil nos últimos dias gerou alerta entre produtores de milho segunda safra, especialmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul. As temperaturas médias ficaram entre 3°C e 5°C abaixo da normalidade na comparação dos últimos dez a trinta dias, criando condições propícias para eventos de geada em regiões de maior altitude e baixadas. No entanto, o que os dados de monitoramento mostram até agora contraria o pior cenário temido: as lavouras não registraram impactos significativos.
A avaliação é da EarthDaily, empresa especializada em monitoramento agrícola por imagens de satélite. Segundo a companhia, as geadas ocorridas entre o sudeste de Mato Grosso do Sul e o oeste do Paraná foram pontuais e de baixa intensidade, sem potencial relevante de comprometimento da produção estadual.
Estado a estado: como cada região chegou ao momento atual
No Paraná, o cenário é de recuperação consistente. O índice de vegetação (NDVI), indicador que mede o vigor e a sanidade das lavouras por sensoriamento remoto, vem apresentando dinâmica favorável nas últimas semanas. O retorno das chuvas e o aumento da umidade do solo impulsionaram o desenvolvimento vegetativo, e a tendência é que a umidade siga acima da média no curto prazo, sustentando as lavouras nesta fase crítica do ciclo.
Em Mato Grosso do Sul, o quadro é ainda mais positivo. O NDVI registra os maiores valores na comparação com os últimos anos, indicando bom potencial produtivo. A umidade elevada do solo deve se manter acima da média nas próximas semanas, o que favorece diretamente o desenvolvimento das lavouras e contribui para afastar o risco de perdas expressivas.
Mato Grosso, o maior produtor nacional de milho segunda safra, também apresenta evolução satisfatória na maior parte do território. A exceção fica por conta do sudeste do estado, onde o plantio tardio ainda limita o desenvolvimento de algumas áreas. Mesmo assim, a umidade do solo acima da média reforça as condições favoráveis para a continuidade do ciclo produtivo.
O ponto de atenção está em Goiás
Se o quadro geral é de tranquilidade, Goiás merece atenção redobrada. O NDVI do estado apresenta comportamento semelhante ao registrado em 2021, ano marcado por forte quebra de safra. Embora os índices atuais estejam acima dos daquele período, a persistência de umidade abaixo da média desde meados de março mantém o risco de perdas produtivas caso o padrão seco se prolongue nas próximas semanas. Não há alerta consolidado, mas o cenário exige acompanhamento contínuo.
O risco de frio não está descartado
Mesmo com o saldo positivo dos últimos episódios, a EarthDaily reforça que os modelos climáticos seguem indicando temperaturas abaixo da média no curto prazo para a Região Sul, parte do Sudeste e Mato Grosso do Sul. Isso significa que o risco de novos episódios de frio mais intenso permanece no radar, tornando o monitoramento constante das áreas produtoras uma necessidade concreta nas próximas semanas.
A segunda safra de milho atravessa uma janela sensível do ciclo. A boa notícia é que, por ora, as lavouras chegaram a ela com boas reservas de umidade e índices de vegetação favoráveis, o que eleva a capacidade de resiliência diante de eventuais novas adversidades climáticas.
