Agro
Larva-minadora: o inseto que corrói a folha da soja e eleva o risco de desfolha precoce
Pressão crescente em MT exige estratégia de manejo integrada para proteger o potencial produtivo
Publicado
8 horas atrásem
Por
Claudio P. Filla
Nem todo prejuízo começa com uma lavoura amarelada ou visivelmente comprometida. Em muitos casos, as perdas se instalam de forma discreta, avançando folha por folha, até comprometer o teto produtivo da área. É exatamente nesse contexto que a larva-minadora tem chamado a atenção de produtores de soja em Mato Grosso. Embora o ataque possa parecer pontual, o impacto indireto sobre a sanidade da planta transforma o inseto em um fator estratégico dentro do manejo.
O desenho sinuoso deixado nas folhas lembra um “bicho-geográfico”. Entretanto, o que está em jogo vai muito além do aspecto visual. Ao perfurar o tecido foliar e se alimentar internamente, a larva reduz a área fotossintética ativa e, além disso, cria portas abertas para a entrada de doenças como a mancha-alvo. Consequentemente, o processo de desfolha pode se acelerar e comprometer o enchimento de grãos.
“É a porta de entrada para perda de folha. Ela abre o caminho para doenças que podem abortar a folha”, explica um especialista que acompanha o avanço da praga no estado. Sob essa ótica, o problema não está apenas no dano direto, mas na associação com patógenos que intensificam o estresse da planta.
A pressão já vinha sendo observada em outras culturas e, ao longo do tempo, manteve-se em determinadas áreas, inclusive em pivôs de feijão. Agora, entretanto, o cenário ganha outra dimensão com a adaptação à soja. “Quanto mais essa doença evoluir, menos folha teremos”, comenta Cledson Guimarães, da Cowboy Consultoria, ao destacar o efeito cumulativo da desfolha sobre o rendimento final.
Essa mudança de comportamento da praga exige um ajuste no olhar do produtor. Muitos ainda não reconhecem os primeiros sintomas ou subestimam o impacto potencial na produtividade. Contudo, a experiência mostra que o atraso na identificação amplia o custo de controle e reduz a eficiência das intervenções. A recomendação técnica é clara: monitoramento constante, especialmente em fases vegetativas estratégicas, quando a formação de área foliar define o potencial da cultura.
Na prática, propriedades que incorporaram rotinas mais rigorosas de acompanhamento têm conseguido agir de forma preventiva. Quando o foco é identificado cedo, torna-se possível utilizar produtos que também protejam contra pragas associadas e, assim, integrar o controle em programas mais amplos de manejo. Dessa forma, pequenas infestações deixam de evoluir para quadros de maior severidade.
Altemar Kroling, presidente do Sindicato Rural de Diamantino, reforça essa percepção ao observar a mudança de padrão da praga. “O comum era a larva-minadora atacar outras culturas, mas agora ela se adaptou à soja e migrou para nossas lavouras”. Essa adaptação, aliás, amplia o desafio regional, sobretudo em um estado que lidera a produção nacional e onde qualquer oscilação no rendimento tem repercussão econômica significativa.
Apesar do avanço, técnicos afirmam que não houve perdas expressivas nesta safra. Entretanto, o principal risco permanece ligado à interação com doenças hospedeiras. Em um ambiente já pressionado por patógenos foliares, a presença da larva funciona como catalisador do problema.
Yuri Nunes Cervo, delegado coordenador da Aprosoja Mato Grosso, destaca a importância da informação no campo. “Muitos produtores têm problemas na lavoura e não sabem o que está acontecendo. Conhecemos outras pragas que começaram devagar e hoje já são problemáticas. A larva-minadora é algo que precisamos incluir dentro do nosso portfólio de manejo”.
Sob essa perspectiva, o desafio não é apenas controlar um inseto, mas antecipar cenários. Afinal, em sistemas intensivos como o do Mato Grosso, onde cada hectare carrega alto investimento tecnológico, a diferença entre uma safra cheia e uma margem apertada pode estar justamente na atenção aos detalhes — inclusive àqueles que começam com um pequeno traço nas folhas.
Fonte: Canal Rural

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