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Luz UV-C modulada reduz antracnose e prolonga a vida útil da goiaba

by Redação Agronamidia
13 de janeiro de 2026
in Noticias
Luz UV-C modulada reduz antracnose e prolonga a vida útil da goiaba

A antracnose é um dos problemas mais persistentes no pós-colheita da goiaba, porque costuma aparecer quando a fruta já está em transporte, armazenamento ou prateleira. A doença, associada a microrganismos do complexo Colletotrichum gloeosporioides, provoca lesões escuras na casca e, em cenários mais severos, avança para a polpa a partir de ferimentos causados por insetos, manuseio inadequado e danos mecânicos.

Em busca de um controle mais eficiente e sem deixar resíduos, pesquisadores da Embrapa testaram a aplicação de luz UV-C modulada, emitida em pulsos ou ciclos, em vez de um feixe contínuo. O trabalho foi publicado no periódico Horticulturae e descreve resultados promissores em condições de laboratório, com redução do avanço do fungo e extensão do período de qualidade comercial da fruta.

Por que a antracnose encurta a “vida de prateleira”

Ainda que o sintoma mais visível esteja na epiderme, a antracnose não é apenas um problema estético. Quando a casca perde integridade, seja por microlesões do transporte ou por cortes e perfurações, o patógeno encontra caminho para colonizar tecidos internos, acelerando amolecimento, manchas e deterioração.

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Esse conjunto de fatores, somado a falhas no manejo pós-colheita, ajuda a explicar por que as perdas podem ser altas em países em desenvolvimento, onde parte da cadeia ainda depende de práticas de conservação menos padronizadas e com menor controle sanitário.

O que muda quando a UV-C é modulada em pulsos

O controle de patógenos pós-colheita é frequentemente feito com fungicidas sintéticos, aplicados por imersão ou pulverização logo após a colheita, seguidos de secagem e armazenamento refrigerado. A proposta da luz UV-C modulada é atuar como uma alternativa “limpa”, capaz de reduzir a carga microbiana sem depender de moléculas químicas que possam deixar resíduos.

A modulação em pulsos permite um controle mais fino da interação entre luz e superfície do fruto. Em vez de concentrar energia de forma contínua, a emissão em ciclos busca maximizar o efeito germicida e, ao mesmo tempo, minimizar danos à epiderme, preservando aparência e integridade da casca. A ideia é que, ao reduzir agressões ao tecido, a fruta mantenha melhor seus próprios mecanismos de resistência, o que se traduz em qualidade por mais tempo.

Como funciona o equipamento descrito no estudo

A pesquisa detalha um aparelho cilíndrico com espelho interno e três lâmpadas germicidas UV-C posicionadas para ampliar a incidência de radiação sobre a goiaba. Uma das lâmpadas emite luz perpendicular à estrutura, formando um “cilindro de luz”, enquanto as outras duas são orientadas para reforçar a iluminação direta e refletida na fruta.

Com esse arranjo, a radiação é absorvida principalmente na superfície e convertida em calor, contribuindo para a inativação dos microrganismos associados à antracnose. A arquitetura do sistema foi pensada para reduzir perdas de energia luminosa e manter a dose mais uniforme, o que tende a melhorar o controle do patógeno sem “castigar” a casca.

Próximo passo: sair do laboratório e entrar na linha do produtor

Apesar do desempenho descrito como promissor, os resultados ainda se restringem ao ambiente laboratorial. A etapa seguinte é validar o uso em condições reais de pós-colheita, onde entram variáveis como volume de frutos, velocidade de processamento, diferenças de maturação e desafios logísticos.

O objetivo declarado é adaptar o equipamento de UV-C modulada para integração em linhas de processamento de frutas, permitindo aplicação prática em escala, com potencial de ampliar a conservação não só da goiaba, mas também de outras frutas suscetíveis a doenças fúngicas no pós-colheita, mantendo o foco em tecnologia sustentável, sem resíduos, e com preservação da qualidade.

Fonte: Thais Szegö | Agência FAPESP 

  • Redação Agronamidia

    A Redação Agronamidia é composta por uma equipe multidisciplinar de jornalistas, analistas de mercado e especialistas em comunicação rural. Nosso compromisso é levar informações precisas, técnicas e atualizadas sobre os principais pilares do agronegócio brasileiro: da economia das commodities à inovação no campo e sustentabilidade ambiental. Sob a gestão da Editora CFILLA, todo o conteúdo passa por um rigoroso processo de curadoria e verificação de fatos, garantindo que o produtor rural e os profissionais do setor tenham acesso a notícias com alto valor estratégico e rigor técnico.

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