Agronamidia
  • Noticias
  • Mundo Agro
  • Pecuaria
  • Natureza
  • Jardinagem
    • Plantas da Mel
  • Releases
  • Stories
  • Noticias
  • Mundo Agro
  • Pecuaria
  • Natureza
  • Jardinagem
    • Plantas da Mel
  • Releases
  • Stories
No Result
View All Result
Agronamidia
No Result
View All Result
Home Natureza

Murumuru sai da margem dos açaizais e entra na cadeia de cosméticos com R$ 40 o quilo e impacto direto em 200 famílias no Pará

A valorização da palmeira amazônica mostra como a sociobiodiversidade pode ser mais rentável do que o desmatamento

by Derick Machado
10 de março de 2026
in Natureza
Murumuru sai da margem dos açaizais e entra na cadeia de cosméticos com R$ 40 o quilo e impacto direto em 200 famílias no Pará

Em 2013, o agroextrativista Osmarino Lagos Souza precisou de muita insistência para convencer sua comunidade e o poder público de que o murumuru valia a pena. A palmeira era vista como estorvo nos açaizais da região de Nova Cintra, no Pará, e o governo estadual carregava a memória de uma tentativa frustrada de usá-la para produção de biodiesel. Ninguém queria ouvir falar no assunto.

ADVERTISEMENT

“Na época, o governo do Estado não me deu muita atenção, mas insisti dizendo que, se a gente continuasse, daria para empregar algumas pessoas que estavam vivendo só de Bolsa Família, e era interesse da gente ajudar essas famílias e também preservar o patrimônio do Estado”, relata Souza, que assumia naquele ano a presidência da Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra, a Coopercintra.

A teimosia deu resultado. Com recursos captados para reativar uma usina de óleo vegetal abandonada, a cooperativa processou cerca de 25,8 toneladas de caroço de murumuru naquele primeiro ciclo, vendidas a aproximadamente R$ 15 o quilo. Mais de uma década depois, o preço chegou a R$ 40 o quilo e o volume adquirido dos cooperados saltou para 258 toneladas por safra, que ocorre entre abril e julho, quando os frutos se desprendem naturalmente da árvore.

Uma cesta de produtos que sustenta a floresta em pé

Atualmente, cerca de 200 coletores fornecem sementes de murumuru para a Coopercintra, obtendo uma renda média de R$ 3 mil por safra. O valor se soma a outras cadeias da sociobiodiversidade já consolidadas na região, como o açaí, a borracha e o buriti, compondo uma cesta diversificada que reduz a dependência de um único produto e distribui melhor os riscos ao longo do ano.

Veja Também

Quando as zonas temperadas começam a se parecer com os trópicos

Solo, rio e produção: a agrofloresta que está reconstruindo o Vale do Taquari após as enchentes de 2024

A Embrapa Amapá estima que cada árvore de murumuru produza, em média, de 12 a 21 litros de manteiga. Considerando o preço atual praticado pela Coopercintra, esse volume representa uma receita de até R$ 840 por palmeira manejada, o que torna a espécie competitiva frente a outras culturas da região sem exigir desmatamento ou conversão de área.

A chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Amapá, Valéria Bezerra, aponta que a valorização do murumuru vai além do aspecto financeiro. “Teve um processo aqui de tirar praticamente tudo, deixar apenas o açaí porque é o que dá mais dinheiro. E o que aconteceu? As abelhas foram embora. As abelhas indo embora, não tem fertilização dos frutos, não existe fruto”, afirma a pesquisadora.

A lógica é direta: a monocultura do açaí em detrimento de outras espécies nativas desequilibra o ambiente e, paradoxalmente, compromete a própria produção do açaí ao longo do tempo. O murumuru, por oferecer floração em período distinto, contribui para manter os polinizadores ativos e a biodiversidade funcional nos sistemas produtivos da Amazônia.

“O murumuru dá uma renda muito boa, assim como todos os óleos obtidos da floresta”, acrescenta Bezerra.

Da floresta para a prateleira de cosméticos

A manteiga de murumuru conquistou espaço na indústria cosmética por suas propriedades emolientes e de fixação de ativos, sendo usada em produtos para cabelo e pele. A Natura foi uma das primeiras empresas a incluir o ingrediente em sua linha, ainda em 2003, depois de um processo sistemático de pesquisa para mapear potenciais matérias-primas amazônicas.

“Existem registros de que na década de 1940 o murumuru já era uma espécie utilizada pelas comunidades tradicionais para fazer sabão em barra”, relata Mauro Costa, gerente-sênior de abastecimento das cadeias da sociobiodiversidade na Natura.

A empresa mantém hoje uma rede que soma mais de três mil famílias extrativistas e parcerias com 52 comunidades amazônicas, das quais pelo menos 13 trabalham diretamente com o murumuru. Ainda assim, a inclusão da palmeira na cadeia produtiva não foi simples no início. Costa descreve a resistência que encontrou nas comunidades: “Muitos diziam que não fazia sentido ter o murumuru dentro do sistema de produção, optavam pela queima e a derrubada do murumuru para ampliar áreas de açaizais. Mas depois de todos esses anos, podemos dizer que temos uma cadeia sólida e robusta, com muitas famílias ganhando inclusive mais do que o que ganham com o açaí”.

Novas cooperativas entram na cadeia

A expansão do murumuru como ativo econômico da Amazônia não se limita às cooperativas já consolidadas. Em Santarém do Oeste, também no Pará, a Cooperativa dos Trabalhadores Agroextrativistas do Oeste do Pará, a Ascoper, está em fase de preparação para se tornar mais uma fornecedora da Natura. A expectativa é colher 1,5 tonelada de frutos neste ano para uma produção-teste que avaliará a qualidade da manteiga gerada na região. Se os resultados forem positivos, a cooperativa projeta chegar a 15 toneladas por temporada, com rendimento médio de 20% de manteiga após o processamento.

O presidente da Ascoper, Manoel Edivaldo Santos Matos, conta que a decisão veio depois de intercâmbios com outras cooperativas paraenses. “A gente sabe que o murumuru tem mercado porque fizemos intercâmbio com outras cooperativas daqui do Estado. A partir daí, nós partimos então para essa atividade para ampliar nossa cesta de produtos”, explica.

Para Matos, o impacto vai além da geração de renda. “Era uma palmeira que a gente não tinha conhecimento, então pegava para derrubar. Com o conhecimento desse potencial para gerar renda, ela se torna mais uma atividade e aquilo que seria derrubado não será mais. Então, é muito importante, tanto do ponto de vista ambiental quanto social”, afirma.

A trajetória do murumuru resume bem a lógica que sustenta a bioeconomia amazônica: o que tem valor econômico mensurável dificilmente é derrubado. Quando o produtor enxerga renda na floresta em pé, a floresta permanece de pé. Osmarino Lagos Souza entendeu isso em 2013, antes de qualquer política pública reconhecer. A região de Nova Cintra, que hoje conta com energia elétrica, internet e famílias saídas do Bolsa Família, é o resultado prático dessa aposta.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

Share234Tweet147Pin53

Artigos relacionados

Nova variedade de rosa listrada homenagem
Natureza

Uma rosa para o rei: conheça a flor listrada que homenageia Charles III e ajuda projetos sociais

by Derick Machado
22 de maio de 2025
0

A cena não poderia ser mais simbólica: no prestigiado RHS Chelsea Flower Show, em Londres, uma nova variedade de rosa foi apresentada ao mundo, carregando não só beleza, mas também um forte...

Read more
daniela.vm.sz
Natureza

Do Pico Paraná ao Bosque do Papa: descubra os tesouros naturais dos parques estaduais

by Derick Machado
14 de novembro de 2025
0

Cachoeiras monumentais, montanhas que desafiam os aventureiros, florestas que escondem espécies ameaçadas e refúgios que resgatam tradições culturais. Os parques estaduais do Paraná formam um mosaico de biodiversidade e experiências que encantam...

Read more
stekdestadstuinwinkel
Natureza

Você já viu essa fruta exótica? O limão que parece uma mão encanta pelo visual e aroma único

by Derick Machado
21 de julho de 2025
0

Quando se fala em frutas cítricas, o limão costuma remeter a sabores intensos e propriedades refrescantes. Mas há uma variedade que quebra todas as expectativas e provoca fascínio à primeira vista: o...

Read more
Cupins de revoada e cães: um risco silencioso que aumenta com a chegada das chuvas
Natureza

Cupins de revoada e cães: um risco silencioso que aumenta com a chegada das chuvas

by Derick Machado
14 de dezembro de 2025
0

• A revoada de cupins aumenta na época das chuvas e atrai a curiosidade dos cães, que podem acabar ingerindo os insetos. • A ingestão de siriris pode causar intoxicação devido a...

Read more
  • Politica de Privacidade
  • Contato
  • Politica de ética
  • Politica de verificação dos fatos
  • Politica editorial
  • Quem somos | Sobre nós
  • Termos de uso
  • Expediente
contato@agronamidia.com.br

©2021 - 2025 Agronamidia, Dedicado a informar o público sobre o mundo do agronegócio, do campo e da jardinagem. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

No Result
View All Result
  • Noticias
  • Mundo Agro
  • Pecuaria
  • Natureza
  • Jardinagem
    • Plantas da Mel
  • Releases
  • Stories

©2021 - 2025 Agronamidia, Dedicado a informar o público sobre o mundo do agronegócio, do campo e da jardinagem. - Editora CFILLA (CNPJ: 47.923.569/0001-92)

Nós estamos usando cookies neste site para melhorar sua experiência. Visite nossa Politica de privacidade.