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Após as enchentes, qualidade da água em poços rurais do RS preocupa
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38 minutos atrásem
Por
Claudio P. Filla
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024 deixaram marcas profundas não apenas na infraestrutura e na produção rural, mas também em um recurso essencial à vida: a água.
Em regiões onde o abastecimento depende majoritariamente de poços tubulares profundos, a segurança da água consumida por famílias e animais tornou-se uma preocupação central. Avaliações técnicas recentes indicam que, mesmo fora do alcance visual dos danos causados pelas cheias, os efeitos podem persistir no subsolo, exigindo atenção redobrada e ações preventivas.
Avaliações técnicas em áreas afetadas pelas enchentes
Uma série de análises conduzidas em poços localizados nas bacias dos rios Taquari-Antas e Baixo Jacuí revelou um cenário que demanda cautela. As avaliações abrangeram áreas rurais de 17 municípios fortemente impactados pelas enchentes e integraram as ações do programa Recupera Rural RS. As coletas de dados e amostras ocorreram meses após o evento climático extremo, permitindo uma leitura mais precisa dos efeitos da inundação sobre as águas subterrâneas utilizadas no consumo humano e na dessedentação animal.
Os relatórios técnicos apontaram que, embora muitos poços mantenham parâmetros aceitáveis, uma parcela apresentou alterações relevantes nos indicadores de potabilidade. Esses resultados reforçam que eventos climáticos extremos podem comprometer a qualidade da água de forma silenciosa, sobretudo em sistemas que não contam com proteção adequada ou monitoramento contínuo.
Contaminações identificadas e riscos sanitários
As análises laboratoriais utilizaram técnicas avançadas de biologia molecular para identificar a presença de material genético de microrganismos potencialmente patogênicos. Entre os achados, foram detectados indícios de contaminação por bactérias e protozoários associados a doenças de veiculação hídrica, além de alterações químicas, como concentrações elevadas de nitrato e fluoreto em alguns pontos amostrados.
Entretanto, os relatórios destacam que essas ocorrências foram pontuais e que as amostras foram coletadas antes da passagem da água pelos sistemas de cloração existentes na maioria dos poços avaliados. Isso indica que, quando corretamente operados, os sistemas de tratamento tendem a reduzir de forma significativa os riscos sanitários, especialmente no que diz respeito aos agentes biológicos.
Importância do tratamento e da vigilância contínua
Os resultados reforçam que medidas relativamente simples podem ser decisivas para garantir a segurança da água. A cloração adequada, a fervura da água para consumo doméstico e a proteção estrutural dos poços são práticas capazes de mitigar grande parte dos riscos identificados. Além disso, a vigilância sanitária contínua se mostra fundamental, sobretudo em períodos posteriores a eventos climáticos extremos, quando a infiltração de contaminantes pode ocorrer de forma difusa.
Os relatórios individuais elaborados para cada poço avaliado têm papel estratégico nesse processo, pois orientam ações específicas conforme as características locais. O acompanhamento técnico junto às comunidades rurais permite não apenas corrigir problemas imediatos, mas também fortalecer a cultura de prevenção e manejo seguro da água.
Base normativa e critérios de qualidade da água
A avaliação da potabilidade considerou parâmetros estabelecidos em normativas nacionais que regulam tanto o consumo humano quanto o enquadramento ambiental das águas subterrâneas. Esses instrumentos definem limites máximos permitidos para substâncias químicas e indicadores microbiológicos, além de orientarem procedimentos de controle e monitoramento.
No caso da água destinada à dessedentação animal, os relatórios também se basearam em literatura técnica complementar, reconhecendo que as exigências podem variar conforme a espécie e o sistema produtivo. Essa abordagem integrada permite uma leitura mais precisa dos riscos e assegura que as recomendações estejam alinhadas às diferentes formas de uso da água no meio rural.
Monitoramento como resposta às mudanças climáticas
A ação de coleta e análise das águas subterrâneas integra uma estratégia mais ampla de adaptação às mudanças climáticas. Ao reunir instituições, dados técnicos e acompanhamento em campo, a Plataforma Colaborativa Recupera Rural RS busca não apenas responder aos impactos imediatos das enchentes, mas também criar bases para uma gestão mais resiliente dos recursos hídricos.
Nesse contexto, o monitoramento contínuo da qualidade da água se consolida como uma ferramenta essencial para proteger a saúde das populações rurais, preservar a produção agropecuária e reduzir vulnerabilidades frente a eventos extremos que tendem a se tornar mais frequentes.
Fonte: Embrapa

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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