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Brasil alcança 3º lugar no ranking global de saúde animal
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Por
Claudio P. Filla
O avanço da saúde animal no Brasil deixou de ser apenas um reflexo do tamanho do rebanho nacional e passou a representar um movimento estratégico dentro da economia. Em 2023, o país consolidou-se como o terceiro maior mercado global do setor, com faturamento de US$ 1,68 bilhão, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China, de acordo com dados divulgados pelo Health for Animals, entidade internacional que reúne desenvolvedores e fabricantes da área.
O resultado não é isolado. Ele acompanha a própria dimensão do agronegócio brasileiro, responsável por cerca de 27% do Produto Interno Bruto e por exportações que ultrapassam US$ 150 bilhões ao ano. Assim, a saúde animal passa a ocupar papel central na engrenagem produtiva, garantindo eficiência, rastreabilidade e competitividade internacional.
Rebanho robusto sustenta a expansão do setor
O Brasil mantém o maior rebanho bovino comercial do mundo, com aproximadamente 200 milhões de cabeças. Além disso, o país realiza o abate anual de cerca de 1,6 bilhão de aves e mantém em torno de 45 milhões de suínos em produção. Esses números, por si só, evidenciam a dimensão do desafio sanitário enfrentado diariamente nas propriedades rurais.
Entretanto, não se trata apenas de volume. A exigência por padrões internacionais de qualidade, especialmente nos mercados compradores, elevou o nível de controle sanitário nas cadeias produtivas. Vacinas, medicamentos veterinários, antiparasitários e soluções de biossegurança tornaram-se elementos indispensáveis para manter produtividade e reduzir perdas.
Segundo Emílio Salani, vice-presidente executivo do Sindan, parceiro do Health for Animals, o protagonismo brasileiro tem sido decisivo para o desempenho regional. “O crescimento no mercado latino-americano, de 16,7% em relação a 2022, é impulsionado pelo protagonismo brasileiro”, afirma. Esse avanço consolidou o país como líder na América Latina, respondendo por cerca de dois terços do faturamento regional, estimado em US$ 3,3 bilhões em 2023.
Além disso, há um movimento contínuo de modernização no campo. Produtores que antes operavam com menor nível tecnológico passaram a incorporar ferramentas mais avançadas de manejo e monitoramento sanitário. Por isso, as projeções para os próximos anos indicam crescimento sustentável, impulsionado por inovação e maior profissionalização das propriedades.
Mercado pet amplia o alcance da saúde animal
Se o agronegócio sustenta a base estrutural do setor, o mercado de animais de companhia amplia sua capilaridade e dinamismo. Nos centros urbanos, cães e gatos passaram a ocupar espaço central nas famílias, o que se reflete diretamente nos investimentos em prevenção, bem-estar e tratamentos especializados.
Com cerca de 140 milhões de pets, o Brasil figura também na terceira posição entre os maiores mercados globais de animais de companhia, atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido. Esse contingente expressivo alimenta uma cadeia que envolve clínicas veterinárias, laboratórios, indústrias farmacêuticas e empresas de tecnologia aplicada à saúde animal.
O aumento da conscientização dos tutores sobre vacinação, exames periódicos e medicina preventiva transformou o perfil do consumo. Assim, o segmento pet deixou de ser complementar e passou a atuar como um dos principais motores de inovação da indústria.
Conforme destaca Salani, “a saúde animal é uma engrenagem fundamental tanto para o agronegócio como para o mercado pet. Os dois segmentos exigem cada vez mais qualidade e inovação e isso se reflete na busca por medicamentos que atendam a essas expectativas”. Essa convergência entre campo e cidade fortalece o posicionamento brasileiro no cenário global.
Participação global e perspectiva de crescimento
O mercado brasileiro representa atualmente 6% do faturamento mundial de saúde animal, estimado em US$ 28 bilhões. Embora o percentual possa parecer modesto à primeira vista, ele ganha relevância quando associado ao potencial de expansão da produção agropecuária e ao crescimento constante da população pet.
Além disso, o país reúne características estratégicas que favorecem a expansão do setor, como diversidade climática, ampla base produtiva e capacidade de adaptação tecnológica. Entretanto, os desafios permanecem, sobretudo na necessidade de ampliar acesso a tecnologias em regiões menos estruturadas e manter vigilância sanitária rigorosa.
O fato é que a saúde animal deixou de ser um segmento periférico e passou a ocupar posição estratégica na economia brasileira. Entre a força do agronegócio e a consolidação do mercado pet, o Brasil avança não apenas em faturamento, mas em relevância internacional, consolidando-se como um dos principais polos globais do setor.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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