Noticias
Corte no seguro rural coloca o campo em risco, afirma Sistema FAEP
Publicado
2 semanas atrásem
Por
Claudio P. Filla
O veto ao orçamento destinado ao seguro rural acendeu um sinal de alerta no agronegócio brasileiro. A decisão, que também alcança recursos voltados à pesquisa e à infraestrutura da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), além de ações de defesa agropecuária, regulação e fiscalização, é vista pelo Sistema FAEP como um risco direto à sustentabilidade da produção rural no país.
Em um cenário marcado por eventos climáticos cada vez mais extremos, a ausência de políticas públicas consistentes para mitigar perdas amplia a vulnerabilidade do produtor, especialmente daquele que depende do seguro como ferramenta de planejamento e proteção da atividade.
Seguro rural como pilar da estabilidade produtiva
Para o Sistema FAEP, o seguro rural não pode ser tratado como um item secundário no orçamento. A entidade ressalta que a ferramenta é essencial para garantir previsibilidade ao produtor, sobretudo em um contexto de recorrentes estiagens, excesso de chuvas e outras intempéries que comprometem safras inteiras.
“Há anos, o governo federal não leva a sério o seguro rural. Essa é uma ferramenta muito importante para o produtor rural, principalmente diante das recorrentes intempéries climáticas, que geram perdas significativas no meio rural. Isso é um absurdo”, afirmou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. Segundo ele, a mobilização junto ao Congresso já está em curso para que o veto seja derrubado na retomada dos trabalhos legislativos.
Paraná concentra maior impacto da medida
Embora o veto tenha alcance nacional, seus efeitos são ainda mais sensíveis no Paraná. O estado lidera historicamente a contratação de seguro rural no Brasil, concentrando uma parcela expressiva das apólices vigentes. Em 2025, produtores paranaenses responderam por 19,5 mil das 46,9 mil apólices contratadas no país, o equivalente a 42% do total.
Esse volume representou a proteção de mais de 944 mil hectares contra perdas climáticas, com valor segurado que ultrapassa R$ 4 bilhões, conforme dados do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural do governo federal. Com o veto, essa estrutura de proteção fica fragilizada, afetando diretamente a capacidade de gestão de risco no campo.
Subvenção federal e pesquisa sob ameaça
Outro ponto de preocupação destacado pela entidade é a retirada da subvenção ao prêmio do seguro rural, o que transfere integralmente o custo da apólice ao produtor. Essa mudança, entretanto, ocorre em um momento delicado, marcado por elevação dos custos de produção e margens mais apertadas na comercialização de grãos.
“Por falta da subvenção federal, os nossos produtores rurais estão sendo obrigados a pagar a integralidade do prêmio. Isso tem impacto no planejamento dentro da porteira, ainda mais em um momento de alta dos custos de produção e preços ajustados dos grãos. Não podemos começar mais um ano com incertezas”, reforçou Meneguette.
Além disso, o corte de recursos para a Embrapa e para ações de defesa agropecuária compromete avanços em pesquisa, inovação e sanidade, pilares considerados estratégicos para a competitividade do agronegócio brasileiro no médio e longo prazo.
Pressão política para reverter o veto
Diante do cenário, o Sistema FAEP defende que o orçamento volte a contemplar integralmente a subvenção ao seguro rural, os investimentos em pesquisa e as ações de fiscalização. A entidade aposta na articulação política para que o Congresso Nacional reverta o veto e restabeleça os recursos considerados essenciais para a produção agropecuária.
A avaliação é que iniciar mais um ciclo produtivo sem garantias mínimas de proteção financeira e apoio institucional amplia a instabilidade no campo, justamente em um período em que o setor é chamado a produzir mais, com responsabilidade ambiental e resiliência frente às mudanças climáticas.
Fonte: sistemafaep

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
E-mail: [email protected]


