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Governo lança novo leilão do Eco Invest Brasil com proteção cambial inédita
Publicado
3 meses atrásem
Por
Claudio P. Filla
O cenário de transição ecológica no Brasil ganha um novo impulso com o anúncio da terceira edição do leilão do Programa Eco Invest Brasil. A iniciativa, articulada pelos Ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, reforça a estratégia do país de se posicionar como um destino sólido e seguro para investimentos sustentáveis de longo prazo. Nesta nova fase, o programa passa a incorporar uma ferramenta decisiva para o investidor internacional: a proteção cambial em condições vantajosas, por meio de um mecanismo de hedge inédito entre países
⚠️ Aviso de caráter informativo e prospectivo
As informações deste artigo são orientativas e baseadas nos dados e anúncios públicos disponíveis até o momento.
As previsões de impacto, atração de investimentos e benefícios ambientais dependem de variáveis institucionais, regulatórias, mercado de capitais e execução técnica.
Resultados reais poderão divergir conforme o contexto, o modelo adotado pelos projetos aptos e as condições econômicas futuras.emergentes.
Ao permitir a mitigação parcial das flutuações do real frente ao dólar, o Eco Invest Brasil cria um ambiente mais previsível para a entrada de capital estrangeiro, favorecendo empresas de base tecnológica que operam em setores considerados estratégicos para o futuro do planeta. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o novo modelo representa um marco na história das finanças sustentáveis: “Estamos inaugurando um caminho que alia estabilidade, inovação e compromisso ambiental.”
Com recursos do Fundo Clima, o leilão direcionará capital para que instituições financeiras criem estruturas que ofereçam segurança contra o risco cambial e operacional dos projetos financiados. A lógica é simples, mas eficaz: os bancos selecionados precisarão assumir compromissos de alavancar recursos privados e estabelecer metas de captação em investimentos de equity, ou seja, participação direta em negócios com alto potencial de retorno econômico e ambiental.
Aliás, essa combinação de ativos ambientais e financeiros tem sido celebrada como um sinal do protagonismo brasileiro na agenda climática global. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reforçou que a medida aproxima o país das melhores práticas internacionais: “Estamos mostrando ao mundo que é possível aliar preservação ambiental, geração de renda e inovação tecnológica em uma mesma política pública.”
Além de fomentar startups e empresas inovadoras, o novo leilão prioriza setores que representam a espinha dorsal da chamada nova economia verde. A lista inclui áreas como bioeconomia, com destaque para cadeias de valor envolvendo superalimentos e biofertilizantes; transição energética, como o uso do hidrogênio verde, biogás e SAF (combustível sustentável de aviação); e economia circular, voltada à reciclagem de baterias, plásticos alternativos e reaproveitamento de resíduos sólidos.
Mais do que apenas atrair recursos, o Eco Invest quer garantir que as tecnologias desenvolvidas possam ser escaladas e replicadas em diferentes contextos, consolidando o Brasil como polo exportador de soluções sustentáveis. Essa visão de longo prazo fortalece o posicionamento do país nas cadeias globais de valor, além de abrir portas para a internacionalização de negócios locais com vocação verde.
A proposta também ganha eco internacional. Segundo Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a experiência brasileira está servindo de modelo para novos programas regionais. “Com base nesse modelo bem-sucedido do Eco Invest, lançamos o FX Edge, uma nova plataforma que pretende ampliar o acesso a capital privado em países em desenvolvimento, com foco na redução da volatilidade cambial.”
A terceira fase do leilão já tem cronograma definido: as instituições financeiras interessadas devem apresentar suas propostas até 19 de novembro de 2025, logo após a publicação da portaria regulamentadora. Os projetos selecionados receberão apoio técnico e financeiro, podendo transformar suas propostas em motores reais da descarbonização e da transformação produtiva.
O Eco Invest Brasil faz parte do Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica, uma agenda coordenada pelo Ministério da Fazenda que pretende redesenhar os pilares da economia nacional com base em três eixos: bioeconomia, indústria verde e finanças sustentáveis. A iniciativa conta ainda com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Embaixada do Reino Unido no Brasil, ambos parceiros estratégicos para dar robustez institucional e confiança ao programa.
Segundo a embaixadora do Reino Unido, Stephanie Al-Qaq, a cooperação entre os dois países reafirma o potencial do Brasil como líder ambiental: “O apoio ao Eco Invest Brasil reflete nosso compromisso com o financiamento climático de impacto e com a criação de novas pontes entre investidores e projetos transformadores.”
Até aqui, os números confirmam a potência da iniciativa. As duas primeiras rodadas do Eco Invest Brasil mobilizaram mais de R$ 75 bilhões, dos quais R$ 46 bilhões têm origem internacional. Parte desses recursos já foi utilizada para destravar investimentos em áreas como saneamento básico e produção de SAF. Na segunda edição, o foco esteve na recuperação de terras degradadas, com resultados expressivos: cerca de 1,4 milhão de hectares restaurados, uma extensão equivalente a nove vezes a área da cidade de São Paulo.
Com a terceira rodada, o Brasil reforça seu posicionamento como uma vitrine global de inovação verde e, ao mesmo tempo, demonstra maturidade institucional para transformar ideias sustentáveis em realidades econômicas robustas.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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