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Microsoft fecha maior contrato agrícola de carbono de sua história
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4 dias atrásem
Por
Claudio P. Filla
A corrida global por soluções climáticas de longo prazo acaba de ganhar um novo capítulo de peso no setor agrícola. A Microsoft firmou um acordo para a compra de 2,85 milhões de créditos de carbono gerados por produtores rurais dos Estados Unidos vinculados à Indigo, empresa americana especializada em insumos biológicos e agricultura regenerativa. A operação será realizada ao longo de 12 anos e marca uma das maiores transações já feitas no mercado voluntário de carbono associadas ao manejo do solo.
Embora a gigante da tecnologia já tivesse adquirido créditos da Indigo em ciclos anteriores, os volumes agora escalam para um patamar inédito. Em 2024, a Microsoft comprou cerca de 40 mil créditos da empresa e, em 2025, mais 60 mil. A nova operação, portanto, multiplica essas cifras e sinaliza uma mudança estratégica na forma como a companhia enxerga o papel da agricultura na remoção de dióxido de carbono da atmosfera.
O solo como infraestrutura climática
A base desse acordo está no modelo desenvolvido pela Indigo, que conecta produtores rurais a grandes compradores corporativos interessados em compensar ou neutralizar suas emissões. Por meio de práticas como rotação de culturas, cobertura vegetal permanente e redução do revolvimento do solo, os agricultores aumentam o teor de carbono armazenado no solo, transformando suas lavouras em verdadeiros reservatórios de CO₂.
Atualmente, a Indigo trabalha com produtores distribuídos por 3,24 milhões de hectares nos Estados Unidos e já repassou cerca de US$ 40 milhões a agricultores participantes de seus programas. Esse fluxo financeiro cria um incentivo direto para que técnicas regenerativas sejam adotadas em larga escala, alinhando rentabilidade rural e mitigação climática.
Além disso, a empresa opera no Brasil com o programa Source, que segue a mesma lógica ao conectar indústrias interessadas em créditos de carbono a produtores que adotam práticas agrícolas capazes de sequestrar carbono no solo. Essa ponte entre o campo e o mercado financeiro ambiental vem ganhando espaço justamente por permitir que cadeias produtivas tradicionais participem ativamente da agenda climática global.
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Garantias de permanência e integridade dos créditos
Um dos principais desafios dos créditos de carbono baseados no solo é garantir que o carbono capturado permaneça ali por décadas, sem ser reemitido para a atmosfera. Por isso, o contrato firmado entre a Microsoft e a Indigo inclui mecanismos adicionais de monitoramento, compensação e mitigação de risco, que se estendem por um período mínimo de 40 anos.
Esse compromisso se soma às exigências do próprio protocolo de certificação adotado pela Indigo, que já prevê a obrigação de garantir a permanência do carbono por até 100 anos. Os créditos são certificados pela Climate Action Reserve (CAR), que utiliza o protocolo de enriquecimento de carbono no solo, conhecido como Soil Enrichment Protocol (SEP). Por esse sistema, a Indigo já emitiu 927.296 créditos de remoção e redução de carbono.
A operação com a Microsoft também inclui créditos aprovados pelo Conselho de Integridade para o Mercado Voluntário de Carbono (ICVCM), que estabelece os Core Carbon Principles, um conjunto de diretrizes internacionais criadas para assegurar a qualidade, a rastreabilidade e a credibilidade ambiental dos créditos negociados globalmente.
Em comunicado oficial, a própria Microsoft destacou que a parceria com a Indigo foi estruturada justamente para atender a esses critérios de rigor científico e transparência, além de promover pagamentos diretos aos agricultores envolvidos.
Estratégia de compras baseada na natureza
Esse movimento se encaixa em uma estratégia mais ampla da Microsoft de priorizar soluções baseadas na natureza dentro de seu portfólio de remoção de carbono. Em dezembro, a empresa anunciou a compra de 28,5 mil toneladas de créditos da startup alemã InPlanet, que atua no Brasil com a aplicação de pó de rocha no solo como alternativa a fertilizantes químicos, técnica que também promove a fixação de carbono.
Já em janeiro de 2025, a companhia fechou um acordo ainda maior ao adquirir 3,5 milhões de créditos de remoção de carbono da brasileira re.green, especializada em restauração florestal em larga escala.
Ao integrar florestas, solos agrícolas e tecnologias de monitoramento avançado em sua carteira de créditos, a Microsoft passa a construir uma estratégia climática mais diversificada e resiliente, capaz de lidar não apenas com a redução de emissões futuras, mas também com a remoção efetiva de carbono já presente na atmosfera.
Fonte: GloboRural

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