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Vinícola Brasileira Alcança Pontuação Recorde em Concurso Internacional de Vinhos

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Vinícola Brasileira Alcança Pontuação Recorde em Concurso Internacional de Vinhos

A viticultura brasileira acaba de elevar seu patamar no cenário global, com um vinho mineiro que não apenas brilhou, mas estabeleceu um marco inédito. Produzido na região sul de Minas Gerais, o Isabela Syrah 2023 reflete a dedicação de uma vinícola familiar e a inovação no cultivo de uvas, conquistando olhares internacionais e provando que o terroir nacional pode rivalizar com os mais tradicionais do mundo.

Aliás, esse reconhecimento chega em um momento em que o Brasil busca expandir sua presença no mercado de vinhos finos, destacando não só a qualidade, mas também a acessibilidade de rótulos premiados.

A Jornada até o Pódio Mundial

Localizada em Boa Esperança, a Vinícola Maria Maria surgiu de uma transformação pessoal e familiar. A família Junqueira Nogueira, com raízes profundas na cafeicultura mineira há seis gerações, viu sua trajetória mudar quando o patriarca incorporou o vinho à rotina por motivos de saúde. Essa virada levou a estudos aprofundados e viagens, culminando na adoção de técnicas pioneiras que adaptam o cultivo ao clima local.

Assim, em 2007, inspirados por pesquisas da Epamig, eles implementaram a dupla poda, uma abordagem que inverte o ciclo da videira para colheitas no inverno, aproveitando dias ensolarados e noites frescas. Porém, o que começou como uma adaptação climática evoluiu para uma assinatura de excelência, com o Isabela Syrah 2023 se tornando o único vinho brasileiro a receber ouro na edição 2025 da Decanter World Wine Awards, além de alcançar os impressionantes 96 pontos – a maior nota já obtida por um rótulo nacional na história do evento.

Inovação no Cultivo e na Vinificação

A dupla poda, também conhecida como ciclo invertido, consiste em podar a videira duas vezes ao ano, forçando a maturação das uvas durante o período seco do inverno mineiro. Essa técnica evita os desafios do verão úmido, comum em outras regiões vinícolas brasileiras, e resulta em frutos com maior concentração de açúcares, aromas intensos e resistência a doenças.

Na Fazenda Capetinga, onde as uvas Syrah são cultivadas, essa método permite uma expressão pura do terroir, sem interferências excessivas. O vinho é vinificado em tanques de aço inox, dispensando o envelhecimento em barricas de carvalho, o que preserva a vivacidade das notas frutadas. “Nosso objetivo com o Isabela sempre foi permitir que o terroir do sul de Minas se manifestasse da forma mais pura possível.

A ausência de madeira revela a intensidade da fruta, com notas de frutas vermelhas e negras maduras, um toque de couro e as especiarias características da Syrah cultivada aqui, como pimenta-do-reino, cravo e canela”, explica Isabela Peregrino, enóloga da vinícola e homenageada pelo rótulo.

Além disso, o processo envolve vinificações em parcelas separadas, com macerações que variam de dez a vinte dias, seguidas de um assemblage cuidadoso. O resultado é um vinho equilibrado, com taninos suaves, acidez harmoniosa e um final persistente, ideal para diversas ocasiões, desde aperitivos leves até refeições robustas como churrascos. Custando R$ 160 no e-commerce da vinícola, ele se posiciona como uma opção acessível para quem busca qualidade premiada sem extravagâncias.

Impacto no Cenário Nacional e Perspectivas Futuras

A Decanter World Wine Awards, realizada em Londres, é uma das competições mais rigorosas do setor, avaliando milhares de rótulos de dezenas de países por um júri de especialistas em degustações às cegas. Neste ano, o Brasil somou 145 premiações, incluindo 48 pratas e 96 bronzes, mas o ouro solitário do Isabela Syrah destaca o potencial mineiro.

Para Eduardo Junqueira Nogueira Neto, diretor comercial da Maria Maria e engenheiro-agrônomo, essa vitória transcende a vinícola. “Este reconhecimento não é só da Maria Maria, mas de Minas Gerais. É um holofote que se acende sobre o potencial do nosso terroir e o trabalho de todos os produtores que acreditaram na dupla poda. Esperamos que isso abra portas, atraia o enoturismo para a nossa região e mostre ao mundo que em Minas não se faz só café e queijo de excelência, mas também vinhos de classe mundial”, afirma.

Entretanto, o portfólio da Maria Maria vai além desse destaque, incluindo opções como o Juliana Rosé Syrah 2024, o Júlia Sauvignon Blanc 2024, o Gaia Syrah 2021 e sua versão Gran Reserva. Cada um reflete a essência da inovação mineira, combinando tradição familiar com adaptações climáticas que elevam a qualidade. Por isso, essa conquista não apenas celebra um vinho, mas impulsiona todo o setor, incentivando investimentos em técnicas sustentáveis e abrindo caminhos para que mais produtores explorem o vasto potencial da viticultura brasileira.

  • Vinícola Brasileira Alcança Pontuação Recorde em Concurso Internacional de Vinhos

    Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.

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