Mania de Plantas
  • Noticias
  • Mundo Agro
  • Pecuaria
  • Natureza
  • Jardinagem
    • Plantas da Mel
  • Releases
  • Stories
No Result
View All Result
Mania de plantas
  • Noticias
  • Mundo Agro
  • Pecuaria
  • Natureza
  • Jardinagem
    • Plantas da Mel
  • Releases
  • Stories
No Result
View All Result
AgroNaMidia
No Result
View All Result
Home Natureza

O “ouro da serra”: como o pinhão virou motor econômico e gastronômico de Cunha, no interior de SP

Colhida por mais de 200 famílias na safra de abril, a semente da araucária soma tradição indígena, renda rural e pratos sofisticados em uma das cidades mais produtoras do estado

by Derick Machado
14 de abril de 2026
in Natureza
Foto: Pablo Gomes/Epagri

Foto: Pablo Gomes/Epagri

O pinhão nunca precisou de marketing. Por séculos, a semente da araucária chegou às mesas brasileiras pelo caminho mais direto possível: das mãos de quem colhia para a chapa do fogão a lenha. Povos indígenas já o consumiam muito antes da colonização, reconhecendo no fruto uma fonte de energia densa, abundante e adaptada ao clima mais rigoroso das serras. Aliás, essa origem é parte fundamental do que faz o pinhão ser tratado, hoje, como muito mais do que um alimento sazonal.

Em Cunha, município encravado na Serra da Mantiqueira, no interior de São Paulo, esse percurso histórico ganhou um capítulo novo. A cidade é atualmente a maior produtora de pinhão do estado, com cerca de 800 toneladas colhidas por ano, e consolidou o produto como eixo de uma economia que conecta agricultura familiar, turismo e gastronomia de forma direta e mensurável.

Da mata para a chapa: uma tradição que não perdeu força

A araucária cresce com mais vigor acima dos 800 metros de altitude, em regiões de invernos frios e solos bem drenados. Cunha reúne essas condições com folga: o município possui áreas que alcançam quase 2 mil metros de altitude, clima de montanha e fragmentos preservados de Mata Atlântica. Esse ambiente favorece o desenvolvimento das araucárias centenárias que sustentam a safra local.

Leia Também

Por que a figueira é conhecida como a árvore que ‘chama-cobras’

Solo, rio e produção: a agrofloresta que está reconstruindo o Vale do Taquari após as enchentes de 2024

A colheita acontece principalmente em abril, de forma manual e com forte componente familiar. Mais de 200 coletores atuam na cidade durante a safra, a maioria agricultores que encontram na semente uma renda extra significativa dentro do calendário produtivo. “Alguns consideram o pinhão como um ’13º salário’, porque ajuda bastante no sustento”, conta Joás Ferreira, presidente da Associação dos Moradores, Produtores Rurais e Empreendedores da Estrada do Paraibuna, a Amprasp.

O trabalho de coleta exige conhecimento do terreno, senso de timing e respeito à árvore — a pinha não pode ser retirada antes de amadurecer, sob o risco de comprometer a qualidade da semente e o próprio ciclo reprodutivo da araucária. Esse saber, transmitido entre gerações, é parte do que especialistas em patrimônio alimentar identificam como conhecimento ecológico local, indissociável do produto em si.

800 toneladas por ano: o peso econômico do “ouro da serra”

Cunha não chegou a esse volume por acaso. A combinação entre altitude, microclima favorável e tradição de manejo consolidou o município como referência regional na produção de pinhão, distinguindo-o de outros pontos da Mantiqueira onde a colheita é mais dispersa e menos organizada.

O produto movimenta a economia em diferentes camadas. No campo, garante renda direta para coletores e agricultores familiares durante a safra. Na área urbana, alimenta restaurantes, feiras, pousadas e eventos gastronômicos que atraem visitantes de toda a região metropolitana de São Paulo, a menos de 200 quilômetros da cidade.

“Para nós, o pinhão não é apenas um alimento — é parte da identidade cultural de Cunha e da história das famílias que vivem da araucária. Ele movimenta a economia local, sustenta coletores e agricultores familiares e também ajuda a impulsionar o turismo durante a safra”, afirma Joás Ferreira.

Essa cadeia relativamente curta entre produção e consumo é um diferencial competitivo real. O pinhão chega fresco aos restaurantes da cidade com rastreabilidade natural, o que agrega valor ao produto e ao destino turístico simultaneamente.

Da culinária caipira aos cardápios sofisticados

O pinhão é composto por 75% de amêndoa e 25% de casca. Cozido, torrado na brasa ou frito, ele já ocupa o imaginário afetivo de quem cresceu na serra. Contudo, nos últimos anos, chefs e cozinheiros da região passaram a explorar a semente de formas que ampliam seu alcance sem apagar sua origem.

Bolos, pães, linguiças artesanais, brigadeiros e até gelatos com pinhão aparecem nos cardápios de Cunha como produtos que transitam entre a cozinha de roça e a gastronomia contemporânea. “A gente come o pinhão torrado na chapa do fogão a lenha, na brasa, cozido, faz caldinho. E hoje os restaurantes criam receitas que valorizam esse produto que vem lá da roça”, explica Joás Ferreira.

Essa valorização gastronômica não é superficial. O pinhão tem composição nutricional relevante, com boa concentração de carboidratos complexos, fibras, potássio e manganês, o que o posiciona bem dentro das tendências de consumo de alimentos nativos e funcionais. Além disso, a procedência regional e o modo de coleta artesanal respondem a uma demanda crescente por produtos com identidade territorial clara.

A Festa do Pinhão e o turismo que a safra movimenta

O principal termômetro do impacto econômico do pinhão em Cunha é a sua festa. Em 24 edições, o evento consolidou-se como um dos mais importantes do calendário cultural da cidade, reunindo produtores, moradores e turistas na praça central durante os dias de maior movimento da safra.

Os números são objetivos: “Só durante a festa, são comercializadas entre quatro e cinco toneladas de pinhão”, relata Joás Ferreira. Para uma semente colhida manualmente, em terreno acidentado, esse volume em poucos dias representa uma janela comercial de alto valor para toda a cadeia local.

O evento também cumpre função cultural ativa. É o momento em que a tradição do pinhão é apresentada às novas gerações e a visitantes que, muitas vezes, conhecem o produto pela primeira vez fora do contexto urbano. “É importante que todos valorizem essa origem caipira do pinhão. Essa é uma tradição cultural muito forte para a gente”, reforça o presidente da Amprasp.

Araucária, identidade e o desafio da valorização contínua

O pinhão de Cunha já deu o passo mais difícil: saiu da condição de produto invisível para se tornar símbolo reconhecido, com cadeia produtiva ativa e calendário turístico próprio. O próximo desafio é manter esse nível de organização e ampliar a rastreabilidade, o processamento local e o acesso a mercados que pagam mais pela procedência.

A araucária, por sua vez, é espécie nativa ameaçada de extinção no Brasil. Conservar as árvores produtivas, respeitar o ciclo de colheita e evitar a extração predatória são condições para que as próximas safras mantenham o mesmo padrão. “O pinhão é um símbolo vivo de Cunha”, resume Joás Ferreira, e é exatamente essa vitalidade que precisa ser preservada para que o “ouro da serra” siga sustentando famílias e impulsionando uma das cidades mais singulares do interior paulista.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

Via: G1

Conteúdo Relacionado

gaiola de bruxa

Gaiola-de-bruxa: um cogumelo que encanta e surpreende com sua aparência e funcionalidade.

by Derick Machado
11 de dezembro de 2024
0

Entre a serrapilheira úmida das florestas, o Clathrus ruber, conhecido como gaiola-de-bruxa, surge como uma...

Murici: a fruta brasileira que supera a banana em proteínas e é campeã em vitamina C

Murici: a fruta brasileira que supera a banana em proteínas e é campeã em vitamina C

by Derick Machado
8 de agosto de 2025
0

Entre as inúmeras frutas que compõem a biodiversidade do Brasil, o murici desponta como uma...

Brasil vai exportar aves vivas aos Emirados Árabes pela primeira vez

Brasil vai exportar aves vivas aos Emirados Árabes pela primeira vez

by Derick Machado
26 de agosto de 2025
0

O Brasil acaba de conquistar mais uma abertura estratégica no cenário internacional: a autorização para...

  • Politica de Privacidade
  • Contato
  • Politica de ética
  • Politica de verificação dos fatos
  • Politica editorial
  • Quem somos | Sobre nós
  • Termos de uso
  • Expediente

© 2023 - 2025 Agronamidia

No Result
View All Result
  • Noticias
  • Mundo Agro
  • Pecuaria
  • Natureza
  • Jardinagem
    • Plantas da Mel
  • Releases
  • Stories

© 2023 - 2025 Agronamidia

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência e navegação. Politica de Privacidade.