Trabalho com flores há mais de uma década aqui em Curitiba, e posso dizer com segurança: a onze horas é uma das plantas que mais me encanta. Não apenas pela delicadeza, mas por sua personalidade, sabendo exatamente o que quer. E quando você oferece isso, ela responde com uma explosão de cor que para qualquer jardim.
O nome popular já entrega o primeiro segredo: sua flor abre perto das onze da manhã e fecha no fim da tarde. Esse ciclo não é por acaso, já que ela foi feita para o sol pleno. E um dos erros mais comuns que observo entre a maioria dos clientes que chegam aqui na Mel Garden, é o cultivo da onze horas ambientes sombreados, dizendo que a planta “não floresce”.
Sol pleno não é negociável
Aqui no sul do Brasil, especialmente em Curitiba, é bastante comum os dias serem mais fechados, com pouca presença do sol. Por isso, eu sempre oriento: escolha o ponto mais ensolarado do seu jardim ou varanda, onde a sua onze horas possa receber a iluminação direta do sol por um tempo mínimo de seis horas.
De preferência, o sol da manhã até o início da tarde, que é o mais intenso e favorece a abertura das flores.
O solo precisa ser leve e bem drenado
Por ser uma suculenta, a planta onze horas armazena água em suas folhas e não tolera o excesso de água em suas regas. Um solo pesado, argiloso ou que retém muita umidade vai apodrecer as raízes antes mesmo de você perceber. Aliás, esse é o segundo motivo mais comum pelo qual a planta morre sem florescer.
Na Mel Garden, a mistura que uso e recomendo para meus clientes é terra vegetal com areia grossa e um pouco de perlita, na proporção de dois para um. Essa combinação garante leveza, drenagem rápida e aeração suficiente para as raízes se desenvolverem com saúde. Em vasos, o furo no fundo precisa estar desobstruído. Sem drenagem, não tem jeito.
Canteiro, vaso ou jardim suspenso?
As três opções funcionam, desde que o sol esteja garantido. Contudo, cada formato tem suas particularidades. Em canteiros no chão, a onze horas se espalha com facilidade e forma tapetes coloridos lindíssimos. É uma das minhas formas favoritas de usá-la em projetos de paisagismo aqui na floricultura, especialmente em bordas de jardim, muretas baixas e áreas de passagem com bastante exposição solar.
Em vasos, o controle é maior. Você pode posicionar e reposicionar conforme a estação, o que é uma vantagem enorme para quem mora em apartamento ou tem um jardim pequeno. Use vasos rasos e largos, que reproduzem melhor o ambiente natural da planta, com raízes espalhadas horizontalmente.
Jardins suspensos e jardineiras de muro são outra opção que adoro. A onze horas cai de forma graciosa pelas bordas, e o efeito visual é impressionante quando a floração está plena. Além disso, a altura favorece a exposição ao sol, que em muros e cercas costuma ser mais intensa.
Curitiba tem sol, mas também tem o friozinho
Moro e trabalho aqui há anos, então sei que essa pergunta sempre aparece: e no inverno e em dias de frio intenso, como fica? A onze horas é resistente, mas o frio intenso reduz a floração. Aqui no Paraná, nos meses mais frios, ela costuma entrar em repouso parcial. Não morre, mas floresce menos. Por isso, uso essa planta principalmente em composições de primavera e verão, quando ela mostra todo o seu potencial.
Se você estiver em regiões mais quentes, como o interior de São Paulo, Minas Gerais, Nordeste ou Centro-Oeste, a onze horas vai florescer praticamente o ano inteiro, já que o calor é aliado dela. Assim a floração será constante, suas cores serão mais intensas e a planta irá crescer com muito mais vigor.
A rega que muita gente erra
Por ser uma suculenta, a onze horas aguenta períodos sem chuva com facilidade. O erro mais comum que vejo é regar em excesso achando que a planta vai crescer mais rápido (É, não vai). Muito pelo contrário, ela vai apodrecer! Por isso, a rega deve ser feita apenas quando o solo estiver completamente seco. Já em dias mm dias de chuva frequente, você nem precisa se preocupar em regar.
Em vasos, a frequência varia conforme o clima. Aqui em Curitiba, principalmente no verão e em dias mais quentes, eu rego a cada três ou quatro dias. No inverno e em dias mais frios, uma vez por semana já é suficiente. O truque que ensino para todos os clientes é simples: coloque o dedo na terra e sinta a umidade do solo.. se ainda estiver úmido, espere. Se estiver seco, pode regar.
Vale misturar cores?
Sim, e muito. A onze horas vem em tons de rosa, laranja, amarelo, branco, vermelho e lilás. Uma das composições que mais gosto de montar aqui na Mel Garden é o canteiro com três ou quatro cores diferentes, plantadas em blocos ou de forma intercalada.
O efeito, quando todas florescem ao mesmo tempo sob o sol do meio-dia, é simplesmente bonito demais. A dica é agrupar cores complementares, como o laranja com amarelo que tem um calor visual incrível. Ou o rosa com branco, que fica ainda mais delicado.
Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.