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Pangeia Biotech avança no desenvolvimento de cana geneticamente modificada
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A biotecnologia aplicada à cana-de-açúcar brasileira acaba de dar um passo estratégico. A Pangeia Biotech Pesquisa e Desenvolvimento Ltda. foi oficialmente licenciada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) para utilizar o germoplasma proprietário RB no desenvolvimento de variedades geneticamente modificadas. A formalização do contrato, publicada no Diário Oficial da União em 29 de janeiro de 2026, consolida uma etapa decisiva para a integração entre pesquisa acadêmica e inovação privada no setor sucroenergético.
O germoplasma RB, desenvolvido ao longo de décadas pelo programa de melhoramento da UFV em parceria com a Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (RIDESA), é reconhecido pela ampla adaptação às condições edafoclimáticas brasileiras. Por isso, a incorporação de eventos transgênicos sobre essa base genética reduz incertezas agronômicas e acelera o potencial de adoção comercial.
Atualmente, encontram-se em fase de experimentação eventos elite das variedades RB867515 e RB127825. Ambas receberam dois genes Bt voltados ao controle de brocas — uma das principais pragas da cultura — além de um gene de tolerância ao glifosato. Essa combinação tecnológica tende a impactar diretamente o manejo integrado, uma vez que a redução de perdas por ataque de lepidópteros pode elevar o rendimento industrial e diminuir a necessidade de aplicações inseticidas ao longo do ciclo.
Além disso, a tolerância ao glifosato amplia a flexibilidade no controle de plantas daninhas, especialmente em estágios iniciais da lavoura, quando a competição por luz e nutrientes compromete o perfilhamento e o acúmulo de biomassa. Sob essa ótica, o pacote tecnológico busca não apenas proteção fitossanitária, mas também eficiência operacional e redução de custos indiretos.
Segundo Paulo de Lucca, diretor da Pangeia Biotech, o licenciamento representa um movimento estruturante para o setor. “Trata-se de um passo estruturante para o avanço da biotecnologia aplicada à cana-de-açúcar no Brasil, com base em germoplasma amplamente adaptado e validado em campo”, afirma. A declaração reforça a estratégia de trabalhar sobre materiais que já possuem histórico agronômico consolidado, diminuindo riscos associados à variabilidade de desempenho regional.
Entretanto, o avanço tecnológico não se limita à fase experimental. A companhia informa que entrou no estágio de ampliação da experimentação em campo, ao mesmo tempo em que estrutura o processo de desregulamentação junto à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Esse movimento é decisivo, pois a aprovação regulatória determinará o cronograma de entrada no mercado e a viabilidade comercial da tecnologia.
Paralelamente, a empresa organiza um grupo restrito de usinas parceiras interessadas em cofinanciar essa etapa estratégica. Essa modelagem colaborativa sinaliza que o desenvolvimento não ocorre de forma isolada, mas conectado às demandas reais do setor produtivo. As usinas participantes terão acesso preferencial aos materiais desenvolvidos e poderão integrar as estratégias futuras de licenciamento e adoção comercial.
Dessa forma, a iniciativa aproxima pesquisa genética, validação agronômica e interesse industrial em um mesmo eixo. Em um cenário no qual a canavicultura enfrenta pressão por maior produtividade, redução de custos e sustentabilidade operacional, o uso de eventos Bt combinados à tolerância a herbicidas pode redefinir parâmetros de manejo, especialmente em regiões com alta incidência de broca e histórico de perdas recorrentes.
Assim, o licenciamento do germoplasma RB não é apenas um ato administrativo. Ele sinaliza um reposicionamento da biotecnologia na cultura da cana, conectando tradição genética consolidada à engenharia molecular contemporânea — um movimento que, se validado em larga escala, pode alterar a dinâmica competitiva do setor sucroenergético brasileiro.
Fonte: revistarpanews
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