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Paraná oficializa Rota da Uva & Vinho com redução de imposto e aposta no turismo como motor de receita
Estado articula desoneração tributária, certifica produtores e transforma viticultura em vetor econômico baseado na memória das colônias italianas
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O Memorial de Curitiba recebeu no dia 24 de fevereiro o lançamento oficial da Rota Uva & Vinho do Paraná, com a presença do governador em exercício Darci Piana, do secretário da Agricultura Márcio Nunes, do presidente do Sistema FAEP Ágide Eduardo Meneguette e do diretor-presidente do IDR-Paraná Natalino Avance de Souza. O evento marcou a consolidação de um trabalho que começou em 2019 com o programa Revitis e agora ganha escala como política pública integrada ao desenvolvimento rural.
A novidade mais concreta veio da tribuna. Piana anunciou que o Estado conseguiu reduzir a carga de ICMS sobre os vinhos produzidos no Paraná de 28% para 18%, equiparando a competitividade com outras regiões produtoras. “O vinho do Paraná tinha um imposto igual ao vinho importado. Então fomos até o governador Ratinho Junior, que concordou em reduzirmos de 28% para 18%”, afirmou o governador em exercício. A medida desafoga a margem dos produtores e melhora a competitividade na gôndola.
Os números da viticultura paranaense justificam a atenção. São 3,2 mil hectares ocupados com parreirais, produção de 45,8 mil toneladas e Valor Bruto da Produção de R$ 323 milhões, segundo dados da Seab. Mas o diferencial está na forma como esse volume vira receita: cerca de 70% das vinícolas do Estado comercializam seus vinhos diretamente via enoturismo. Aqui, a porteira não é só passagem. É ponto de venda.
Ágide Meneguette, do Sistema FAEP, reforçou que a cadeia vai além da produção primária. “O agro vai muito além da produção. É cultura, diversidade, identidade, turismo e desenvolvimento. Isso mostra a força, a pujança e o espaço que isso tem. Nada mais justo que botarmos isso na vitrine, não do Paraná, mas na vitrine do Brasil”, disse o presidente da entidade. A fala traduz o momento: o vinho paranaense quer disputar espaço no mercado nacional com argumento de origem e experiência, assim como fazem Serra Gaúcha e Vale do São Francisco.
Márcio Nunes destacou a evolução do projeto desde 2019, quando o Revitis foi lançado com quatro pilares: incentivo à produção, reorganização da comercialização, apoio à agroindústria e desenvolvimento do turismo. “As coisas vão mudando, o projeto foi lançado em 2019, foi crescendo e sendo construído. Ao longo de tudo isso, novas iniciativas surgiram. Mas tudo isso voltado para o principal, que é melhorar a renda do produtor rural e criar novos negócios”, afirmou o secretário. A rota turística é justamente a materialização do quarto eixo, costurando assistência técnica do IDR-Paraná, fomento da Seab e apoio do Sistema FAEP.
Natalino Avance de Souza, do IDR-Paraná, definiu o lançamento como momento histórico. “A Rota Uva & Vinho do Paraná consolida o enoturismo como política pública integrada ao desenvolvimento rural do nosso Estado. É um momento histórico, nascido da ousadia do programa lançado em 2019, do desafio de a gente retomar uma cultura que fez parte da formação do nosso Estado”, declarou o diretor-presidente.
O que separa a Rota Uva & Vinho do Paraná de outros circuitos comerciais é o apelo de memória. Sidney Valeriano, coordenador estadual de Turismo Rural do IDR-Paraná, explica que o diferencial está nas histórias das colônias italianas que colonizaram o Estado. “A colonização italiana é forte e traz essa cultura do vinho e da uva. É memória afetiva: a pisa da uva, as cucas com a fruta como ponto central, o café colonial. É um apelo cultural verdadeiro, que vem de uma ancestralidade que essas comunidades vivenciaram a vida inteira”, detalha Valeriano. O turista procura experiência, portanto a rota oferece tradição enraizada no território.
Durante o evento, os produtores participantes receberam certificado atestando que seus empreendimentos foram cadastrados, avaliados e passam a integrar oficialmente a Rota da Uva & Vinho do Paraná. A organização coletiva fortalece a divulgação e facilita o acesso do visitante aos pontos da cadeia produtiva. Sozinho, o produtor faz vinho. Organizado em rota, ele gera destino turístico.
A estruturação em rede amplia o alcance e agrega valor ao produto final. A experiência turística eleva a margem de comercialização e contribui diretamente para o aumento da renda nas propriedades. Além disso, a visitação gera demanda por serviços complementares: hospedagem, gastronomia, artesanato e eventos temáticos. O efeito multiplicador é evidente nas regiões onde o enoturismo já amadureceu como modelo de negócio.
O Revitis segue como espinha dorsal do setor. Criado em 2019, o programa conecta assistência técnica, fomento estadual e apoio institucional para consolidar o Paraná como referência em viticultura e enoturismo. Valeriano resume a meta: “Nosso objetivo principal é que o produtor tenha renda, que o turismo rural gere resultados. Queremos consolidar o Paraná como referência em viticultura e enoturismo, com representatividade no país e até fora dele”.
A redução tributária, a organização em rota certificada e a conexão com a memória cultural das colônias formam um tripé que pode reposicionar o vinho paranaense no mercado. O Estado aposta que o mix entre produto, história e experiência vai sustentar a expansão do setor nos próximos anos.
Fonte: Sistema Faep
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