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Pecuaria

Pecuária de corte mira produtividade real: programa da USP une genômica e gestão para acelerar ganhos no campo

Estrutura combina pesquisa científica e análise de dados para transformar seleção animal em estratégia econômica.

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Pecuária de corte mira produtividade real: programa da USP une genômica e gestão para acelerar ganhos no campo

A Universidade de São Paulo decidiu atacar um dos pontos mais sensíveis da pecuária brasileira: a eficiência do rebanho porteira para dentro. O Grupo de Melhoramento Animal e Biotecnologia (Gmab) lança o Programa de Genética e Melhoramento Animal (GMA) com um objetivo claro — transformar informação genética em resultado econômico.

O programa nasce com suporte técnico da CTAG NextGen, especializada em tratamento de dados, e respaldo científico da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA/USP), em Piracicaba. A proposta é simples na teoria, mas complexa na execução: integrar genética, produção, indústria e mercado dentro de um mesmo modelo analítico.

A coleta de dados de pedigree e informações produtivas já começou e a primeira avaliação genômica oficial está em andamento. O lançamento formal ocorre durante a Femec, em Uberlândia, evento que movimentou mais de R$ 2,7 bilhões em negócios neste ano. A escolha do palco não é casual. O público ali decide investimento.

A genética como ferramenta de gestão

A pecuária moderna já não sobrevive apenas de volume. Ela depende de margem, eficiência alimentar e velocidade de giro do capital. Sob essa ótica, o programa da USP tenta sair da teoria acadêmica e entrar no fluxo real das fazendas.

O professor Fernando Baldi, vice-presidente do Gmab, deixa claro que a proposta é unir ciência e agilidade. “Nossa missão é profissionalizar a gestão da cadeia da carne por meio de uma estrutura dinâmica e orientada à inovação. Unimos décadas de experiência em genômica e eficiência alimentar para entregar soluções que aumentam a produtividade e garantem a viabilidade do negócio nos trópicos.”

A mensagem é direta. Não basta ter boa genética no papel. É preciso converter isso em arrobas por hectare e dias a menos no confinamento.

Eficiência alimentar passa a pesar mais no bolso

O programa pretende realizar avaliações genéticas e genômicas integradas para características que impactam diretamente o caixa da fazenda: crescimento, precocidade sexual, longevidade, capacidade materna, qualidade de carcaça e, principalmente, eficiência alimentar.

Em um cenário de custo elevado de ração e pressão sobre o preço disponível da arroba, cada ponto percentual de ganho em conversão alimentar muda o resultado final. Se o animal consome menos para ganhar o mesmo peso, a margem cresce. Se entra mais cedo na terminação, o ciclo encurta. Capital gira mais rápido.

Além disso, o programa promete desenvolver índices bioeconômicos ajustados à realidade de cada sistema produtivo, seja rebanho registrado ou comercial. Isso significa sair do índice genético genérico e entrar em um indicador que conversa com o mix de produção da propriedade.

Dados deixam de ser planilha e viram estratégia

A integração com uma empresa especializada em análise de dados indica uma mudança de postura. Não se trata apenas de avaliar touros, mas de construir cenários produtivos.

Muitos produtores já investem em genética, mas poucos conectam essa escolha com indicadores financeiros claros. Ao ajustar índices ao retorno global do sistema, o programa tende a traduzir DEP e marcadores genômicos em impacto real na margem.

E agora?

Se o modelo ganhar adesão, pode acelerar a profissionalização da pecuária de corte brasileira, especialmente em regiões onde a pressão por produtividade é maior e a margem está cada vez mais apertada. A genética, nesse caso, deixa de ser apenas diferencial técnico e passa a ser instrumento de gestão estratégica.

Quem acompanhar os primeiros resultados genômicos deverá observar um movimento importante: a valorização de animais que entregam desempenho consistente e eficiência alimentar comprovada.

Fonte: Globo Rural

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