O Espírito Santo passou a contar com uma metodologia própria para avaliar e qualificar a sustentabilidade da pecuária leiteira. O “Currículo Mínimo de Sustentabilidade da Pecuária Leiteira Capixaba”, lançado em Vitória, reúne indicadores e diretrizes técnicas que vão orientar produtores e extensionistas rurais na análise das propriedades, com foco em eficiência produtiva, competitividade e gestão ambiental. A iniciativa é inédita no estado e representa uma virada na forma como o setor leiteiro capixaba organiza e monitora seus sistemas de produção.
A ferramenta foi desenvolvida pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e com o apoio do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Campus Santa Teresa. O trabalho consolidou uma base técnica comum entre instituições que atuam diretamente na cadeia produtiva do leite, o que fortalece a coerência das ações de assistência técnica e extensão rural (Ater) em todo o estado.
Diagnóstico que vai além da produtividade
A estrutura do currículo está organizada em três eixos — econômico, social e ambiental — que permitem um levantamento completo das condições de cada propriedade. A partir desse diagnóstico, produtores e técnicos conseguem identificar pontos de melhoria e tomar decisões com base em dados concretos, e não apenas por percepção empírica. O caráter orientativo da ferramenta é justamente o que a diferencia de outras iniciativas já existentes: ela não impõe um padrão único, mas considera a complexidade e as particularidades de cada sistema produtivo.
Para o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o lançamento do currículo representa um alinhamento direto entre política pública e realidade do campo. “Estamos entregando uma ferramenta estratégica que vai orientar o produtor rural na tomada de decisões, promovendo uma pecuária mais eficiente, competitiva e sustentável. Esse currículo integra conhecimento técnico e políticas públicas para garantir mais produtividade, renda e qualidade de vida no campo”, destacou.
Sustentabilidade inserida na rotina do extensionista
Um dos pontos centrais do currículo é sua integração direta ao trabalho de Ater. Ao incorporar o componente da sustentabilidade à rotina do extensionista, a ferramenta qualifica o serviço prestado ao produtor e permite um acompanhamento mais preciso dos indicadores ao longo do tempo. Consequentemente, a assistência técnica passa a ter um protocolo mais robusto, com critérios claros para avaliar a evolução das propriedades entre uma visita e outra.
O diretor técnico do Incaper, Antonio Elias Souza da Silva, reforça o sentido prático da iniciativa. “O currículo de sustentabilidade da bovinocultura é uma ação pensada para orientar, de fato, a adoção de práticas sustentáveis nas propriedades e, consequentemente, em toda a cadeia produtiva do leite no Espírito Santo. Ao ser incorporado ao trabalho de Ater, também contribui para qualificar esses serviços, inserindo o componente da sustentabilidade na rotina do extensionista e permitindo o acompanhamento mais preciso dos indicadores das propriedades”, afirmou.
Uma nova fase para a cadeia do leite no ES
O lançamento do currículo abre uma etapa de implementação em escala estadual, com previsão de investimentos para ampliar sua aplicação nas diferentes regiões do Espírito Santo. A expectativa é que, à medida que mais propriedades sejam avaliadas, seja possível construir um panorama regional da sustentabilidade da pecuária leiteira capixaba — um dado estratégico tanto para orientar políticas públicas quanto para posicionar o estado em mercados que valorizam rastreabilidade e produção responsável.
O coordenador do programa pelo Incaper, Bernardo Mello, projeta os efeitos da ferramenta no campo. “A expectativa é que a iniciativa gere impactos diretos na eficiência produtiva das propriedades, amplie a escala de aplicação do modelo e promova maior prosperidade para os produtores, com geração de renda e valorização da atividade leiteira”, completou.
A pecuária leiteira representa uma das principais atividades agropecuárias do Espírito Santo, com forte presença em regiões de agricultura familiar. Contar com um instrumento técnico que avalie a sustentabilidade de forma integrada — considerando ao mesmo tempo os resultados econômicos, as condições sociais das famílias produtoras e o impacto ambiental das práticas adotadas — coloca o estado em posição diferenciada no cenário nacional do setor leiteiro. A partir dessa base, a tendência é que o currículo se torne referência não apenas para os produtores capixabas, mas para outros estados que buscam estruturar políticas semelhantes para a bovinocultura de leite.


