Pecuaria
Adapar endurece regras sanitárias e restringe trânsito de bovinos no Paraná
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Por
Claudio P. Filla
A intensificação das medidas sanitárias no Paraná marca um novo momento no enfrentamento da brucelose e da tuberculose bovina. Com a publicação de uma nova portaria, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) estabelece regras mais rígidas para a movimentação de bovinos e búfalos oriundos de propriedades com registros confirmados dessas doenças. A iniciativa surge como resposta direta aos riscos sanitários persistentes e à necessidade de conter a disseminação silenciosa de enfermidades que afetam tanto a pecuária quanto a saúde pública.
Além de impactarem a produtividade dos rebanhos, a brucelose e a tuberculose bovina são zoonoses, o que amplia a preocupação das autoridades sanitárias. Por isso, o novo regulamento busca fechar brechas que, até então, permitiam a circulação de animais potencialmente infectados mesmo após exames considerados negativos.
Restrição total até a conclusão do saneamento
A Portaria nº 013/2026 determina que propriedades enquadradas como foco das doenças ficam impedidas de movimentar animais vivos, independentemente do resultado individual dos testes, até que todo o processo de saneamento sanitário seja concluído. A única exceção prevista é o envio direto para abate imediato, medida considerada segura dentro dos protocolos oficiais.
De acordo com a Adapar, a conclusão do saneamento somente ocorre após o cumprimento integral de todas as exigências sanitárias, incluindo a realização de exames com resultado negativo em todos os animais elegíveis do rebanho. “Portanto, não é permitido vender, doar ou transferir animais vivos dessas propriedades mesmo com exames negativos”, explica a chefe da Divisão de Brucelose e Tuberculose da Agência, Marta Freitas.
Essa abordagem mais rigorosa se justifica pela própria natureza das doenças, que podem permanecer ocultas por longos períodos, dificultando sua detecção precoce.
Doenças silenciosas exigem vigilância ampliada
Um dos principais desafios no combate à brucelose e à tuberculose bovina é o caráter silencioso das infecções. Animais aparentemente saudáveis podem carregar os agentes causadores sem apresentar sinais clínicos evidentes, o que aumenta o risco de disseminação involuntária dentro e fora das propriedades.
Segundo Marta Freitas, mesmo os testes laboratoriais possuem limitações. Em fases iniciais da infecção, é possível a ocorrência de resultados falso-negativos, além de falhas associadas a fatores como estresse animal, manejo inadequado, contenção deficiente ou condições técnicas do exame. “Diante desses riscos, a adoção de maior rigor no controle do trânsito de animais é uma medida preventiva e necessária para evitar a propagação silenciosa das doenças”, ressalta.
Nesse contexto, a restrição da movimentação se consolida como uma ferramenta estratégica para proteger produtores que adquiririam animais aparentemente sadios, mas ainda em fase de incubação das enfermidades.
Rastreabilidade e educação sanitária ganham protagonismo
Além do bloqueio ao trânsito de animais, a nova portaria reforça outras frentes de atuação da Adapar. A Agência mantém ações contínuas de educação sanitária, orientando produtores rurais e profissionais que atuam diretamente nos programas de controle. Paralelamente, avança no investimento em rastreabilidade, com foco na identificação individual dos animais, medida considerada essencial para o monitoramento eficaz dos rebanhos.
Essas diretrizes dialogam com normas já instituídas no Estado desde 2020, como a Portaria nº 157, que vem sendo aprimorada ao longo dos anos. O alinhamento entre fiscalização, rastreamento e conscientização busca fortalecer a capacidade de resposta diante de novos focos.
Resultados recentes e desafios persistentes
Os dados mais recentes indicam avanços importantes, mas também revelam que o trabalho precisa ser contínuo. Em 2025, o Paraná registrou uma redução de 17% nos focos de brucelose bovina em comparação a 2024. Por outro lado, houve um aumento de 4,5% nos focos de tuberculose bovina, cenário que, segundo a Adapar, reflete uma ampliação da capacidade de detecção e o planejamento de ações mais direcionadas.
O diretor de Defesa Agropecuária da Agência, Renato Rezende Young Blood, destaca que as medidas adotadas fortalecem a segurança sanitária do Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, afirma.
Compromisso contínuo com a sanidade agropecuária
Apesar dos avanços, a presença das doenças em diferentes regiões do Paraná mantém o alerta ativo. O chefe do Departamento de Saúde Animal (Desa), Rafael Gonçalves Dias, observa que a redução de focos representa um passo relevante, mas não definitivo. “Embora as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças”, afirma.
Dessa forma, a nova portaria da Adapar se insere em um conjunto mais amplo de políticas públicas voltadas à sanidade animal, à sustentabilidade da pecuária e à proteção da saúde da população, reforçando o papel do Paraná como referência nacional em controle sanitário agropecuário.
Fonte: AEN

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