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Agro

Plantio da safrinha 2026 acumula atraso de quase 18 pontos percentuais frente à safra anterior

Mato Grosso lidera com 54,9% da área cultivada, enquanto Minas Gerais mal saiu do zero

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Plantio da safrinha 2026 acumula atraso de quase 18 pontos percentuais frente à safra anterior

O milho safrinha 2026 está perdendo tempo. Até o dia 20 de fevereiro, apenas 36,6% da área estimada de 15,671 milhões de hectares havia sido semeada no Centro-Sul do Brasil, segundo levantamento da Safras & Mercado. O número não assusta sozinho, mas quando colocado ao lado dos 54,1% registrados no mesmo período da safrinha 2025, o atraso fica evidente. A média dos últimos cinco anos para esta janela é de 38%, e o ritmo atual está abaixo até desse referencial histórico.

No agronegócio brasileiro, safrinha atrasada é sinal de atenção redobrada. O milho de segunda safra depende de uma janela de plantio estreita, condicionada pelo calendário da soja e pelas chuvas de verão que ainda precisam sustentar o desenvolvimento inicial da cultura. Sair dessa janela significa exposição maior ao estresse hídrico durante o enchimento de grãos, o que compromete diretamente a produtividade por hectare e, consequentemente, o retorno porteira para dentro.

Mato Grosso puxa o ritmo, mas não salva o agregado

O estado que mais avançou é Mato Grosso, com 54,9% dos seus 7,371 milhões de hectares já cultivados. O desempenho reflete o calendário mais cedo da soja no estado, que libera as máquinas para a safrinha antes dos demais. O Paraná aparece em segundo lugar, com 37,9% dos 2,306 milhões de hectares semeados, sustentado pela tradição do estado na produção de milho safrinha e pela logística mais consolidada.

O cenário muda de figura quando a análise chega ao Centro-Oeste mais periférico. Goiás registra apenas 16,1% dos 2,428 milhões de hectares estimados, e Mato Grosso do Sul aparece com 15,6% sobre 2,256 milhões de hectares. Nesses dois estados, o ritmo está claramente aquém do necessário para um ciclo produtivo confortável. São Paulo, com menor área projetada de 533 mil hectares, soma 12,5% de avanço. Já Minas Gerais, com 777 mil hectares estimados, registra apenas 0,3% semeado. O estado praticamente não começou.

Matopiba também patina

Na região do Matopiba, o plantio chega a 0,6% da área estimada de 1,346 milhão de hectares, número muito abaixo dos 6,3% observados no mesmo intervalo da safrinha 2025. O Tocantins lidera a região, com 1,4% dos 372 mil hectares semeados. Bahia e Piauí empatam em 0,6%, sobre áreas de 190 mil e 216 mil hectares, respectivamente. O Maranhão fecha o quadro com 0,2% dos 567 mil hectares projetados.

A região do Matopiba vem ganhando relevância no mapa do milho safrinha nos últimos anos, mas os números desta semana mostram que o arranque ainda não aconteceu. O avanço vai depender do ritmo de colheita da soja nos próximos dias e das condições climáticas que abrem espaço para a entrada das máquinas.

A janela não espera

O atraso acumulado até aqui não é irreversível, mas o tempo começa a pesar. As próximas semanas serão determinantes para definir se o ciclo 2026 consegue recuperar parte do terreno perdido ou se o setor vai fechar a janela de plantio com áreas relevantes fora do período ideal. Produtores e analistas de mercado acompanham de perto as previsões climáticas para o Centro-Oeste e Norte do Paraná, regiões que ainda têm volume expressivo de área a semear. Qualquer instabilidade adicional nas chuvas pode transformar o atraso atual em problema real de produção no segundo semestre.

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