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Por que as cigarras cantam? O que diz a ciência sobre esse fenômeno sonoro da natureza

Especialista explica que o som está ligado à maturidade do inseto, não à previsão do tempo

by Derick Machado
16 de outubro de 2025
in Natureza
Por que as cigarras cantam? O que diz a ciência sobre esse fenômeno sonoro da natureza

⚠️ Nota de contexto científico:
As explicações apresentadas são baseadas em estudos e observações científicas e visam desmistificar crenças populares. A intensidade e o momento do canto das cigarras dependem de variáveis ambientais (temperatura, umidade, local) e podem variar conforme espécie e bioma.
O artigo não pretende prever fenômenos climáticos ou garantir efeitos iguais em todas as regiões.

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Resumo

A crença popular de que cigarras anunciam a chuva está equivocada. O som que ouvimos é, na verdade, o sinal de que o inseto está entrando na fase adulta — um fenômeno biológico desencadeado por alterações no ambiente.
As mudanças de temperatura e umidade ativam hormônios específicos nas cigarras, levando-as a cantar não por prever o tempo, mas porque estão prontas para se reproduzir.
Só os machos cantam — e por um motivo fascinante: o objetivo é atrair as fêmeas. Para isso, contam com 11 órgãos cimbálicos que produzem um som tão potente quanto o de uma britadeira.
A reprodução acontece na estação chuvosa, porque é quando há mais alimento e condições favoráveis. Mas isso não quer dizer que a cigarra antecipa a chuva — ela apenas segue os sinais do seu ecossistema.
Ouvir cigarras é testemunhar um espetáculo natural de sobrevivência. Mais do que uma trilha sonora dos dias quentes, o canto representa a maturidade e o ciclo reprodutivo desses incríveis insetos.

O som estridente que invade a paisagem nos dias quentes costuma ser interpretado como sinal de que a chuva está próxima. O mito atravessa gerações e continua ecoando entre os galhos. Entretanto, a verdade por trás da sinfonia das cigarras é muito mais fascinante — e científica — do que a crença popular permite supor. O canto que se ouve é, na realidade, uma resposta fisiológica à transformação do inseto rumo à maturidade, conforme revela o professor de Ciências Biológicas do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Fabrício Escarlate.

A explicação passa pelo funcionamento hormonal desses animais. Quando o ambiente indica o início do período chuvoso, com mudanças sutis na temperatura e umidade, o sistema nervoso da cigarra capta esses sinais e desencadeia alterações hormonais profundas. “O sistema nervoso das cigarras interpreta essa mudança e estimula a transição para a fase adulta. Isso ocorre por meio dos hormônios da muda e o juvenil, que regulam essa transformação”, explica Escarlate. Assim, o canto não prevê a chuva — ele ocorre porque o inseto está biologicamente programado para responder às condições que anunciam a chegada da estação úmida.

Essa resposta natural está diretamente relacionada à reprodução. Em regiões com sazonalidade marcada, como o Cerrado brasileiro, o ciclo de vida das cigarras se ajusta à abundância de recursos disponíveis no período das chuvas. “A reprodução coincide com a estação chuvosa. A relação entre cigarras e chuva pode variar em diferentes regiões e biomas, dependendo das condições ambientais específicas”, pontua o biólogo.

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UM CANTO PARA CONQUISTAR: A ORQUESTRA DOS MACHOS NA BUSCA POR FÊMEAS

Embora todas as cigarras passem pela mesma transição vital, são os machos os responsáveis por preencher o ar com seus cantos vigorosos. E não se trata de um som qualquer. Segundo Escarlate, o ruído é produzido por 11 órgãos localizados no abdômen, conhecidos como órgãos cimbálicos. Eles funcionam como verdadeiras caixas de ressonância biológica, emitindo um som que pode ultrapassar 120 decibéis — nível comparável ao de uma britadeira ou a um show de rock.

O objetivo é claro: atrair fêmeas para o acasalamento. Quanto mais potente e ritmado o canto, maiores as chances de sucesso reprodutivo. É uma espécie de disputa acústica, onde vence quem ressoa mais forte no ambiente. Trata-se, portanto, de uma sofisticada estratégia evolutiva. A sinfonia que tantas vezes é vista apenas como barulhenta é, na verdade, um refinado ritual de sedução natural.

A CIÊNCIA DESFAZ O MITO: CIGARRAS NÃO “PREVEEM” A CHUVA

É compreensível que o início dos cantos coincida com as primeiras pancadas de verão. Contudo, Escarlate é enfático ao afirmar que as cigarras não têm qualquer habilidade meteorológica. “Elas não estão percebendo a chuva, mas sim respondendo às mudanças ambientais”, esclarece. Ou seja, é o ambiente que muda primeiro — e a cigarra, como parte integrante do ecossistema, apenas acompanha esse movimento.

Na prática, a crença popular se desenvolveu a partir da coincidência recorrente entre o som das cigarras e o início das chuvas, especialmente em regiões onde esses dois fenômenos estão interligados pelo ritmo da natureza. No entanto, agora se sabe que o som não antecipa o tempo, mas anuncia o amadurecimento e a urgência da reprodução.

OUVIR COM NOVOS OUVIDOS

Na próxima vez que o som das cigarras ecoar no entardecer abafado, é possível que a percepção seja outra. Em vez de um simples prenúncio da chuva, o que se ouve é a voz da natureza em plena transformação. Cada canto revela o momento exato em que um inseto deixa de ser jovem e se lança, com todas as suas forças, ao desafio de perpetuar sua espécie.

“É mais do que uma melodia: é a história da adaptação desses insetos à sua busca pela sobrevivência”, conclui Fabrício Escarlate, com um convite para escutarmos a floresta com mais atenção — e encantamento.

  • Fabrício Escarlate

    Fabrício Escarlate é professor de Ciências Biológicas no Centro Universitário de Brasília (CEUB) e um pesquisador com foco em zoologia e ecologia, especialmente sobre a fauna do bioma Cerrado, com trabalhos publicados sobre mamíferos, como morcegos, e insetos, como lepidópteros. Seu trabalho abrange a influência de fatores ambientais, como as queimadas, sobre a diversidade de espécies. Além da docência, ele atua como orientador de projetos de iniciação científica e é consultado pela imprensa como especialista para falar sobre temas relacionados à fauna local.

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