Com alta de preço em maio, frango perde vantagem competitiva frente ao suíno e ao bovino

Dados do Cepea revelam inversão de competitividade no atacado paulista; liquidez em queda desde a segunda quinzena pode frear o avanço

Com alta de preço em maio, frango perde vantagem competitiva frente ao suíno e ao bovino

A carne de frango ficou mais cara em maio e, ao mesmo tempo, viu suas principais concorrentes seguirem na direção oposta. Enquanto a proteína avícola acumulava alta, a carne suína recuava e a bovina se mantinha estável no mercado paulista. O resultado prático é uma perda de competitividade relativa do frango, mesmo que ele ainda seja a opção mais acessível entre as três proteínas no atacado.

O levantamento divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) nesta sexta-feira (22) mostra que, no mercado atacadista da Grande São Paulo, o frango inteiro resfriado chegou a R$ 7,31 por quilo na parcial de maio, considerando dados até o dia 20. A alta é de 1,6% em relação à média de abril.

O que está por trás da alta

Dois fatores combinados explicam o movimento de elevação dos preços avícolas neste período. O primeiro é a demanda interna aquecida, que sustentou a procura pelo produto no mercado doméstico. O segundo é o bom desempenho das exportações de produtos de origem avícola, que ao drenar parte da oferta disponível, contribuiu para pressionar levemente os valores praticados no atacado nacional.

Essa combinação de demanda forte com pressão exportadora é um cenário relativamente comum no setor e tende a produzir ajustes pontuais nos preços, sem necessariamente indicar uma mudança estrutural na cadeia avícola.

Sinais de acomodação na segunda quinzena

Apesar da alta acumulada até agora, o mercado já dá sinais de acomodação. A liquidez vem caindo desde o início da segunda quinzena de maio, acompanhada de ajustes negativos nos preços em algumas praças. Se esse comportamento se sustentar até o final do mês, o avanço registrado pode ser parcialmente corroído ou até revertido na comparação mensal definitiva.

É um movimento que vale ser acompanhado de perto, especialmente por compradores e distribuidores que operam com contratos de curto prazo no atacado.

Frango ainda lidera em preço, mas a folga encolheu

Mesmo com a alta de maio, o frango inteiro resfriado segue sendo a proteína mais barata entre as três principais no mercado paulista. No atacado, o produto é comercializado a R$ 1,38 por quilo abaixo da carcaça especial suína e a R$ 7,31 por quilo abaixo da carcaça casada bovina. São diferenças relevantes para o varejo e para o consumidor final, que historicamente migra entre proteínas conforme os preços relativos se movimentam.

O problema, neste momento, é que a direção dos movimentos está desfavorável ao frango. Enquanto a carne avícola subia, o suíno recuava e o bovino se mantinha no lugar. Isso significa que a vantagem competitiva do frango, medida pelo diferencial de preço, diminuiu em maio. Não desapareceu, mas encolheu. E se a tendência de queda na liquidez avícola não for compensada por nova pressão de demanda, a distância pode continuar se reduzindo nas próximas semanas.

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