O greening é, hoje, a ameaça mais severa da citricultura brasileira. Sem cura conhecida e com capacidade de inviabilizar pomares inteiros em poucos anos, a doença avança silenciosamente por meio de um único vetor: o psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri). Controlar esse inseto com precisão e eficiência, portanto, deixou de ser uma escolha técnica e passou a ser uma condição de sobrevivência para o citricultor.
Nesse contexto, estudos conduzidos pelo Centro de Citricultura do Instituto Agronômico (IAC) e pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) trouxeram resultados que reforçam o arsenal disponível para o manejo da praga. Os ensaios avaliaram a eficácia dos ingredientes ativos fenpiroximato, buprofezina e etofenproxi — presentes nos produtos Fujimite®, Fiera® e Trebon®, da Sipcam Nichino Brasil — sobre diferentes estágios de desenvolvimento do psilídeo, incluindo adultos, ninfas e ovos.
Mortalidade acima de 75% já nas aplicações isoladas
Os resultados obtidos pelo IAC indicam que tanto as aplicações isoladas quanto as combinações entre os produtos alcançaram índices de mortalidade entre 75% e 100% do psilídeo, variando conforme a população avaliada e o estágio da praga no momento da aplicação. Esses números, por si só, posicionam os três ativos entre as ferramentas mais eficazes disponíveis atualmente para o controle do Diaphorina citri.
Além da mortalidade de adultos, os estudos avançaram sobre as fases iniciais do inseto — justamente onde o manejo costuma apresentar maior dificuldade. A mortalidade de ovos variou entre 88% e 95%, enquanto o controle de ninfas atingiu índices entre 95,09% e 100%. Esses dados são relevantes porque a eliminação da praga nas fases jovens reduz diretamente o potencial de dispersão do greening no pomar, já que ninfas e adultos jovens são os principais responsáveis pela aquisição e transmissão da bactéria Candidatus Liberibacter asiaticus.
Redução da fertilidade como estratégia de quebra do ciclo
Um dos achados mais expressivos dos ensaios diz respeito ao impacto dos ativos sobre a capacidade reprodutiva das fêmeas adultas. Os estudos apontaram redução de aproximadamente 76% na postura de ovos, dado que representa um avanço significativo na perspectiva do manejo integrado de pragas. Reduzir a fertilidade da população não elimina apenas os indivíduos presentes no momento da aplicação — compromete as gerações seguintes e desacelera a reinfestação do pomar.
Segundo Ian Lucas de Oliveira Rocha, engenheiro agrônomo da área de desenvolvimento de mercado da Sipcam Nichino Brasil, “pesquisas recentes reforçam a importância de atuar nas fases jovens do inseto e também na redução da fertilidade de ovos e fêmeas, como forma de garantir maior sanidade dos pomares.” Para ele, o controle eficiente do psilídeo é condição direta para frear a disseminação do greening nas lavouras citrícolas.
Mecanismos de ação distintos ampliam a eficiência do manejo
Os três ativos avaliados não compartilham o mesmo mecanismo de ação, o que representa uma vantagem técnica relevante dentro de um programa de manejo integrado. O Fiera® (buprofezina) atua como regulador de crescimento de insetos, interferindo no desenvolvimento das ninfas por contato e dificultando a ecdise — processo de muda necessário para que o inseto avance para a fase adulta. Consequentemente, a população jovem é suprimida antes de atingir o estágio em que se torna transmissora ativa do patógeno.
O Fujimite® (fenpiroximato), por sua vez, é amplamente utilizado no controle de ácaros de importância econômica, como o ácaro-da-leprose, e os ensaios confirmaram sua eficácia também sobre o psilídeo. Já o Trebon® (etofenproxi) age por contato com amplo espectro de ação e efeito rápido, sendo indicado para situações em que a resposta imediata à infestação é prioritária.
A rotação e a combinação de produtos com grupos químicos diferentes, além de ampliar a cobertura sobre distintas fases da praga, contribuem para retardar o desenvolvimento de resistência — um risco real em culturas com histórico de aplicações frequentes e de longa data, como é o caso da citricultura paulista.
Monitoramento define o momento certo da aplicação
A eficácia dos produtos, porém, está diretamente condicionada ao momento da aplicação. A recomendação técnica é clara: os inseticidas devem ser utilizados assim que o monitoramento identificar os primeiros indivíduos do psilídeo no pomar, preferencialmente nas brotações novas, que concentram a maior parte da população da praga.
Esperar a infestação se estabelecer reduz a janela de controle e aumenta o risco de transmissão do greening, especialmente em regiões com alta pressão do inseto, como o interior de São Paulo, Minas Gerais e o Nordeste citrícola. O monitoramento sistemático, associado ao uso criterioso dos ativos disponíveis, é o que define a diferença entre um pomar produtivo e um pomar comprometido.
A confirmação da eficácia desses três ingredientes ativos por instituições de referência como o IAC e a Esalq/USP agrega segurança técnica à tomada de decisão do citricultor e do agrônomo responsável. Para um setor que lida há décadas com a pressão do greening sem perspectiva de cura, cada ferramenta validada pela ciência representa uma margem real de proteção para os pomares e para a rentabilidade da atividade.
