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Home Mercado Agro

Safra de cana em Goiás segue desafiadora e mercado reforça foco no etanol, diz Sifaeg

by Derick Machado
6 de fevereiro de 2026
in Mercado Agro
Foto: Neide Makiko/ Embrapa Informática Agropecuária

Foto: Neide Makiko/ Embrapa Informática Agropecuária

A safra de cana-de-açúcar em Goiás avança sob um cenário de cautela técnica e atenção redobrada ao clima. Embora as chuvas registradas em janeiro tenham promovido sinais de recomposição dos canaviais, o ciclo 2026/27 ainda carrega os impactos acumulados da estiagem prolongada ao longo de 2025. A consolidação da produção, entretanto, dependerá do comportamento climático nas próximas semanas.

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O presidente executivo do Sifaeg (Sindicato das Indústrias de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás) e presidente da FIEG, André Rocha, observa que o período seco afetou o desenvolvimento vegetativo da cultura, especialmente pela ausência de precipitações relevantes nos meses de novembro e dezembro. “A safra foi bastante impactada, mas agora estamos tendo uma boa recuperação com as chuvas de janeiro e um clima quente que favorece a cana”, afirmou.

Apesar de o Centro-Sul ter apresentado maior resiliência frente à seca em comparação a outras regiões do país, Goiás também registrou perdas produtivas. Por isso, segundo Rocha, qualquer estimativa mais precisa sobre o volume final ainda depende da consolidação das condições climáticas de fevereiro e março. “Vamos observar o comportamento de fevereiro e março para termos uma avaliação mais clara do tamanho da safra”, destacou.

Atualmente, o Estado opera com um processamento estimado entre 75 e 77 milhões de toneladas de cana, mantendo posição estratégica dentro da matriz energética brasileira. Entretanto, mais do que o volume colhido, o fator decisivo neste momento está na destinação industrial da matéria-prima.

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A queda recente nos preços internacionais do açúcar, pressionados pelo aumento da oferta e pela recomposição dos estoques globais, tende a reforçar uma característica estrutural do parque industrial goiano: sua vocação alcooleira. Aproximadamente 70% da cana processada no Estado é destinada à produção de etanol, proporção que se mantém mesmo quando o açúcar apresenta maior atratividade.

Muitas destilarias não têm capacidade de produzir açúcar, o que faz com que o mix seja estruturalmente mais alcooleiro, explicou Rocha. Essa característica confere previsibilidade ao setor, mas também amplia a dependência do desempenho do mercado doméstico de combustíveis.

Além disso, o avanço do etanol de milho vem redesenhando o perfil produtivo goiano. O Centro-Oeste consolidou-se como polo estratégico dessa matriz, e Goiás desponta como protagonista na expansão das unidades flex e plantas dedicadas exclusivamente ao biocombustível.

“O milho tem sido cada vez mais relevante em Goiás e, com os investimentos anunciados, o estado tende inclusive a alcançar a segunda posição nacional”, afirmou Rocha, sinalizando uma possível superação do Mato Grosso do Sul no ranking de produção.

Esse movimento se apoia não apenas na estrutura industrial já instalada, mas também na dinâmica agrícola regional. O bom desempenho recente das culturas de soja e milho abriu novas possibilidades de reorganização de áreas agrícolas, permitindo maior integração entre grãos e bioenergia. Contudo, o desafio imediato não é apenas produtivo, mas mercadológico.

“Precisamos produzir mais etanol, cerca de três bilhões de litros a mais do que no ano passado, mas isso exige crescimento do consumo e preços que consigam remunerar o produtor”, avaliou o dirigente. Sob essa ótica, a sustentabilidade econômica do ciclo dependerá tanto da demanda interna quanto das políticas de incentivo ao uso de biocombustíveis.

No campo industrial, Goiás mantém uma base estável de aproximadamente 38 unidades produtoras de açúcar e etanol, sendo que cerca de 35 operam regularmente. Para a safra 2026/27, está prevista a entrada de uma nova planta de etanol de milho da Inpasa, em Rio Verde, o que deve ampliar a capacidade de processamento no Estado.

“Devemos ter, ao final de 2026, a entrada de mais uma unidade relevante, o que reforça o crescimento da produção de etanol no estado”, afirmou Rocha. Além dessa iniciativa, grupos como São Martinho e CerradinhoBio seguem expandindo operações, sobretudo no segmento de milho, consolidando o eixo Goiás como centro estratégico da bioenergia.

Entretanto, o horizonte da transição energética vai além do etanol. Projetos de biogás e biometano avançam no Estado, impulsionados por investimentos privados e políticas públicas voltadas à descarbonização. Dados do governo de Goiás indicam que a oferta mensal projetada de biometano pode alcançar 2 milhões de m³ já nos próximos meses, com potencial de atingir 2,2 bilhões de m³ anuais no futuro.

Rocha ressalta que Goiás ocupa posição singular na matriz de energia renovável brasileira, combinando etanol de cana, etanol de milho, biogás, biometano, energia solar e hidrelétrica. “Goiás é um grande gerador de energia limpa e renovável e também um grande consumidor de etanol”, afirmou, lembrando que o combustível representa mais de 40% da matriz de consumo local.

Apesar das oportunidades, desafios estruturais persistem. A escassez de mão de obra qualificada, os custos logísticos elevados no Centro-Oeste e os possíveis impactos da reforma tributária exigem estratégias contínuas de adaptação. Para Rocha, estados produtores com menor densidade populacional precisarão preservar competitividade mesmo diante das mudanças no modelo fiscal.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

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