O Paraná entra na Semana do Meio Ambiente com uma agenda que vai além dos discursos institucionais. Entre segunda-feira (1º) e o fim de junho, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest) e o Instituto Água e Terra (IAT) coordenam ações concretas em diferentes municípios do Estado, com previsão de engajar mais de cinco mil pessoas no plantio de cerca de 5,4 mil mudas de espécies nativas. O ponto de partida é o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado na próxima sexta-feira, dia 5.
A programação foi estruturada para ir além de uma data simbólica. Educação ambiental na escola, trilha sensorial com crianças, mutirão de limpeza em parque estadual, exposição interativa no litoral e até uma troca inusitada — eletrônicos descartados por mudas nativas — compõem um calendário que reúne diferentes públicos em torno de uma mesma intenção: aproximar a sociedade paranaense da natureza de forma prática e duradoura.
Araucárias, pitangas e a lógica da restauração por região
O eixo central da semana é o programa Paraná Mais Verde, que distribui e planta mudas de espécies nativas com base na característica de cada região. Os viveiros do IAT fornecem as plantas, que são doadas de acordo com o bioma e o contexto ecológico local. Entre as espécies disponibilizadas estão a araucária (Araucaria angustifolia), símbolo do Estado, e a pitanga (Eugenia uniflora), típica da Mata Atlântica.
Esse critério de adequação regional não é detalhe técnico — é o que determina se uma muda vai sobreviver e cumprir seu papel ecológico. Plantar fora da zona de ocorrência natural de uma espécie pode comprometer toda a iniciativa de restauração. O programa considera isso desde o planejamento da distribuição.
“O programa Paraná Mais Verde envolve educação ambiental em datas comemorativas com o objetivo de unir a comunidade e trazê-la para mais próximo da natureza, além, claro, de restaurar diferentes áreas do Paraná. É isso que vamos fazer durante a Semana do Meio Ambiente”, explica Alexandre Dal Forno, engenheiro florestal responsável pela divisão de produção de mudas nativas do IAT.
A meta de 5,4 mil mudas plantadas em uma semana, com cinco mil pessoas envolvidas, coloca o Paraná num patamar de mobilização ambiental expressivo para um programa estadual. O alcance geográfico é amplo, cobrindo desde o litoral até o centro-sul do Estado.
Crianças na trilha, estudantes no viveiro e blitz de polinizadores
A educação ambiental ocupa espaço central na programação. Entre segunda (1º) e quarta-feira (3), a agenda percorre municípios da região Centro-Sul do Paraná com atividades voltadas para crianças de 7 a 10 anos. O destaque é uma trilha eco sensorial que utiliza elementos como rochas e solos para aproximar os participantes do ambiente natural de forma tátil e investigativa, um formato que estimula a percepção do ecossistema sem depender de telas ou mediações tecnológicas.
Em Lidianópolis e Ivaporã, no Vale do Ivaí, estudantes visitam um viveiro florestal administrado pelo IAT e participam da campanha “Troque Eletrônicos por Mudas”. A proposta é direta: quem leva um equipamento eletrônico para descarte correto recebe uma muda nativa em troca. O ponto de coleta de lixo eletrônico fica no próprio viveiro, integrando duas pautas ambientais que raramente se encontram: o passivo dos resíduos tecnológicos e a necessidade de ampliar a cobertura vegetal.
Em Palmital e Laranjal, na região Central do Estado, uma blitz educativa percorre as cidades para incentivar a criação de espaços de polinizadores, com entrega de mudas nativas durante as paradas. A ação responde a uma demanda ecológica real: a redução de polinizadores como abelhas e borboletas afeta diretamente a produção agrícola e a regeneração de ecossistemas nativos.
Mutirão na Baitaca e exposição no litoral
No dia 13 de junho, o Parque Estadual Serra da Baitaca, situado entre os municípios de Piraquara e Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, recebe um mutirão de limpeza organizado em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Estudantes, voluntários e moradores da região vão recolher resíduos e interagir com visitantes sobre a responsabilidade de conservar Unidades de Conservação. Iniciativas desse tipo têm um efeito duplo: limpam o espaço físico e constroem uma relação de pertencimento com a área protegida.
Já em Paranaguá, entre os dias 8 e 11 de junho, a Arena Albertina Salmon recebe uma exposição sobre fauna e flora brasileira com linguagem acessível e formato interativo. A programação inclui animais taxidermizados, mural interativo, painel para fotos, eco quiz, amarelinha da reciclagem, dinâmica de mitos e verdades sobre o meio ambiente, além da distribuição de mudas de espécies nativas do Paraná. A combinação de entretenimento e informação ambiental amplia o alcance da mensagem para públicos que normalmente não frequentam eventos do setor.
O que está em jogo além da semana comemorativa
A escala da programação paranaense vai além do calendário ambiental. O plantio de espécies nativas em áreas degradadas é uma das estratégias mais eficazes e economicamente viáveis de restauração ecológica. Cada muda plantada no local certo contribui para a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), o aumento da conectividade entre fragmentos florestais e a proteção de nascentes, fatores diretamente ligados à segurança hídrica e à produtividade agropecuária das regiões beneficiadas.
A participação de cinco mil pessoas no processo de plantio também tem um componente que nenhuma política pública consegue replicar por decreto: o vínculo afetivo com a muda plantada. Quem planta tende a cuidar, a acompanhar e a defender. Isso transforma uma ação pontual em um processo contínuo de engajamento ambiental.
