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Home Agro

Sistema de plantio direto transforma produção de hortaliças e corta gastos com insumos no Planalto Catarinense

by Derick Machado
3 de março de 2026
in Agro
Sistema de plantio direto transforma produção de hortaliças e corta gastos com insumos no Planalto Catarinense

A conservação do solo deixou de ser apenas uma recomendação técnica para se tornar um diferencial econômico na produção de hortaliças em Santa Catarina. O Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), desenvolvido pela Epagri em parceria com agricultores familiares, comprova que é possível elevar a fertilidade natural do solo e reduzir despesas com insumos químicos ao mesmo tempo. A base do método está na manutenção de cobertura vegetal permanente, na diversificação de cultivos e na eliminação do revolvimento do solo, práticas que garantem aumento da matéria orgânica, maior retenção de água e equilíbrio biológico.

Em Curitibanos, região do Planalto Serrano, a tecnologia ganhou visibilidade durante evento técnico realizado na propriedade de Neomar Pinto Ribeiro, no assentamento Irmã Jandira. O encontro reuniu 22 participantes, entre produtores rurais e técnicos, e foi organizado pela Epagri em parceria com o Projeto Reforma, Gera Grãos, Coopercontestado, Cresol e Secretaria Municipal da Agricultura. A escolha da localidade não foi aleatória: a região apresenta solos com histórico de degradação e necessidade urgente de recuperação da capacidade produtiva.

Adubação verde como pilar da produtividade

O diferencial do SPDH está no uso estratégico de plantas de cobertura que trabalham a favor do solo. Durante o evento, os produtores conheceram um kit de adubação verde desenvolvido pela Epagri/Cepaf, composto por espécies de mucunas (preta e anã), feijão de porco, guandu anão e crotalárias (C. spectabilis e C. ochroleuca). Essas leguminosas desempenham múltiplas funções no sistema: fixam nitrogênio biologicamente, controlam nematoides e reciclam nutrientes que, de outra forma, permaneceriam inacessíveis às hortaliças.

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“O uso da adubação verde e plantas de cobertura como estratégia de conservação de solos é de fundamental importância dentro de um sistema de produção agrícola mais sustentável”, afirma Juliana Golin Krammes, extensionista da Epagri de Curitibanos e uma das organizadoras do encontro. Segundo ela, a adoção dessas espécies permite que o produtor construa fertilidade sem depender exclusivamente de adubos comerciais, o que impacta diretamente nos custos de produção.

Além das leguminosas, foram apresentadas opções como trigo mourisco, indicado para quebra de ciclo de doenças de solo, e girassol, que pode ser consorciado com outras espécies para formação de palhada. A diversidade de plantas é essencial para manter o solo sempre protegido e biologicamente ativo, mesmo nos períodos entre safras de hortaliças.

Transição prática para o plantio sem revolvimento

A implementação do SPDH exige planejamento, mas os resultados aparecem rapidamente em propriedades que adotam a técnica de forma consistente. O técnico em agropecuária Joel Tomasi, da Gera Grãos, apresentou durante o evento o portfólio de misturas para adubação verde de verão e inverno, orientando os produtores sobre como fazer a transição gradual do sistema convencional para o plantio direto.

“SPDH é o caminho para a transição e melhoramento da vida no solo”, destacou Tomasi durante a palestra. Ele reforçou que a escolha das espécies de cobertura deve considerar o calendário agrícola da propriedade, garantindo que haja sempre biomassa disponível para proteger e nutrir o solo. Dessa forma, o sistema se torna autossustentável, com menos necessidade de intervenções externas.

Um dos momentos de maior interesse no Dia de Campo foi a demonstração de uma máquina de plantio direto desenvolvida pelos próprios produtores da comunidade de Curitibanos. O equipamento, adaptado às condições locais e ao orçamento da agricultura familiar, permite realizar o plantio sem revolver o solo, abrindo apenas o sulco necessário para a semente. A inovação caseira mostra que a tecnologia pode ser acessível quando há troca de conhecimento entre agricultores e apoio técnico qualificado.

Impactos mensuráveis no campo

Os benefícios do SPDH vão além da teoria agronômica. Propriedades que adotam o sistema reportam aumento na capacidade de retenção de água do solo, fator crítico em regiões sujeitas a veranicos. A cobertura vegetal permanente funciona como uma esponja natural, mantendo a umidade disponível para as raízes das hortaliças mesmo em períodos de estiagem. Além disso, a melhoria da estrutura do solo reduz a compactação e facilita o desenvolvimento radicular, resultando em plantas mais vigorosas e produtivas.

A redução de custos é outro ponto de destaque. Com a fixação biológica de nitrogênio pelas leguminosas e a reciclagem de nutrientes pelas plantas de cobertura, o produtor consegue diminuir significativamente o uso de fertilizantes químicos. Esse ganho econômico se torna ainda mais relevante em um cenário de preços elevados de insumos, permitindo que o agricultor familiar mantenha margens de lucro mais saudáveis.

O equilíbrio biológico proporcionado pelo SPDH também contribui para o controle natural de pragas e doenças. A diversidade de espécies no sistema favorece a presença de inimigos naturais e rompe ciclos de patógenos específicos, reduzindo a dependência de defensivos agrícolas. Trata-se de um círculo virtuoso: quanto mais saudável o solo, menor a necessidade de intervenções corretivas e maior a capacidade produtiva da área.

Fonte: Epagari

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  [email protected]

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