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Sul exportador de leite: como a região que importa 8% do que consome quer virar referência no mercado internacional de lácteos

by Derick Machado
4 de março de 2026
in Noticias
Sul exportador de leite: como a região que importa 8% do que consome quer virar referência no mercado internacional de lácteos

O Brasil produz leite em escala de potência agrícola, mas exporta como se fosse um país periférico do setor. Apenas 0,34% da produção nacional chega ao mercado externo, enquanto 8% do leite consumido no país vem de nações do Mercosul, segundo dados do IBGE. Esse desequilíbrio, que combina subaproveitamento da capacidade produtiva com dependência de importações, é justamente o que a Aliança Láctea Sul Brasileira (ALSB) quer reverter com o Plano de Incentivos à Exportação de Lácteos, apresentado no início de março, em Curitiba.

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A proposta não é apenas ampliar volumes exportados. O objetivo central é reduzir a vulnerabilidade da cadeia às oscilações do mercado interno, que empurra preços e margens para baixo sempre que a oferta supera a demanda e não há destino alternativo para o produto. Diversificar para o mercado externo, portanto, é também uma forma de dar mais estabilidade ao produtor dentro do Brasil.

A Aliança reúne os três estados do Sul em um fórum público-privado voltado a harmonizar condições produtivas, industriais e comerciais da região. Juntos, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul respondem por 43% da produção brasileira de leite, o que confere ao bloco peso suficiente para ser um interlocutor relevante em negociações de acesso a mercado e para estabelecer padrões de qualidade competitivos com os exigidos internacionalmente.

Dez gargalos que explicam por que o leite brasileiro não é competitivo

Para Airton Spies, consultor da ALSB e um dos responsáveis pela estruturação do plano, o diagnóstico precede qualquer avanço concreto. “Nós identificamos dez gargalos que explicam por que não somos competitivos. Se não enfrentarmos esses pontos, continuaremos limitados ao mercado interno”, afirma.

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Os gargalos mapeados se distribuem em dois grupos. O primeiro envolve problemas de escala e eficiência dentro da porteira: propriedades com produção limitada, baixo rendimento agronômico e zootécnico, qualidade do leite aquém dos padrões exigidos no exterior e rendimento industrial em sólidos abaixo do potencial. Além disso, a volatilidade de preços e a fragmentação entre os elos da cadeia dificultam a formação de uma frente comercial coesa.

O segundo grupo é estrutural. Brucelose e tuberculose ainda comprometem o acesso a determinados mercados, a capacidade industrial instalada opera com ociosidade e a infraestrutura rural, especialmente em energia, estradas e conectividade, eleva os custos logísticos a ponto de anular margens antes mesmo do produto chegar ao porto.

Contudo, Spies enxerga na superação desses entraves não apenas uma oportunidade para o setor, mas uma estratégia de interesse nacional. “Se o Sul se tornar exportador, tira pressão do mercado interno. Quando há exportação, abre-se espaço. O próprio país deveria se interessar pela estratégia exportadora da Aliança Láctea, porque é importante para o Brasil”, defende o consultor.

Competitividade de preço como condição de entrada

Um dos eixos mais sensíveis do plano é o alinhamento dos custos de produção brasileiros aos padrões internacionais. Exportar leite não é apenas uma questão de vontade institucional ou de acesso sanitário: é, antes de tudo, uma equação econômica. Enquanto o custo de produção interno estiver desalinhado com o preço praticado no mercado externo, a exportação não se sustenta sem mecanismos de apoio.

Por isso, o plano prevê salvaguardas para equalização de amortizações em momentos de desalinhamento entre preços internos e internacionais, além de linhas de crédito com juros, prazos e carência diferenciados para produtores e indústrias inseridos na estratégia exportadora. A proposta inclui ainda incentivos fiscais para implantação de projetos, com possibilidade de isenção de tributos sobre equipamentos destinados aos elos produtivo e industrial da cadeia.

Para Spies, o cenário de competitividade plena não é utópico, mas depende de ajustes sistêmicos que precisam ocorrer de forma coordenada. “Quando o leite brasileiro estiver alinhado aos preços internacionais, nós seremos competitivos e romperemos o teto do mercado interno e passaremos a ter dois mercados”, projeta.

Essa perspectiva de dois mercados simultâneos, interno e externo, é justamente o que pode transformar a estrutura de precificação do setor. Com demanda externa ativa, o produtor passa a ter poder de barganha que hoje não existe, o que, consequentemente, reduz a assimetria histórica entre quem produz e quem processa.

Integração vertical e o papel do Estado

O modelo operacional previsto no plano aposta na formalização da cadeia em arranjos de integração vertical, aproximando produtores, cooperativas e indústrias em torno de metas comuns de volume, qualidade e preço. Essa estrutura é comum em países exportadores consolidados de lácteos, como Nova Zelândia e Irlanda, onde a coordenação entre os elos da cadeia é fator determinante da competitividade.

No Paraná, o governo estadual sinalizou apoio direto à estratégia. Para o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, a infraestrutura rural é parte da solução. “O governo está investindo fortemente em infraestrutura rural, especialmente na recuperação de estradas, porque sabemos que uma logística eficiente é fundamental para reduzir custos e aumentar a competitividade do produtor”, afirma o secretário, acrescentando que o Estado está “pronto para criar as condições e apoiar os empreendimentos que permitam esse avanço.”

Além dos investimentos em infraestrutura, o horizonte do plano se estende até 2030, com metas progressivas de volume exportado e redução da participação das importações na oferta doméstica. A formação de polos produtivos regionais é parte dessa arquitetura: a ideia é concentrar competência técnica, escala industrial e rastreabilidade em áreas específicas, criando condições para atender exigências sanitárias e regulatórias dos principais mercados compradores.

A força do Sistema FAEP no movimento

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, reforça que o engajamento institucional é condição para que a estratégia saia do papel. “No âmbito do Sistema FAEP, em colaboração com as entidades do setor, pretendemos impulsionar as exportações do setor lácteo. Trabalharemos em conjunto, de forma coordenada e estratégica, para aumentar esse fluxo”, declara.

A coordenação entre Sistema FAEP, ALSB, governos estaduais e indústrias é, aliás, o que diferencia este plano de iniciativas anteriores que não avançaram por falta de governança. A estrutura de fórum público-privado da Aliança permite que decisões sobre normas sanitárias, padrões de qualidade e acesso a crédito sejam tomadas de forma alinhada entre os três estados, evitando a fragmentação que historicamente enfraqueceu a posição do Brasil nas negociações comerciais do setor lácteo.

O Brasil tem terra, clima, rebanho e capacidade industrial para figurar entre os grandes exportadores de leite e derivados. O que faltava era um plano estruturado, com diagnóstico real dos entraves e mecanismos concretos de superação. Com o plano da ALSB em execução, o setor leiteiro do Sul começa, finalmente, a tratar a exportação não como uma aposta, mas como uma política.

Fonte: Sistema FAEP

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

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