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Tatu-canastra melhora infiltração de água em pastagens degradadas e reduz custos de recuperação no Cerrado

Escavações profundas do maior tatu do mundo criam canais naturais de aeração que beneficiam sistemas de integração lavoura-pecuária e controlam pragas sem uso de químicos

by Derick Machado
23 de abril de 2026
in Natureza
Tatu-canastra melhora infiltração de água em pastagens degradadas e reduz custos de recuperação no Cerrado

A capacidade de infiltração de água no solo é um dos principais indicadores de saúde em áreas de pastagem. No Cerrado brasileiro, onde a compactação causada pelo pisoteio animal e pelo manejo inadequado compromete a produtividade, um aliado improvável tem chamado a atenção de pesquisadores e produtores: o tatu-canastra. As tocas profundas que essa espécie escava, algumas atingindo até 5 metros de profundidade, funcionam como estruturas naturais de aeração e infiltração hídrica, oferecendo benefícios diretos para sistemas de integração lavoura-pecuária.

O tatu-canastra é o maior tatu do mundo, podendo ultrapassar 1,5 metro de comprimento e pesar mais de 50 quilos. Suas garras, as maiores proporcionalmente entre os mamíferos terrestres, alcançam até 22 centímetros e são ferramentas perfeitas para escavação. Ao cavar em busca de cupins e formigas, esse animal movimenta grandes volumes de solo, criando estruturas subterrâneas que permanecem ativas por anos e beneficiam dezenas de outras espécies.

Estudos realizados pela Embrapa Cerrados demonstram que a infiltração de água em solos sob vegetação nativa do Cerrado atinge taxas de até 204 centímetros por hora. Em áreas de pastagem contínua, essa taxa cai para cerca de 5,7 centímetros por hora, enquanto em sistemas de lavoura convencional a redução é ainda mais acentuada, chegando a apenas 2,1 centímetros por hora. A compactação do solo, principal responsável por essa queda, dificulta a penetração das raízes, reduz a disponibilidade de oxigênio e limita a capacidade de armazenamento hídrico durante períodos de estiagem.

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Estruturas subterrâneas que duram uma década

As tocas do tatu-canastra são estruturas impressionantes. Com entradas que medem em média 43 centímetros de largura por 31 centímetros de altura, esses túneis são escavados principalmente em cupinzeiros ativos ou mortos, aproveitando a estrutura consolidada desses ninhos para criar abrigos seguros. No Cerrado, as tocas geralmente estão localizadas a uma distância de três a sete metros de cupinzeiros, com o túnel cavado em direção a esses ninhos de forma que a extremidade da toca fique sob o cupinzeiro.

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“Encontramos tocas de 10 anos sendo usadas por diversos animais”, conta Arnaud Desbiez, presidente do Instituto de Conservação de Animais Silvestres e coordenador do Programa de Conservação do Tatu-Canastra. “Os buracos também ajudam a aerar o solo, facilitam a infiltração da água e a germinação de sementes.”

Essas estruturas não servem apenas como abrigo para o tatu. Mais de 70 espécies de vertebrados, incluindo onças, aves, tamanduás e cobras, utilizam as tocas abandonadas como refúgio térmico, abrigo contra predadores ou área de descanso. Esse papel de “engenheiro ambiental” foi reconhecido em artigo publicado na revista Journal of Zoology, que descreve como o tatu-canastra modifica fisicamente o ambiente de forma a beneficiar toda a comunidade ecológica.

Controle biológico de cupins e formigas

Além dos benefícios relacionados à estrutura do solo, o tatu-canastra oferece controle natural de insetos que causam prejuízos em pastagens e lavouras. Um único indivíduo pode consumir até 70 mil insetos por noite, com preferência por cupins e formigas. Essa dieta especializada o torna um regulador natural de populações desses artrópodes, que competem com o gado por forragem e podem causar danos significativos a raízes de gramíneas forrageiras.

“Ter um tatu-canastra na propriedade é uma boa oportunidade para todos”, afirma Gabriel Massocato, biólogo e coordenador do Projeto Tatu-Canastra no Cerrado. “Ele se alimenta de formigas e cupins, ajudando a controlar populações desses insetos que podem prejudicar a produtividade das pastagens.”

A presença do tatu-canastra em áreas de integração lavoura-pecuária pode reduzir a necessidade de aplicação de inseticidas químicos para controle de cupins subterrâneos, especialmente em sistemas onde a rotação de culturas favorece o acúmulo de matéria orgânica no solo. Em propriedades do Mato Grosso do Sul, pesquisadores observaram que áreas com maior ocorrência de tocas apresentavam menor incidência de danos causados por cupins em raízes de Brachiaria decumbens, gramínea amplamente utilizada em pastagens do Cerrado.

Impacto em sistemas de integração lavoura-pecuária

Sistemas de integração lavoura-pecuária dependem da manutenção de boas condições físicas do solo para garantir produtividade tanto nas fases de cultivo quanto nas de pastejo. A compactação causada pelo pisoteio animal é um dos principais desafios desses sistemas, exigindo investimentos em descompactação mecânica ou uso de plantas com sistema radicular agressivo para romper camadas adensadas.

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As escavações do tatu-canastra funcionam como descompactadores naturais, criando canais verticais que facilitam a infiltração de água e a penetração de raízes. Estudos indicam que áreas de vida do tatu-canastra no Cerrado variam entre 726 hectares e 1.000 hectares, dependendo da disponibilidade de alimento e da fragmentação do habitat. Em propriedades onde a espécie ainda ocorre, a movimentação constante do solo por suas escavações pode complementar práticas de manejo conservacionista.

De acordo com levantamento realizado pelo Instituto de Conservação de Animais Silvestres, cerca de 20% dos fragmentos de Cerrado no Mato Grosso do Sul ainda apresentam área suficiente para manter populações viáveis de tatu-canastra. Propriedades com mais de 2.500 hectares de vegetação nativa ou em sistemas agroflorestais oferecem condições para a permanência da espécie, que utiliza tanto áreas florestais quanto pastagens e bordas de várzeas para forrageamento.

Convivência com atividades produtivas

A conservação do tatu-canastra em áreas produtivas exige adaptações que minimizem conflitos com apicultores e produtores. No Cerrado de Mato Grosso do Sul, onde a fragmentação do habitat reduziu a disponibilidade de cupinzeiros, alguns indivíduos passaram a atacar colmeias em busca de larvas de abelhas. Esse comportamento gerou conflitos com apicultores, levando ao desenvolvimento do Projeto Canastras e Colmeias.

A iniciativa propõe práticas de manejo que protegem as colmeias sem prejudicar a espécie, como instalação de plataformas elevadas e uso de cercas elétricas em pontos estratégicos. Produtores que adotaram essas medidas conseguiram reduzir os ataques em mais de 80%, mantendo a produtividade dos apiários e a presença do tatu nas áreas de vegetação nativa.

Segundo dados da Embrapa Pantanal, mais de 90% da área do Pantanal e do Cerrado pertence à iniciativa privada. Dessa forma, a conservação de espécies como o tatu-canastra depende diretamente de práticas adotadas em propriedades rurais. Programas de monitoramento com armadilhas fotográficas e transmissores GPS têm revelado que indivíduos utilizam tanto áreas de reserva legal quanto pastagens e bordas de lavoura, desde que exista conectividade com remanescentes de vegetação nativa.

Vulnerabilidade e necessidade de proteção

Apesar dos benefícios que oferece, o tatu-canastra está classificado como vulnerável à extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza. A população da espécie sofreu declínio de 30% nos últimos 24 anos, principalmente devido à caça, desmatamento, atropelamentos e incêndios florestais. No Cerrado, onde cerca de 50% da vegetação original já foi convertida em áreas agrícolas, as populações remanescentes estão fragmentadas e isoladas.

A baixa taxa reprodutiva agrava a situação. Fêmeas de tatu-canastra têm apenas um filhote a cada três ou quatro anos, e a maturidade sexual é atingida apenas entre dois e três anos de idade. Essa característica torna a recuperação populacional extremamente lenta, exigindo medidas de conservação que garantam áreas de vida mínimas e conectividade entre fragmentos.

Propriedades rurais que mantêm corredores ecológicos entre áreas de reserva legal e fragmentos de vegetação nativa desempenham papel fundamental na conservação da espécie. A criação de brigadas comunitárias de combate a incêndios e a adoção de práticas de manejo integrado de fogo também contribuem para reduzir a mortalidade por queimadas, uma das principais ameaças em períodos de estiagem prolongada.

A presença do tatu-canastra em sistemas produtivos representa uma oportunidade de aliar conservação da biodiversidade com melhorias na qualidade física do solo. Em áreas de integração lavoura-pecuária, a manutenção de fragmentos de vegetação nativa e corredores ecológicos não apenas favorece a permanência da espécie, mas também garante serviços ecossistêmicos que reduzem custos com recuperação de pastagens degradadas e controle de pragas.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  [email protected]

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