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Agave tequilana ganha novo papel no Brasil e será transformado em etanol e forragem

Projeto-piloto no Nordeste aposta na planta mexicana como alternativa à cana-de-açúcar em regiões de clima seco

by Derick Machado
5 de agosto de 2025
in Agro
Imagem: Alexandre Oliveira

Imagem: Alexandre Oliveira

Nas paisagens áridas do Semiárido brasileiro, onde a escassez de água desafia a produtividade agrícola, uma planta de origem mexicana começa a ganhar protagonismo. Conhecida mundialmente como a base da tequila, o Agave tequilana chega ao Brasil com uma proposta ousada: ser matéria-prima para etanol, captura de carbono e até ração para animais. Com folhas rígidas, tolerância à seca e um ciclo de crescimento mais longo, essa espécie adaptada a climas extremos desponta como símbolo de inovação verde para o Nordeste.

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O projeto de implantação está sendo desenvolvido nos estados da Bahia e da Paraíba, onde já começaram a ser plantadas as primeiras mudas em Unidades de Referência Tecnológica (URTs). Ao todo, 1.800 exemplares da variedade Azul foram importados do México com o objetivo de testar a viabilidade agronômica e econômica da espécie em solo brasileiro. O experimento também contempla o aproveitamento integral da planta: do líquido fermentável ao bagaço que pode virar forragem.

“Estamos falando de uma espécie rústica, altamente eficiente em termos de consumo hídrico e produtiva em biomassa, o que a torna ideal para as condições semiáridas do Brasil”, afirma o agrônomo Renato Matos, pesquisador em bioenergia na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Segundo ele, o agave apresenta produtividade consistente mesmo em áreas onde outras culturas, como a cana-de-açúcar, não se adaptam.

Além da versatilidade energética, há um interesse crescente no uso da planta como alimento alternativo para ruminantes. Após o processo de extração para etanol, o resíduo fibroso do agave pode ser ensilado e fornecido ao gado, especialmente em períodos de estiagem. “É um aproveitamento duplo: transformamos o que seria resíduo em recurso nutricional. Essa circularidade tem enorme valor no Semiárido, onde a escassez de forragem afeta a pecuária de base familiar”, destaca o zootecnista Carlos Barreto, especialista em alimentação animal sustentável.

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Cultivo com foco na transição energética

Embora o ciclo do Agave tequilana seja mais longo – podendo ultrapassar cinco anos até a colheita plena – sua vantagem competitiva está justamente na adaptação a solos pobres e na baixa necessidade hídrica. O ritmo lento é compensado pela estabilização da biomassa ao longo do tempo, graças ao escalonamento das plantações. A expectativa é que, com manejo adequado, seja possível manter uma cadeia produtiva contínua, alinhada às metas da transição energética nacional.

Agave tequilana ganha novo papel no Brasil e será transformado em etanol e forragem
Foto: Alexandre Oliveira

Para isso, os pesquisadores envolvidos no projeto apostam na formação de um sistema de cultivo estruturado, que inclui o uso de substratos ricos em matéria orgânica, irrigação mínima, espaçamentos otimizados e – futuramente – a mecanização do plantio e colheita, reduzindo a dependência de trabalho manual em larga escala. Ainda que o cultivo no México preserve muitas etapas manuais, o objetivo brasileiro é automatizar o processo sempre que possível.

O projeto também busca inovar na forma como o agave é utilizado. Atualmente, menos de 5% da biomassa do Agave sisalana, por exemplo, é aproveitada na indústria de fibras. A intenção agora é estabelecer um modelo de aproveitamento integral da planta, extraindo dela energia, insumos, nutrição animal e até benefícios ambientais por meio da fixação de carbono no solo.

Parceria internacional e plantio experimental

Parte das mudas utilizadas no experimento foram adquiridas durante uma missão técnica ao México, onde os pesquisadores brasileiros visitaram centros de pesquisa e unidades de produção da tequila. A partir desse intercâmbio, foi possível importar a variedade Weber Azul, considerada uma das mais promissoras para fins energéticos.

As primeiras URTs já estão em andamento nos municípios de Jacobina (BA), Monteiro e Alagoinha (PB). Essas áreas funcionam como vitrines tecnológicas para avaliar o desempenho do cultivo e desenvolver protocolos de manejo. A meta é gerar conhecimento técnico e consolidar o agave como uma alternativa econômica e ecológica para o sertão.

Apesar de o projeto ainda estar em sua fase inicial, a expectativa é alta. “Temos a oportunidade de transformar uma planta icônica do México em vetor de desenvolvimento rural e energético no Brasil. Se der certo, isso pode redesenhar a paisagem produtiva do Semiárido em poucos anos”, conclui o agrônomo Renato Matos.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

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