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BRS Prenda: a batata-doce biofortificada da Embrapa que pode chegar a 50 toneladas por hectare

Nova cultivar une alta produtividade, resistência no campo e valor nutricional superior, com potencial para transformar a produção familiar no Sul do Brasil

Revisão: Derick Machado
18 de março de 2026
in Mercado Agro
divulgação - Embrapa / Luis Suíta

divulgação - Embrapa / Luis Suíta

A Embrapa acaba de lançar a BRS Prenda, nova cultivar de batata-doce biofortificada desenvolvida a partir de seleção local no Sul do Brasil, com potencial produtivo de até 50 toneladas por hectare em lavouras bem manejadas. A variedade supera 2 quilos por planta, coloca-se entre as mais produtivas do segmento e ainda oferece ao produtor rural um diferencial pouco comum no mercado: até três meses de conservação pós-colheita, o que amplia a janela de comercialização e reduz o risco de perda.

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O lançamento oficial acontece na Expoagro Afubra 2026, entre os dias 24 e 26 de março, em Rio Pardo (RS), com apresentação no estande institucional da Embrapa no dia 24, às 14 horas. Após o evento, produtores credenciados receberão mudas para iniciar o plantio na safra 2026/27.

Nutrição, aparência e produção reunidas em uma única cultivar

A BRS Prenda não é apenas mais uma opção de batata-doce no catálogo da Embrapa. A cultivar reúne características que raramente aparecem juntas: alta concentração de carotenoides, polpa amarelo-intensa, sabor adocicado semelhante ao da BRS Amélia e casca rosada com formato arredondado, o que eleva o padrão visual do produto nas gôndolas e feiras.

O pesquisador Luis Antônio Suíta de Castro, que lidera os estudos na Embrapa, explica que o desenvolvimento da cultivar foi orientado por demandas concretas do mercado. “A equipe buscou unir nutrição, aparência e durabilidade, além de facilitar a colheita para quem trabalha em pequenas propriedades”, afirma Castro.

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A concentração de carotenoides posiciona a BRS Prenda entre os alimentos biofortificados, categoria que ganha relevância tanto no mercado convencional quanto em nichos voltados à alimentação saudável. Esse perfil nutricional diferenciado também abre espaço para contratos com programas de alimentação escolar e institucional, onde a exigência por alimentos funcionais é crescente.

Arquitetura compacta e ramas curtas reduzem custo operacional

Um dos pontos que mais chama atenção entre os técnicos é a arquitetura da planta. A BRS Prenda apresenta porte compacto, ramas curtas e eretas, baixa pilosidade e folhas com formato característico de cinco lóbulos. Essa estrutura facilita o trânsito de máquinas e pessoas na lavoura, tornando as operações de cultivo e colheita mais rápidas e menos onerosas.

Para o produtor familiar, que muitas vezes conta com mão de obra limitada, essa característica representa economia direta. Além disso, a cultivar demonstrou boa resistência a pragas e doenças ao longo de oito safras de avaliação conduzidas pela equipe de Pelotas (RS), o que reduz a necessidade de intervenções com defensivos e contribui para um manejo mais simples e eficiente.

As raízes apresentam boa aparência e baixo índice de defeitos, atendendo ao padrão comercial exigido por supermercados, atacadistas e programas de compra institucional.

Cura mais longa intensifica sabor e garante conservação superior

A BRS Prenda exige um período de cura entre 10 e 16 dias após a colheita, tempo superior ao praticado com variedades tradicionais. Esse intervalo, realizado em condições adequadas de temperatura e umidade, é responsável por transformar parte do amido acumulado nas raízes em açúcar, tornando a polpa mais doce, de textura mais agradável e com sabor mais pronunciado.

Além de melhorar as características organolépticas, a cura estende a vida útil do produto, garantindo qualidade por até três meses de armazenamento. Quando assada a 200°C, a batata atinge o ponto ideal em cerca de 80 minutos, o que a torna adequada tanto para uso doméstico quanto para o segmento de food service e panificação artesanal.

Esse prazo de conservação mais longo representa um ganho estratégico para o produtor, pois permite planejar a venda de forma escalonada, reduzir a pressão por comercialização imediata no pós-colheita e aproveitar momentos de melhor preço no mercado.

Do banco genético ao campo: oito safras de avaliação no Sul

A origem da BRS Prenda remonta a sementes fornecidas por produtores rurais do Sul do Brasil, integradas ao banco genético da Embrapa. A hibridação ocorreu de forma espontânea no campo e o material foi identificado e selecionado pela equipe de pesquisa de Pelotas, que conduziu avaliações sistemáticas ao longo de oito safras, analisando produtividade, composição nutricional, comportamento pós-colheita e resposta a pragas.

Segundo Castro, “os testes confirmaram o potencial da cultivar para o Sul do Brasil, mas os resultados também indicam viabilidade em outras regiões produtoras do país”. O ciclo da BRS Prenda varia entre 120 e 140 dias, e o plantio no Sul é recomendado entre agosto e dezembro, período que oferece as condições térmicas e hídricas mais adequadas para o desenvolvimento das raízes.

Rio Grande do Sul lidera produção nacional e concentra maior potencial de adoção

O contexto do lançamento não poderia ser mais oportuno. O Brasil cultivou 65,6 mil hectares de batata-doce em 2024, com produção nacional de aproximadamente 907 mil toneladas. O Rio Grande do Sul responde por cerca de 18% desse volume, com produção em torno de 150 mil toneladas anuais, concentrada principalmente em pequenas propriedades familiares.

Essa base produtiva é exatamente o público para o qual a BRS Prenda foi projetada. A cultura da batata-doce já ocupa papel relevante na diversificação agrícola e na geração de renda no estado, e a chegada de uma cultivar com maior produtividade, melhor conservação e apelo nutricional reforça o potencial de expansão do cultivo tanto no mercado interno quanto em canais de venda direta e programas governamentais de aquisição de alimentos.

A distribuição das mudas a produtores credenciados logo após o lançamento na Expoagro Afubra acelera a chegada da tecnologia ao campo, antecipando resultados práticos já na safra 2026/27 e posicionando o Rio Grande do Sul como o principal laboratório real da nova cultivar no país

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