Paisagismo
Como recuperar uma suculenta que está apodrecendo?
Publicado
6 meses atrásem

A aparência delicada das suculentas pode enganar os olhos de quem acredita que são plantas à prova de falhas. Mesmo resistentes, essas espécies também adoecem — e uma das situações mais comuns é o apodrecimento da base, das folhas ou da raiz, resultado direto do excesso de água ou de um substrato mal drenado. O problema é que, quando os sinais aparecem, muitos tutores acreditam que não há mais solução. Felizmente, nem sempre isso é verdade.
“Em geral, quando a suculenta começa a apresentar sinais de apodrecimento, ainda é possível intervir se parte da planta estiver preservada”, explica o engenheiro agrônomo Sérgio David Marim de Souza, produtor especializado em suculentas e cactos da Cactos Brasil. Aliás, quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de recuperação.
Quando a suculenta dá sinais de alerta
O aspecto de uma suculenta saudável é fácil de identificar: folhas firmes, coloração vívida e formato compacto. Já uma planta doente começa a mudar de forma sutil. As folhas podem ficar moles, translúcidas ou enegrecidas, e o caule, em alguns casos, começa a ceder como se estivesse mole. “Esses são sinais típicos de que a suculenta está absorvendo mais água do que consegue metabolizar, o que afeta suas células e causa a necrose dos tecidos”, explica Eduardo Funari, engenheiro agrônomo e especialista em paisagismo tropical.
Outro indício é o cheiro: o apodrecimento, principalmente na base, exala um odor desagradável, semelhante ao de matéria orgânica em decomposição. Isso acontece quando o fungo já está agindo no interior da planta, especialmente em ambientes úmidos ou com vasos sem drenagem adequada.
Como salvar a planta antes que o apodrecimento se espalhe
O primeiro passo é interromper completamente as regas e observar a extensão dos danos. Caso a base da planta ainda esteja firme, há boas chances de recuperação apenas com a troca do substrato e reposicionamento em local bem iluminado, mas sem sol direto nas horas mais quentes. No entanto, se a parte afetada já comprometeu folhas inferiores ou o caule, será necessário um procedimento mais drástico: a decapitação.

“Quando a base já foi perdida, o ideal é retirar a parte saudável da planta com uma lâmina esterilizada e deixar o corte cicatrizar por alguns dias, em local seco e arejado”, orienta Sérgio. Após esse tempo, a nova ponta pode ser replantada em substrato próprio para suculentas — que deve conter areia, perlita e casca de arroz carbonizada — e não deve ser regada nas primeiras semanas. Isso evita o choque hídrico e permite que a planta volte a enraizar com segurança.
Iluminação, solo e ventilação: aliados da prevenção
As suculentas, por sua origem em regiões áridas e semiáridas, preferem ambientes com boa circulação de ar, sol direto ou luz difusa, e um solo que não retenha umidade por longos períodos. Quando cultivadas em ambientes internos, o risco de apodrecimento aumenta, especialmente se forem regadas com frequência ou se estiverem em vasos de cerâmica sem furos no fundo.
“Mais importante do que regar é saber quando não regar”, destaca Eduardo. Segundo ele, a melhor forma de avaliar a necessidade de irrigação é inserindo o dedo no substrato e percebendo se ele ainda está úmido. A rega deve ser feita somente quando o solo estiver completamente seco — e sempre na terra, evitando o acúmulo de água entre as folhas, que também pode desencadear o apodrecimento por fungos.
Recuperação e cuidados futuros com suculentas doentes
Depois de resgatada, a suculenta entra em um período de readaptação. É comum que as primeiras folhas ainda caiam ou fiquem amareladas, mas isso não significa que a planta está condenada. O importante é observar se o centro começa a emitir novos brotos — sinal de que a planta está enraizando e voltando ao ciclo de crescimento.
Para evitar que o problema volte a ocorrer, além da atenção com a irrigação, é interessante fazer adubações leves, preferencialmente com produtos naturais como bokashi ou húmus de minhoca. Isso fortalece o sistema radicular e melhora a resistência da planta a variações climáticas ou ataques fúngicos.
Por fim, se a suculenta está plantada junto a outras espécies que exigem umidade diferente, o melhor é separá-la. “Cada planta tem seu próprio ritmo. As suculentas, por exemplo, gostam de atenção na medida certa: mais luz, menos água e muito respeito ao seu tempo de recuperação”, resume Sérgio.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.


