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Solo fértil, pasto renovado e rebanho bem nutrido impulsionam o leite paranaense

Revisão: Derick Machado
28 de janeiro de 2026
in Pecuaria
Solo fértil, pasto renovado e rebanho bem nutrido impulsionam o leite paranaense

A força da pecuária leiteira paranaense não se constrói apenas com genética ou equipamentos modernos. Ela nasce, antes de tudo, no solo. É a partir da recuperação de pastagens degradadas, do manejo adequado da fertilidade e da nutrição equilibrada do rebanho que pequenos produtores têm conseguido transformar resultados e ampliar a rentabilidade no campo. Esse movimento tem sido intensificado pelo trabalho do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), por meio do programa Ação Integra do Solo e Água (Aisa), iniciativa criada pela Itaipu Binacional.

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O programa atende mais de mil produtores por ano e abrange 228 municípios do Paraná e do Mato Grosso do Sul, todos situados na área de influência do reservatório de Itaipu. Entretanto, mais do que números, o que se observa é uma mudança estrutural nas propriedades assistidas, com reflexos diretos na produtividade e na qualidade do leite.

Assistência técnica como ponto de virada

A atuação do IDR-Paraná concentra-se em frentes estratégicas. Entre elas estão a recuperação e renovação de pastagens degradadas, o ajuste da fertilidade do solo, a conservação de forragens e o balanceamento nutricional do rebanho leiteiro. Além disso, há orientação quanto à melhoria da qualidade do leite e à gestão da propriedade.

Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Márcio Nunes, os resultados demonstram a vocação produtiva do Estado. “Aqui no Paraná temos o melhor solo, a melhor água e a melhor pastagem, consequentemente, temos a melhor proteína animal. E com as ações que temos feito, isso tudo é potencializado e gera mais renda para o produtor rural”, ressalta.

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Esse potencial, contudo, depende de orientação técnica contínua. Estudos conduzidos pelo próprio IDR-Paraná indicam que a assistência especializada é decisiva para ampliar a eficiência produtiva, sobretudo entre pequenos e médios produtores, que representam a maioria das propriedades leiteiras no Estado.

Pastagem renovada, produção dobrada

No município de Goioerê, o sítio São Sebastião ilustra essa transformação. A propriedade familiar, conduzida por pai e filho, passou por ajustes no manejo do solo, na adubação e na organização da produção. O resultado foi expressivo: a média diária de 125 litros de leite registrada entre 2021 e 2022 saltou para 268 litros em 2024 e 2025, alcançando atualmente cerca de 300 litros por dia.

O técnico do IDR-Paraná, Salvador Sarto, acompanha o caso de perto e observa que os ganhos não se limitaram ao volume produzido. A receita mensal praticamente dobrou, elevando a segurança financeira da família.

Benedito Teodoro da Silva, produtor há mais de cinco décadas, reconhece a importância da orientação recebida. “Moro aqui há 52 anos e sempre trabalhei com produção de leite, soja e milho. O Salvador, nosso técnico do IDR, tem sido um apoio importante para todos os projetos que a gente faz”, afirma.

O filho, Ricardo, destaca que a mudança envolveu planejamento e confiança. “No começo estávamos um pouco perdidos, mas já existia uma relação de confiança, então, a gente seguiu a orientação do técnico e deu tudo certo”, relata. Segundo ele, o uso de planilhas de controle e a reorganização do manejo foram fundamentais para melhorar os resultados.

Integração entre solo, água e nutrição animal

No extremo Oeste do Paraná, em Pato Bragado, outro exemplo reforça a eficácia da estratégia. A propriedade de Sérgio Paulo Marshnier, acompanhada pelo técnico Adilson Winter, registrou incremento superior a 70% na produção após a adesão ao programa.

Entre as medidas implementadas estão a correção do solo, o uso racional de dejetos de suínos, aves e bovinos como fertilizantes orgânicos, o cultivo de plantas de cobertura para melhorar infiltração e retenção de água, além do balanceamento adequado da dieta dos animais. A criação de bezerras e novilhas também foi reorganizada para garantir melhor desempenho futuro do rebanho.

Antes da assistência técnica, a produção diária era de 440 litros. Atualmente, chega a 763 litros. A receita mensal igualmente cresceu, demonstrando que eficiência produtiva e sustentabilidade caminham juntas.

Sustentabilidade e dados para decisões estratégicas

Criado há cerca de cinco anos, o programa Aisa reúne uma ampla base de dados sobre solo, clima, vegetação e hidrologia. Essa estrutura permite compreender o comportamento da água no solo e os impactos das práticas agrícolas sobre os recursos hídricos. Assim, as recomendações técnicas deixam de ser genéricas e passam a considerar as particularidades de cada propriedade.

A coordenadora de Pesquisa do IDR-Paraná, Simony Lugão, ressalta que pequenas mudanças podem gerar grandes resultados. “São orientações que parecem simples, mas que fazem toda a diferença no dia a dia do produtor e nos resultados finais”, reforça.

Além do IDR-Paraná, o programa conta com parcerias estratégicas da Embrapa, da Esalq/USP e da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped). Nos últimos quatro anos, foram investidos R$ 25,94 milhões em 17 projetos voltados à sustentabilidade e ao aumento da produtividade no campo.

Paraná consolida protagonismo nacional

O avanço nas propriedades acompanhadas reflete-se nos indicadores estaduais. Em 2025, conforme dados do IBGE e do Deral, o Paraná registrou crescimento de 10% na produção de leite, alcançando cerca de 1 bilhão de litros apenas no primeiro trimestre. O Estado mantém-se como o segundo maior produtor nacional, com aproximadamente 114 mil propriedades dedicadas à atividade.

Aliás, mais do que crescimento pontual, o cenário evidencia um processo de consolidação. Ao integrar manejo de solo, recuperação de pastagens e nutrição animal, o programa fortalece a base produtiva e amplia a resiliência das propriedades frente às variações climáticas.

Fonte: AEN

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