Paisagismo
Você também achava que cebolinha era a parte verde da cebola? Saiba por que elas são plantas diferentes
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4 meses atrásem

Na cozinha do dia a dia, é comum que cebola e cebolinha estejam lado a lado no tempero de quase qualquer receita. Aliás, ambas são essenciais na base do sabor brasileiro, aparecendo desde o arroz com feijão até pratos mais elaborados. Porém, apesar da semelhança no nome — e até na aparência em alguns estágios — trata-se de duas plantas completamente diferentes, com ciclos de cultivo, formatos e funções únicas tanto na horta quanto na gastronomia.
Segundo a engenheira agrônoma Carla Menezes, especialista em hortas urbanas e agricultura familiar, “a cebola pertence à espécie Allium cepa, enquanto a cebolinha, dependendo da variedade, pode ser Allium schoenoprasum ou Allium fistulosum. Ambas fazem parte do mesmo gênero botânico, mas seguem caminhos distintos em sua morfologia e no cultivo”.
Origem, formato e ciclo de vida: o que muda entre as espécies?
A cebola, conhecida por formar o bulbo arredondado subterrâneo, passa por um ciclo completo antes de ser colhida. Esse bulbo, que pode variar entre branco, roxo ou amarelo, é justamente o que consumimos em receitas refogadas ou assadas. A planta cresce a partir de sementes ou mudas e, ao longo de meses, concentra energia nas camadas suculentas que compõem a cebola que conhecemos.

Já a cebolinha tem um ciclo mais rápido e não forma bulbo. O que se colhe são suas folhas longas, finas e verdes, que crescem diretamente do caule e são cortadas de forma contínua, com rápido rebrote. “A cebolinha é uma planta perene, o que significa que, se bem cuidada, pode durar muitos meses produzindo. Já a cebola é de ciclo anual e é colhida inteira”, esclarece Carla.
Além disso, o sabor também revela suas diferenças: a cebola tem um gosto mais pungente e adocicado quando cozida, enquanto a cebolinha entrega frescor e suavidade, ideal para finalizações.
Cultivo exige cuidados distintos no solo e no clima
Embora ambas possam ser cultivadas em hortas domésticas, até mesmo em vasos, cada uma exige um tipo de manejo. A cebola prefere solos bem drenados, arenosos e ricos em matéria orgânica, com boa exposição solar direta e umidade controlada. Seu plantio costuma ocorrer em épocas específicas, já que o desenvolvimento do bulbo está diretamente relacionado ao fotoperíodo — ou seja, à quantidade de horas de luz por dia.
Por outro lado, a cebolinha é menos exigente e mais versátil. Pode crescer sob sol pleno ou meia-sombra e se adapta a solos mais diversos, desde que sejam bem drenados. O ideal é manter a umidade moderada, sem encharcamento. “Por ter um sistema radicular mais superficial, a cebolinha responde melhor a substratos leves e regas frequentes, principalmente em vasos ou jardineiras”, orienta o paisagista e horticultor Leandro Barbosa, que atua com hortas educativas em escolas públicas.
Usos culinários e ornamentais: onde elas brilham na cozinha e na horta
Se na horta as duas espécies pedem atenção diferenciada, na cozinha, elas cumprem papéis complementares. A cebola entra em pratos quentes, caldos, sopas, assados e marinadas. Já a cebolinha finaliza omeletes, saladas, caldos verdes e até pratos orientais, como o lámen. O sabor fresco da cebolinha também faz dela uma estrela nos famosos “temperinhos prontos”, geralmente misturada ao alho ou à salsinha.

Na estética da horta, a cebolinha também ganha pontos. “Ela tem um formato ornamental interessante e pode ser cultivada em pequenos vasos na janela da cozinha, facilitando o acesso e ainda embelezando o espaço”, afirma Leandro. A cebola, por sua vez, embora menos usada com essa finalidade, pode render belas floradas esféricas caso não seja colhida — e essas flores ainda atraem polinizadores.
Confusões comuns: brotos, bulbos e folhas que enganam
A confusão entre as duas é compreensível, especialmente quando se vêem cebolas brotando na despensa, emitindo folhas verdes parecidas com a cebolinha. No entanto, mesmo essas folhas da cebola brotada têm sabor mais forte e textura diferente das folhas originais da cebolinha verdadeira. “Muita gente planta a base da cebola brotada esperando colher cebolinha, mas o resultado é bem diferente”, comenta Carla.
Além disso, há uma variedade chamada cebolinha-verde — também conhecida como cebolinha de folha — que pertence à espécie Allium fistulosum e forma um leve engrossamento na base, o que reforça ainda mais a confusão com cebolas novas. Ainda assim, o uso culinário permanece o mesmo: folhas verdes para temperar com leveza.
Cultive as duas e colha os benefícios
Ter cebola e cebolinha na mesma horta é possível e altamente recomendado. Enquanto a cebolinha garante colheita constante e rápida, a cebola pede mais paciência, mas recompensa com sabor intenso e variedade. Além disso, ambas têm propriedades benéficas para a saúde — são ricas em compostos sulfurados, vitaminas e antioxidantes.
E agora que você sabe que uma não é variação da outra, vale o esforço de cultivar cada uma respeitando suas particularidades. Afinal, a natureza, mesmo em plantas com nomes parecidos, gosta de surpreender com suas diferenças.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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Mel Maria é uma jardineira e empreendedora com mais de 10 anos de experiência no cultivo e comércio de plantas em Curitiba. Como proprietária da renomada Mel Garden, ela transformou sua paixão em uma autoridade local, especializando-se em flores, suculentas e projetos de paisagismo, área na qual atua diariamente.
Sua expertise prática foi rapidamente reconhecida pela comunidade online. Mel contribui ativamente com artigos especializados para importantes plataformas do setor, começando pelo blog Maniadeplantas e hoje é uma autora de destaque na Agronamidia. Sua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orientações detalhadas e altamente confiáveis para o cultivo e o paisagismo.


