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Algodão: mercado inicia fevereiro com reação nos preços depois de mês travado
Algodão: mercado inicia fevereiro com reação nos preços depois de mês travadoSubtítulo: Estoques das indústrias limitaram compras em janeiro, mas média mensal avança 1,08%
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Claudio P. Filla
O mercado brasileiro de algodão em pluma iniciou o ano em compasso de espera. Janeiro foi marcado por negociações lentas, volumes restritos e divergências claras entre compradores e vendedores quanto aos valores praticados. Entretanto, mesmo diante desse cenário travado, os preços domésticos começaram a mostrar sinais de recuperação ao longo do mês.
Levantamento do Cepea indica que o ritmo reduzido de negócios esteve diretamente ligado à retomada gradual das atividades industriais após o recesso de fim de ano. Além disso, o desalinhamento entre expectativas de preços dificultou o fechamento de contratos no mercado spot, mantendo a liquidez abaixo do habitual.
Do lado da oferta, a prioridade dos produtores esteve longe das mesas de negociação. Com foco na semeadura e no desenvolvimento das lavouras da safra 2025/26, muitos cotonicultores reduziram a disposição para negociar volumes disponíveis. Assim, mesmo diante de oscilações internacionais, prevaleceu uma postura mais firme nas pedidas, o que limitou quedas mais expressivas nas cotações internas.
Sob a ótica da demanda, as indústrias têxteis adotaram cautela. Conforme apontam os pesquisadores do Cepea, os compradores priorizaram o uso de estoques próprios e de contratos previamente firmados. Essa estratégia permitiu atravessar o período inicial do ano sem necessidade de novas aquisições relevantes, o que, por consequência, manteve o mercado físico com poucos fechamentos.
Ainda assim, o comportamento dos preços revelou um movimento interessante. Em determinados momentos de janeiro, as cotações domésticas acompanharam a retração observada no mercado internacional. Contudo, em boa parte do mês, a sustentação veio justamente da resistência dos vendedores em aceitar valores mais baixos. Dessa forma, o Indicador Cepea/Esalq, com pagamento em oito dias, encerrou janeiro com média de R$ 3,5101 por libra-peso, avanço de 1,08% frente a dezembro de 2025.
Esse desempenho, embora modesto, sinaliza uma inflexão relevante após semanas de mercado enfraquecido. A reação indica que, mesmo em ambiente de cautela industrial e ajustes globais, a combinação entre oferta controlada e postura firme do produtor tende a sustentar os preços internos no curto prazo.
O comportamento das próximas semanas dependerá, portanto, da consolidação da retomada industrial e da dinâmica das exportações. Caso a demanda volte a ganhar tração, o algodão brasileiro pode encontrar um cenário mais favorável, especialmente se os vendedores mantiverem disciplina na oferta e o mercado externo oferecer suporte adicional às cotações.

Comunicador Social com especialização em Mídias Digitais e quase uma década de experiência na curadoria de conteúdos para setores estratégicos. No Agronamidia, Cláudio atua como Redator-chefe, liderando uma equipe multidisciplinar de especialistas em agronomia, veterinária e desenvolvimento rural para garantir o rigor técnico das informações do campo. É também o idealizador do portal Enfeite Decora, onde aplica sua expertise em paisagismo e arquitetura para conectar o universo da produção natural ao design de interiores. Sua atuação multiplataforma reflete o compromisso em traduzir temas complexos em conteúdos acessíveis, precisos e com alto valor informativo para o público brasileiro.
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