Noticias
Inovação no Show Rural 2026 mira eficiência porteira para dentro
Da lixeira inteligente ao fertilizante biológico, pesquisadores apresentam soluções com potencial direto de mercado
Publicado
3 horas atrásem

O Show Rural 2026 começou mostrando, logo nos primeiros dias, que a distância entre universidade e campo está menor do que nunca. No estande da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), pesquisadores apresentam soluções que não ficam no discurso acadêmico. São tecnologias pensadas para rodar na prática, reduzir desperdícios e atacar gargalos conhecidos do produtor rural.
A iniciativa reúne projetos desenvolvidos por diferentes instituições de ensino superior, com apoio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (Seti). No mesmo espaço, a Fundação Araucária atua na difusão de ciência aplicada ao agronegócio e à sustentabilidade, reforçando uma estratégia clara: transformar pesquisa em ferramenta de competitividade.
Não é coincidência. O Show Rural, que segue até sexta-feira (13), consolidou-se como o principal palco para testar a aceitação de soluções tecnológicas antes que elas cheguem ao mercado. Aqui, quem produz pode ver, tocar e questionar quem desenvolveu. Isso muda o jogo.
Boa parte das pesquisas em exibição é finalista do programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), coordenado pela Seti. O programa financia, com aportes de até R$ 200 mil, projetos acadêmicos que já nascem com vocação comercial. O resultado aparece nos protótipos expostos e, principalmente, nas conversas diretas entre pesquisadores e produtores ao longo do evento.
Para o secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, o protagonismo dessas iniciativas dentro do Show Rural confirma a direção adotada pelo Paraná. “Ao conectar laboratórios universitários às necessidades do setor produtivo, o Paraná acelera a inovação e, ao mesmo tempo, gera novos negócios, aproveita recursos de forma mais inteligente e constrói caminhos para uma produção rural mais sustentável”, afirma.
Resíduos deixam de ser problema e viram insumo
Entre as tecnologias que mais chamam atenção está uma lixeira inteligente desenvolvida pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no câmpus de Apucarana, no Vale do Ivaí. O equipamento automatizado transforma resíduos orgânicos domésticos e comerciais em adubo sólido e fertilizante líquido em poucos minutos, sem odor e sem a logística pesada dos sistemas tradicionais de compostagem.
Na prática, trata-se de uma solução que conversa diretamente com a realidade urbana e rural, reduz o volume destinado a aterros e devolve nutrientes ao solo. Economia circular, mas com aplicação imediata.
Outra pesquisa apresentada vem da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e resolve um problema recorrente na cadeia de alimentos: a higienização segura. O sanitizante natural desenvolvido pela equipe combina óleo essencial e ácido orgânico, eliminando 99,9% de bactérias como a Salmonella em até dez minutos. O diferencial está na ausência de resíduos químicos e de cheiro forte, um ponto sensível para produtores e processadores.
Doutor em Genética e Biologia Molecular, o professor Gerson Nakazato, do Departamento de Microbiologia da UEL, destaca o papel estratégico do evento. “Muitos profissionais do agronegócio buscam no Show Rural inovações tecnológicas para atender demandas ou otimizar a produção, o que torna o evento uma oportunidade para demonstrar como a ciência e a universidade são importantes para os principais desafios do campo”, explica.
Biotecnologia com foco em escala e custo
A biotecnologia também ocupa espaço relevante no estande da Unioeste, com projetos apoiados pelo programa Agência de Desenvolvimento Regional Sustentável (Ageuni). A proposta é clara: aproximar universidades, empresas e governos para financiar Pesquisa e Desenvolvimento que gere impacto econômico real.
Entre os estudos apresentados estão dois projetos desenvolvidos nos câmpus de Toledo e Cascavel. Um deles propõe um processo industrial capaz de converter resíduos da piscicultura, como pele e escamas de peixe, em colágeno de alto valor agregado, com aplicação direta nas indústrias alimentícia e de suplementos. Aqui, o resíduo deixa de ser custo e passa a integrar o mix de receita.
O outro projeto atua diretamente na agricultura, com foco no aprimoramento de um fertilizante biológico já existente no mercado. A meta é ampliar sua vida útil para até um ano sem necessidade de refrigeração. Para o produtor, isso significa logística mais simples, menor perda e acesso facilitado a uma tecnologia que hoje ainda enfrenta limitações fora dos grandes centros.
O recado que fica é direto. A ciência apresentada no Show Rural não está preocupada em impressionar pelo discurso, mas em resolver problemas concretos. Quem passa pelo estande da Unioeste percebe rápido: essas inovações não foram pensadas para o futuro distante. Elas já estão batendo à porteira.
Fonte: AEN / Foto: SETI
A Redação Agronamidia é composta por uma equipe multidisciplinar de jornalistas, analistas de mercado e especialistas em comunicação rural. Nosso compromisso é levar informações precisas, técnicas e atualizadas sobre os principais pilares do agronegócio brasileiro: da economia das commodities à inovação no campo e sustentabilidade ambiental. Sob a gestão da Editora CFILLA, todo o conteúdo passa por um rigoroso processo de curadoria e verificação de fatos, garantindo que o produtor rural e os profissionais do setor tenham acesso a notícias com alto valor estratégico e rigor técnico.
E-mail: [email protected]



