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Venda em Balcão dispara no Nordeste e Rio Grande do Norte lidera prêmio da Conab

Programa amplia oferta de milho subsidiado, fortalece pecuária e expande atendimento a pequenos criadores

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Venda em Balcão dispara no Nordeste e Rio Grande do Norte lidera prêmio da Conab

O Rio Grande do Norte vendeu mais de 34 mil toneladas de milho pelo Programa de Venda em Balcão em 2025. Foi o maior volume do país. O resultado colocou o estado no topo do Prêmio Grão de Ouro, concedido pela Conab.

O número chama atenção porque, há três anos, o volume girava em torno de 7,8 mil toneladas. O crescimento supera 300%. Não foi apenas aumento de estoque girando. Foi demanda real na porteira para dentro.

A expansão indica algo claro: o produtor nordestino está usando o Venda em Balcão como ferramenta estratégica de custo. Milho mais acessível significa ração mais barata. Ração mais barata melhora margem na pecuária leiteira, na caprinocultura e na suinocultura. O mercado sentiu o movimento.

A premiação ocorreu na sede da Companhia em Natal. O diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Arnoldo Anacleto de Campos, entregou o reconhecimento ao superintendente regional Sebastião José de Arruda Júnior.

Para Arnoldo, o resultado é consequência direta de política pública bem executada. “O ProVB tem papel fundamental na garantia de insumos para os pequenos criadores e na promoção da segurança alimentar. O desempenho do Rio Grande do Norte demonstra como a atuação integrada das equipes gera impactos positivos para o desenvolvimento local”, afirmou.

Crescimento veio do acesso, não apenas do estoque

O salto nas vendas não aconteceu por acaso. O número de produtores atendidos saiu de 806 para cerca de 3,3 mil. Os municípios contemplados cresceram de 114 para 141.

Ou seja, o programa capilarizou. Saiu do eixo tradicional e entrou em novas regiões. Isso muda o jogo.

Arruda Júnior atribui parte do avanço ao modelo itinerante da Companhia. “O Conab Itinerante, que leva milho às feiras e se aproxima do produtor, baixando custos, tem influenciado nessa ampliação do ProVB no estado. Levamos a Conab mais próxima dos criadores para garantir apoio na alimentação animal em períodos de estiagem ou dificuldade de oferta”, explicou.

No Semiárido, janela de compra faz diferença. Quando o preço disponível sobe no mercado privado, o estoque público funciona como amortecedor.

Piauí e Ceará seguem no mesmo ritmo

O movimento não ficou restrito ao Rio Grande do Norte.

No Piauí, o volume comercializado saiu de 8,6 mil toneladas em 2022 para aproximadamente 30 mil toneladas. Crescimento próximo de 245%. Foram quase 30 mil atendimentos realizados.

Danilo Rocha Brito Viana, superintendente da Conab no estado, resume o impacto econômico: “O estado se consolida como uma das localidades que mais comercializa milho de qualidade e a preço justo para pequenos pecuaristas. Passamos de 8 mil para cerca de 30 mil atendimentos. Isso nos enche de orgulho”.

Já no Ceará, o avanço também foi expressivo. O volume subiu de 5,2 mil toneladas para cerca de 17 mil toneladas em três anos. A base de clientes ultrapassou 1,2 mil produtores.

Para Daniel Martinho Barboza Filho, o foco foi relacionamento direto com a agricultura familiar. “Esse resultado é fruto do trabalho muito próximo aos pequenos criadores rurais para fortalecer o ProVB no estado”, destacou.

O impacto no bolso do produtor

Quando o milho representa a principal base da ração, qualquer oscilação pesa na conta final.

Se o preço sobe no mercado spot, a margem aperta. Se há quebra de safra ou atraso logístico, o custo dispara. O Venda em Balcão entra exatamente nesse ponto sensível do mix de produção.

O crescimento das vendas sugere que o produtor nordestino está buscando previsibilidade. Está fazendo conta. E está reagindo.

Além disso, o aumento de caprinos, ovinos e pequenos plantéis leiteiros na região exige oferta contínua de grãos. Sem milho, a engrenagem trava.

Segurança alimentar também entrou na equação

Durante o evento, a Conab distribuiu mais de cinco mil cestas de alimentos no estado potiguar. Ao todo, 1.852 famílias indígenas e comunidades tradicionais serão atendidas.

Cada cesta contém 21,5 quilos de alimentos básicos. A ação integra a Ação de Distribuição de Alimentos (ADA), com recursos descentralizados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

A medida amplia o alcance social da Companhia. E reforça a presença institucional no Nordeste.

O que esperar daqui para frente

O volume vendido cresceu porque houve demanda, logística e orçamento. A pergunta agora é outra: o ritmo se mantém?

Se o milho da próxima safra vier pressionado por clima ou mercado internacional, a procura pelo estoque público tende a aumentar. Se houver oferta confortável, o programa pode funcionar como complemento estratégico, não como salvaguarda.

O produtor que depende de ração precisa monitorar o preço disponível e os editais da Conab com atenção. Quem acompanha de perto compra melhor. E margem, no campo, começa no custo.

Fonte: CONAB

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