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Cecafé: exportações do Brasil recuam 31% em janeiro e mercado sente impacto da entressafra
Volume embarcado soma 2,78 milhões de sacas em janeiro, enquanto real valorizado e entressafra seguram negócios
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O Brasil embarcou 2,780 milhões de sacas de café em janeiro. O número representa uma queda de 30,8% frente ao mesmo mês de 2025. O mercado sentiu o golpe.
Em receita cambial, o país faturou US$ 1,175 bilhão, retração de 11,7% na comparação anual. A queda em valor foi menor que a do volume, o que indica que o preço médio ainda segurou parte da margem. Mas a conta não fecha igual para todos.
O que explica o recuo? Não foi um único fator.
Câmbio e preço tiraram competitividade
O mercado internacional virou a chave logo no começo do ano. As cotações externas começaram a ceder em janeiro e aprofundaram o movimento em fevereiro. Ao mesmo tempo, o real ganhou força frente ao dólar. Resultado direto: o café brasileiro ficou menos competitivo no preço disponível.
Para quem opera no físico e trava contratos com base no câmbio, isso pesa. E pesa rápido.
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o desempenho de janeiro reflete justamente essa combinação de mercado externo pressionado e ambiente doméstico mais confortável para o produtor. “O movimento de baixa dos preços internacionais, aliado à valorização do real, reduziu a competitividade do produto brasileiro”, avalia.
Mas há outro ponto que precisa ser considerado. E ele está porteira para dentro.
Produtor capitalizado segura oferta
Depois de anos de preços firmes, muitos cafeicultores entraram em 2026 capitalizados. Não há desespero por caixa. Isso muda completamente a dinâmica de venda.
“Os produtores seguem capitalizados após anos de preços firmes, o que diminui a pressão por vendas imediatas”, afirma Ferreira.
Em outras palavras: o produtor pode esperar. E quando ele espera, o fluxo de exportação desacelera.
No arábica, a situação se soma à entressafra. Os estoques seguem apertados. Já no canéfora — conilon e robusta — boa parte da produção está atendendo o mercado interno, que segue demandando volume para a indústria nacional.
O embarque caiu porque a oferta disponível para exportação encolheu. Simples assim.
Arábica ainda lidera, mas também perde força
O arábica respondeu por 84,4% das exportações de janeiro. Foram 2,347 milhões de sacas embarcadas. Mesmo assim, o volume caiu 29,1% frente ao ano anterior.
O solúvel representou 9% das vendas externas, com 249.148 sacas. Também recuou.
Já os canéforas somaram 181.559 sacas — queda mais acentuada, de 45,6%. Esse dado revela uma priorização clara do abastecimento interno neste início de ano.
O café torrado e moído manteve participação residual. Segmento pequeno, impacto limitado no mix de exportação.
Alemanha e EUA mantêm protagonismo
A Alemanha liderou as compras, com 391.704 sacas, equivalente a 14,1% do total. Mesmo assim, reduziu o volume frente a 2025.
Os Estados Unidos vieram logo atrás, com 385.841 sacas e 13,9% de participação. Itália, Bélgica e Japão completam o grupo dos principais destinos.
O fluxo caiu, mas os mercados permanecem os mesmos. Não houve mudança estrutural de destino. O ajuste foi de volume.
Cafés diferenciados preservam receita
Os cafés diferenciados — aqueles com certificação ou padrão superior — responderam por 21,2% das exportações totais. Foram 588.259 sacas embarcadas.
A receita desse segmento alcançou US$ 272,7 milhões, o que corresponde a 23,2% do faturamento total do mês. Mesmo com queda em volume, o segmento continua entregando valor agregado.
Alemanha e Estados Unidos também lideraram as compras nessa categoria. O mercado externo continua pagando prêmio por qualidade. Isso não mudou.
E agora?
A tendência para os próximos meses depende diretamente da entrada da nova safra.
No caso dos canéforas, a colheita começa a ganhar corpo a partir de maio. Se o câmbio colaborar e os preços internacionais estabilizarem, os embarques devem reagir.
Para o arábica, a recuperação fica condicionada à safra 2026/27, prevista para o segundo semestre. Até lá, o mercado deve operar com oferta ajustada e produtor seletivo na venda.
Quem trabalha com exportação precisa monitorar duas variáveis com lupa: comportamento do dólar e ritmo de comercialização interna. O cenário pode virar rápido. E quem estiver atento à janela certa de negociação tende a capturar melhor preço.
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