A Frimesa encerrou 2024 com dois resultados que merecem atenção: a certificação integral em bem-estar animal em todas as suas unidades industriais e um índice de energia renovável que ultrapassou, antecipadamente, a meta estabelecida para 2030. Os dados fazem parte do Relatório de Sustentabilidade 2025, documento que mapeia os avanços da cooperativa central nas frentes ambiental, produtiva e de governança da cadeia de fornecimento.
A conquista da certificação total segue os protocolos QIMA/WQS e PAACO, referências internacionais para avaliação de práticas de manejo e condições estruturais nas operações com animais. No campo, o avanço é igualmente expressivo: 88% das granjas de suínos já integram o Programa Suíno Certificado Frimesa, iniciativa própria da cooperativa que define critérios de manejo, instalações e controle sanitário com metas progressivas até 2030. O programa nasceu da combinação entre exigência de mercado e prevenção de riscos, e hoje é um dos pilares do posicionamento da Frimesa frente a compradores externos.
Energia renovável além da meta
No campo ambiental, o número mais relevante do relatório é o índice de 96,4% de energia renovável no consumo total das operações. A meta interna projetada para 2030 era de 95,7% — ou seja, a cooperativa chegou ao resultado com ao menos dois anos de antecedência. Parte substancial desse avanço é atribuída à ampliação do uso de biogás nas unidades de Medianeira e Assis Chateaubriand, onde os efluentes do processo produtivo são aproveitados para geração de energia. A substituição reduz o consumo de GLP e outros combustíveis fósseis, com impacto direto tanto na pegada ambiental quanto nos custos operacionais.
O resultado posiciona a Frimesa acima da média do setor proteico nacional em termos de transição energética, em um momento em que pressões regulatórias e exigências de mercados importadores tornam o tema cada vez menos opcional.
Governança e cadeia de suprimentos
O relatório também aponta avanços na estrutura de auditoria ao longo da cadeia de suprimentos, área que ganhou relevância estratégica diante do aumento das exigências de rastreabilidade por parte de compradores internacionais. A governança aparece como tema transversal, com o presidente executivo Elias José Zydek destacando, em nota, que os resultados refletem um planejamento de sustentabilidade construído para o longo prazo.
Cooperativa de escala com desempenho financeiro robusto
A Frimesa opera como central de cooperativas, reunindo Copagril, Lar, Copacol, C.Vale e Primato. Em 2025, a empresa registrou faturamento bruto de R$ 7 bilhões, com crescimento de 7% sobre o ano anterior. As exportações responderam por 26% da receita, com presença em quatro continentes. O mercado interno concentrou os outros 74% das vendas. A estrutura operacional inclui seis unidades industriais, 15 centros de distribuição e cerca de 13 mil colaboradores.
O conjunto de resultados apresentados no relatório reforça uma tendência clara no agronegócio cooperativista brasileiro: sustentabilidade deixou de ser pauta de relações institucionais para se tornar variável direta de competitividade, acesso a mercados e gestão de risco. A Frimesa, ao antecipar suas próprias metas, sinaliza que o ritmo de execução está alinhado com essa nova realidade.




