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Adapar lança campanha de atualização de rebanhos e coloca o Paraná na linha de frente da defesa sanitária nacional

De bois a abelhas, todos os animais de produção precisam ser cadastrados até 30 de junho para manter o trânsito legal e o acesso a mercados internacionais

by Derick Machado
30 de abril de 2026
in Pecuaria
Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN

Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) dá início nesta sexta-feira, 1º de maio, à Campanha de Atualização de Rebanho 2026. O prazo vai até 30 de junho e a obrigação recai sobre todo produtor rural que mantém animais de produção sob sua guarda, independentemente da espécie ou do tamanho do plantel. Bois, búfalos, cabras, ovelhas, suínos, cavalos, jumentos, mulas, abelhas, galinhas e peixes entram no levantamento.

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A campanha não é uma formalidade burocrática. Quem não atualiza o cadastro fica impedido de emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento sem o qual nenhum animal pode ser movimentado legalmente entre propriedades ou encaminhado ao abatedouro. Na prática, a ausência da GTA paralisa as negociações, expõe o produtor a autuações e, em casos mais graves, resulta em multas que comprometem diretamente a rentabilidade da atividade.

Status sanitário construído com dados do campo

O Paraná conquistou em 2021 o reconhecimento como território livre da febre aftosa sem vacinação, condição que o Brasil inteiro alcançou em 2025. Essa conquista, que abriu as portas para mercados com exigências fitossanitárias rigorosas, como Chile, Coreia do Sul e Japão, não foi obtida por acaso. Ela é resultado direto da consistência das informações coletadas anualmente junto aos produtores.

“Hoje somos um Estado livre da febre aftosa, livre também da peste suína clássica, e isso nos permitiu conquistar mais de 170 países para exportação dos nossos produtos, graças a essa informação que o produtor tem nos fornecido anualmente”, afirma o diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins.

O vínculo entre o dado declarado pelo produtor e o acesso ao mercado externo é direto. Cada propriedade que atualiza seu plantel contribui com uma camada de informação que, somada às demais, forma o mapa sanitário do Estado. Sem esse mapa atualizado, a Adapar perde precisão na resposta a emergências zoossanitárias, e o Paraná arrisca o status que levou décadas para construir.

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Planejamento sanitário começa no cadastro

Para o médico veterinário Rafael Gonçalves Dias, chefe do departamento de Saúde Animal da Adapar, a campanha é o ponto de partida de toda a estratégia de defesa sanitária do Estado. “A atualização dos dados do rebanho é o que permite que a Adapar conheça com precisão a realidade do campo, os animais que temos e onde eles estão distribuídos, o que permite planejamento e execução das ações de defesa sanitária animal, na prevenção e no controle de doenças, mas principalmente na possibilidade de responder rapidamente a emergências zoossanitárias, como a febre aftosa, a influenza aviária, a peste suína clássica e africana”, explica.

A lista de doenças monitoradas a partir desse cadastro inclui ameaças de alto impacto econômico: influenza aviária de alta patogenicidade, raiva dos herbívoros, brucelose e tuberculose bovinas, além das pestes suínas. O controle dessas enfermidades depende, em primeiro lugar, de saber exatamente quantos animais existem, de quais espécies e em que regiões do Estado estão concentrados. Sem esse dado atualizado, qualquer plano de contenção perde eficácia antes mesmo de ser colocado em prática.

“Essa atualização vai permitir que a gente mantenha os nossos status sanitários e que consiga preservar os nossos mercados, as nossas exportações, tanto fora do país como internamente”, complementa Rafael Dias.

Rastreabilidade como ativo produtivo

Além da dimensão sanitária, a atualização do rebanho fortalece a rastreabilidade dos animais de produção, um dos critérios cada vez mais exigidos por compradores nacionais e internacionais. Frigoríficos e agroindústrias que operam com protocolos de qualidade rastreada necessitam de fornecedores com documentação em ordem, o que começa exatamente pelo cadastro ativo junto à Adapar.

Aliás, o próprio acesso ao crédito rural em algumas linhas de financiamento vinculadas à sanidade animal pode ser afetado pela irregularidade cadastral, tornando a atualização não apenas uma obrigação legal, mas também um requisito prático para a gestão financeira da propriedade.

Como fazer a atualização

A campanha conta com canais variados para facilitar o acesso do produtor. O cadastro pode ser feito pelo aplicativo Paraná Agro, pelo site da Adapar ou presencialmente nos escritórios locais da autarquia, nos sindicatos rurais municipais e nos escritórios de atendimento municipais. A descentralização do processo amplia o alcance da campanha, especialmente para produtores em municípios menores ou com dificuldade de acesso à internet.

A mobilização vai além da Adapar. A Federação da Agricultura do Paraná (Faep), o Sindicato e Organizações das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), os sindicatos rurais municipais e as associações rurais paranaenses integram o esforço de divulgação, assim como os órgãos vinculados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado.

Otamir Martins fez um apelo direto ao setor. “Faço um apelo especial aos produtores, às entidades produtoras, aos sindicatos rurais, às cooperativas, a todas as instituições ligadas ao agronegócio, para que nos ajudem a divulgar e mostrar ao produtor a importância deste momento dedicado à atualização do rebanho”, declarou o diretor-presidente da Adapar.

O prazo de 30 de junho define o limite para que o produtor regularize sua situação sem enfrentar restrições operacionais. Quem atualiza o cadastro mantém a GTA disponível, preserva o acesso às cadeias comerciais e reforça, com um dado concreto, o conjunto de informações que sustenta a posição do Paraná como referência em sanidade animal no Brasil.

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