Entre os dias 18 e 21 de maio, Campinas foi palco de uma das etapas mais relevantes na construção de uma nova política pública para o agronegócio paulista. A sede da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, recebeu a Missão do Banco Mundial para o Projeto Agro Paulista Mais Verde, um encontro que reuniu especialistas internacionais da instituição financeira, gestores públicos e representantes do setor produtivo em torno de um objetivo concreto: afinar o desenho e preparar o terreno para a implementação da iniciativa.
A agenda de quatro dias foi estruturada como um espaço de escuta ativa. Os debates não se limitaram a diagnósticos gerais; avançaram sobre análises de viabilidade, metodologias de fomento a práticas de menor impacto de carbono, estratégias de fortalecimento da extensão rural, conectividade no campo e acesso ao mercado. Indicadores de desempenho e estruturas de governança também estiveram na mesa, com atenção especial a um ponto que costuma se perder nos projetos de grande porte: como garantir que a inovação tecnológica se traduza em melhoria real na vida do produtor rural.
Uma parceria que vai além do financiamento
O Agro Paulista Mais Verde nasce de um acordo de empréstimo entre o Governo do Estado de São Paulo e o Banco Mundial, e será executado pela SAA-SP por meio da CATI. Mas o que diferencia essa iniciativa de um projeto convencional de financiamento agrícola é a ambição do seu escopo: integrar produtividade, preservação ambiental, segurança alimentar e resiliência climática em uma única política pública de alcance estadual.
Para o secretário-executivo da SAA-SP, Diógenes Kassaoka, a presença do Banco Mundial na construção do projeto é mais do que um sinal de apoio institucional. “Ter o Banco Mundial como principal parceiro na validação e construção do Agro Paulista Mais Verde nos dá a segurança de que estamos construindo uma política pública robusta”, afirma.
A declaração reflete uma mudança de postura na formulação de políticas agropecuárias: em vez de desenhar primeiro e consultar depois, o processo incorpora a validação técnica internacional como parte integral do desenvolvimento, antes mesmo da aprovação formal. Esse modelo reduz o risco de distorções na implementação e aumenta a probabilidade de que os recursos cheguem a quem de fato produz.
O que foi construído ao longo da semana
As sessões de trabalho avançaram sobre pontos que, em projetos de menor maturidade, costumam ser adiados para fases posteriores. A missão tratou de metodologias de extensão rural adaptadas à realidade paulista, de mecanismos para reduzir a pegada de carbono nas cadeias produtivas e de estratégias para ampliar o acesso dos produtores a mercados mais exigentes em critérios socioambientais.
Alexandre Grassi, coordenador de extensão rural da CATI, que representou o diretor Ricardo Pereira durante a missão, enxerga no encontro uma oportunidade que vai além da agenda imediata. “É um momento de alinhar visões, refinar metodologias de extensão rural e, principalmente, pensar em como potencializar o impacto das nossas políticas públicas na ponta, junto ao produtor rural”, comenta Grassi.
Esse olhar para a “ponta” é justamente onde projetos ambiciosos costumam fraquejar. A extensão rural funciona como o elo entre a política pública desenhada nos gabinetes e a prática diária em campo, e o investimento na capacidade técnica da CATI para executar essa ponte é um dos pilares que o projeto pretende fortalecer.
Próximos passos: documentações, aprovações e mobilização
A missão encerrou seu ciclo de trabalho com um roteiro claro para as próximas fases. A economista Barbara Farinelli, representante do Banco Mundial, detalhou o caminho à frente com precisão: “Estamos aqui apoiando o Estado na avaliação final do desenho do projeto, após muitas discussões internas, externas, com consultas públicas ao setor privado, comunidade, potenciais beneficiários e parceiros. O próximo passo é preparar as documentações para as aprovações internas, tanto dentro do Banco quanto no Estado e junto ao Governo Federal. O trabalho continua: de preparação e elaboração dos materiais do projeto, como os editais; as agendas de engajamento, de mobilização dos beneficiários. Uma vez que todos esses trâmites aconteçam, o Agro Paulista Mais Verde estará mais pronto para estar em contato com os beneficiários e para começar os investimentos”, explica.
O trecho resume com clareza o estágio em que o projeto se encontra: saiu da fase de consultas e entrou na fase de formalização. As aprovações internas no Banco Mundial e no âmbito do Estado e do Governo Federal são o próximo obstáculo antes que os investimentos comecem a chegar ao campo.
A consulta pública ainda está aberta
Até esta sexta-feira (22), o Plano de Envolvimento das Partes Interessadas (PEPI) segue com consulta pública aberta. Produtores rurais, entidades do setor e qualquer cidadão interessado podem registrar manifestações pelo site agricultura.sp.gov.br/cati/projeto-agro-paulista-mais-verde.




