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Agrotóxicos afetam milhares de genes em abelhas e comprometem a polinização

Estudo premiado da Unesp mostra que doses subletais do inseticida imidacloprido alteram profundamente a saúde genética das abelhas africanizadas

Revisão: Derick Machado
8 de maio de 2026
in Agricultura
Agrotóxicos afetam milhares de genes em abelhas e comprometem a polinização

Em um cenário cada vez mais pressionado pela demanda agrícola, as abelhas seguem enfrentando desafios silenciosos e perigosos. Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp, em Botucatu, trouxe à tona uma descoberta alarmante: o agrotóxico imidacloprido, amplamente utilizado nas lavouras brasileiras, é capaz de alterar a expressão de milhares de genes em abelhas Apis mellifera africanizadas — mesmo em concentrações que não provocam morte imediata.

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A tese, orientada pelo professor Ricardo de Oliveira Orsi e desenvolvida por Isabella Cristina de Castro Lippi durante seu doutorado, foi reconhecida com menção honrosa no Prêmio Capes de Tese 2025, concorrendo com mais de 1.500 trabalhos de todo o país. Os resultados revelam impactos genéticos profundos e duradouros, com consequências diretas para o equilíbrio ambiental e a produção de alimentos no Brasil.

Alterações genéticas que comprometem o papel ecológico das abelhas

Ao investigar os efeitos do imidacloprido sobre o transcriptoma — o conjunto de todos os genes expressos — das abelhas, a equipe científica identificou que funções vitais foram severamente comprometidas após a exposição ao inseticida. Entre os sistemas afetados estão a imunidade, o metabolismo, a nutrição, o comportamento, a visão e até mesmo a capacidade de voo.

Embora as abelhas não morressem imediatamente após o contato com o produto, os efeitos subletais se mostraram ainda mais preocupantes: esses indivíduos, enfraquecidos por dentro, perdiam funções essenciais ao longo dos dias, sem que a causa aparente fosse facilmente identificada no campo. O declínio era silencioso — mas devastador.

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Aliás, esses dados tornam-se ainda mais relevantes considerando que as abelhas são responsáveis pela polinização de boa parte das frutas, legumes e oleaginosas consumidas diariamente. A depender da espécie vegetal, a ausência desses insetos pode simplesmente inviabilizar a produção. Assim, os resultados apontam para um risco não apenas ecológico, mas diretamente ligado à segurança alimentar global.

Um trabalho de precisão: da colmeia ao laboratório

A pesquisa foi conduzida com método rigoroso. Os testes aconteceram nas colmeias experimentais da Fazenda Lageado e os procedimentos moleculares foram realizados no Instituto de Biotecnologia da Unesp. Para garantir que os dados fossem rastreáveis, as abelhas foram marcadas manualmente assim que emergiam — um processo minucioso, que exigia encontrar, entre milhares, aquelas que receberam uma pequena marca de tinta no dorso.

Após 21 dias, os indivíduos marcados eram coletados cuidadosamente e submetidos à análise genética. Foi nesse ponto que os impactos moleculares se revelaram com mais clareza. O genoma das abelhas havia mudado, silenciosamente, enquanto seguiam dentro da colmeia.

Durante o doutorado, Isabella também teve passagem pela Universidade de Queensland, na Austrália, onde aprofundou a análise dos dados ao lado de pesquisadores internacionais. O intercâmbio acadêmico resultou na publicação de artigos científicos com forte repercussão, especialmente por trazer luz ao efeito das doses subletais, comumente ignoradas nos testes convencionais de toxicidade.

Doses que não matam, mas desorganizam todo o sistema

A descoberta mais impactante da pesquisa foi a constatação de que as doses subletais de agrotóxicos — aquelas que não matam o inseto de imediato — foram ainda mais destrutivas que as letais, justamente porque prolongam o sofrimento celular e desorganizam funções essenciais.

Segundo Isabella, esse efeito retardado é particularmente perigoso para os apicultores. É comum que colmeias sejam transportadas para áreas agrícolas durante períodos de floração intensa, com o objetivo de aumentar a produção de mel e, ao mesmo tempo, ajudar na polinização. Contudo, a exposição inadvertida a inseticidas como o imidacloprido pode causar perdas colossais e invisíveis.

Além disso, o Brasil ainda mantém legislações mais permissivas em comparação a países europeus, o que reforça a urgência de reavaliar os protocolos de risco e os limites toleráveis de resíduos. A pesquisadora defende que os testes de segurança precisam ser repensados, incluindo a análise do impacto genético, e não apenas a mortalidade imediata das abelhas.

Contribuição científica para um futuro mais sustentável

O estudo faz parte do trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Ensino, Ciência e Tecnologia em Apicultura Racional (NECTAR), da FMVZ/Unesp, um dos mais importantes grupos de pesquisa do país na área. O núcleo já contribuiu para decisões regulatórias no Brasil, como a limitação do uso do Fipronil, outro inseticida de alta toxicidade para abelhas.

Segundo o professor Orsi, o trabalho de Isabella representa uma contribuição valiosa para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Ao unir saúde ambiental, genética e segurança alimentar, a pesquisa se alinha aos princípios da Saúde Única, que integra o bem-estar de humanos, animais e ecossistemas.

Atualmente, Isabella segue sua trajetória científica na Universidade de Queensland e busca implementar, na Austrália, estudos semelhantes aos conduzidos no Brasil. Enquanto isso, o NECTAR continua aprofundando suas análises sobre o impacto dos agrotóxicos em polinizadores, com dois grandes objetivos: contribuir para a formulação de políticas públicas e fomentar o desenvolvimento de tecnologias agrícolas menos agressivas.

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