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Algodão em pluma rompe R$ 3,60 a libra-peso no mercado brasileiro

Entressafra nacional e alta do diesel sustentam a firmeza dos vendedores e impulsionam as cotações para o maior patamar desde outubro

by Derick Machado
18 de março de 2026
in Mercado Agro
Algodão em pluma rompe R$ 3,60 a libra-peso no mercado brasileiro

Os preços do algodão em pluma reagiram com força no mercado brasileiro. Após meses operando em um intervalo estreito, entre R$ 3,40 e R$ 3,50 a libra-peso, as cotações superaram os R$ 3,60, rompendo um teto que se manteve praticamente estável desde outubro de 2025. A combinação de fatores externos e internos está por trás dessa movimentação, e os sinais do mercado indicam que o novo patamar tem base para se sustentar no curto prazo.

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De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), três vetores explicam a alta recente: a valorização externa da pluma nos mercados internacionais, o período de entressafra no Brasil e o aumento dos custos logísticos, principalmente em razão da pressão do preço do diesel sobre o frete. Esses três elementos atuaram de forma simultânea, o que deu consistência ao movimento de alta e reduziu a disposição dos vendedores em aceitar descontos.

Entressafra sustenta a firmeza dos vendedores

A posição dos vendedores no mercado spot reflete com clareza o momento da cadeia produtiva. Com o Brasil em período de entressafra do algodão, o volume disponível para negociação imediata é naturalmente menor, o que confere poder de barganha a quem detém estoque. Os pesquisadores do Cepea apontam que essa condição tem mantido os pedidos firmes nos novos patamares de preço, sem concessões relevantes por parte de quem vende.

Por outro lado, o comportamento dos compradores divide-se em dois perfis distintos. Uma parcela mostra disposição para pagar mais por novos lotes no mercado spot, aceitando os preços acima de R$ 3,60 para garantir volume. Outra parte, contudo, permanece concentrada no cumprimento de contratos a termo já firmados e monitora de perto as vendas de manufaturados antes de ampliar posições. Essa divisão entre compradores mais ativos e mais cautelosos sinaliza que o mercado ainda busca um novo ponto de equilíbrio.

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Logística puxa custo e adiciona pressão às cotações

O aumento dos custos logísticos é um elemento que tende a ser subestimado na análise de preços de commodities agrícolas, mas seu peso sobre as cotações do algodão é direto. Com o diesel mais caro, o custo do transporte da pluma desde as regiões produtoras do Cerrado e do Matopiba até os centros de processamento e os portos de exportação cresce, pressionando a estrutura de preços ao longo de toda a cadeia.

Aliás, o Brasil ocupa posição de destaque na produção mundial de algodão, com o Mato Grosso respondendo por cerca de 70% do volume nacional. A distância entre os campos de produção e os pontos de escoamento faz da logística um componente estrutural do custo do algodão brasileiro, não apenas uma variável conjuntural. Assim, cada oscilação relevante no preço do diesel se traduz, quase que diretamente, em pressão sobre as margens dos produtores e nas condições de negociação no mercado físico.

Mercado externo amplia o sinal de alta

As valorizações recentes da pluma nos mercados internacionais funcionaram como um catalisador para o movimento interno. A referência externa do algodão, negociado na bolsa de Nova York (ICE Futures), influencia diretamente as expectativas dos agentes do mercado brasileiro, sobretudo exportadores e tradings, que calibram seus preços de compra com base no câmbio e nas cotações internacionais.

Dessa forma, quando o mercado externo sinaliza alta, o piso de preços no mercado doméstico tende a subir junto, especialmente em um momento em que o Brasil já opera com oferta reduzida pela entressafra. A confluência entre o sinal externo positivo e a restrição interna de volume criou as condições para que os R$ 3,60 fossem superados com relativa consistência.

Cinco meses de estabilidade cedem espaço a novo ciclo de preços

O intervalo entre R$ 3,40 e R$ 3,50 que vigorou de outubro de 2025 até as últimas semanas não era um patamar de preços baixos em termos históricos, mas funcionava como um teto implícito que restringia os ganhos dos vendedores. A manutenção desse intervalo por cerca de cinco meses criou uma base de comparação importante para o mercado, e sua ruptura agora carrega significado estratégico para os produtores que ainda retêm estoque.

Para os cotonicultores que adiaram negociações na expectativa de melhora nas cotações, o momento exige atenção ao fluxo de caixa e à capacidade de armazenagem, além do monitoramento contínuo das variáveis que sustentam a alta atual. A combinação de entressafra e custo logístico elevado tem prazo de validade: com o avanço da nova safra e eventual estabilização do diesel, parte desse prêmio de preço pode ser corroída. A janela aberta agora pode ser mais curta do que parece.

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

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