Produtores rurais de qualquer região do Brasil, incluindo os que vivem em assentamentos de reforma agrária, passaram a ter acesso gratuito a um conjunto robusto de informações técnicas sobre o cultivo de maracujá e uva para processamento. Os novos conteúdos foram disponibilizados na plataforma Ater+ Digital e lançados oficialmente durante a AgroBrasília 2026, em Brasília, na última sexta-feira (22).
A iniciativa vai além de disponibilizar materiais na internet. Ela representa uma mudança concreta na forma como o conhecimento gerado pela pesquisa agropecuária chega até quem trabalha diretamente na terra — e o celular é o principal canal dessa transformação.
Informação técnica na linguagem de quem produz
Os novos hubs temáticos da plataforma cobrem a cadeia produtiva completa das duas culturas. No caso do maracujá, os conteúdos vão do preparo do solo e escolha de cultivares ao manejo da produção, pós-colheita, mercado, receitas e análise de rentabilidade. Para a uva destinada ao processamento, o mesmo modelo foi adotado, reunindo orientações práticas voltadas tanto para produtores familiares quanto para técnicos e extensionistas rurais.
Os materiais estão organizados em vídeos, áudios, cartilhas, publicações técnicas, web stories e cursos gratuitos — tudo pensado para ser consumido via smartphone, sem exigir conexão de alta velocidade ou equipamentos sofisticados.
“O maracujá é cultivado em todas as unidades federativas do Brasil, do Rio Grande do Sul a Roraima, e o uso crescente de smartphones no campo facilita o acesso direto às informações e tecnologias da Embrapa”, destacou Fábio Faleiro, pesquisador da Embrapa Cerrados e um dos responsáveis pela condução dos conteúdos sobre a cultura.
Tecnologia que chega onde o técnico muitas vezes não chega
Um dos pontos mais relevantes da plataforma é a sua capacidade de alcançar regiões onde a assistência técnica presencial é escassa ou inexistente. Faleiro relatou satisfação ao observar produtores acessando cursos da Embrapa diretamente pelo celular, inclusive em assentamentos — contextos onde o acesso à informação qualificada historicamente enfrenta barreiras logísticas e econômicas.
“Plataformas como a Ater+ Digital e o e-Campo permitem que informações técnicas cheguem a produtores de regiões mais distantes, fortalecendo a transferência de tecnologia no meio rural”, reforçou o pesquisador durante o lançamento.
Essa capacidade de penetração em territórios de difícil acesso é exatamente o que diferencia a proposta do Ater+ Digital de iniciativas convencionais de extensão rural. A plataforma funciona como um extensionista digital disponível a qualquer hora, em qualquer lugar com sinal de internet.
Uma parceria institucional de peso
O Ater+ Digital não é um projeto isolado. Lançada em 2024, a plataforma resulta de uma articulação institucional ampla, envolvendo a Embrapa, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Anater, a Asbraer, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e outras entidades ligadas à extensão rural e à inovação agropecuária.
Essa rede de parceiros garante tanto a solidez técnica dos conteúdos quanto a capilaridade necessária para que a plataforma chegue a públicos diversificados em escala nacional. A integração entre pesquisa, política pública e financiamento internacional é um dos pilares que sustentam a iniciativa a longo prazo.
Estratégia digital que vai além de dois cultivos
Aline Branquinho, supervisora de Transferência de Tecnologia em Ambientes Digitais da Embrapa, apresentou durante o evento as estratégias da empresa para ampliar a presença digital no campo. Além do Ater+ Digital, outras duas plataformas integram esse ecossistema: o e-Campo e a Minha Ater Digital, cada uma com focos complementares para atender diferentes perfis de usuários e situações de uso — desde ações remotas até suporte presencial em campo.
A plataforma já conta com hubs temáticos sobre mandioca, manga, peixes, sistemas agroflorestais, mudanças climáticas e sistemas agrícolas tradicionais, além dos novos módulos de maracujá e uva. Ferramentas de monitoramento climático, análise de mercado, gestão de propriedades e controle de pragas também estão disponíveis, tornando o ambiente útil na rotina cotidiana de produtores e extensionistas.
O cenário que se desenha é o de uma agricultura cada vez mais conectada, onde o acesso à informação de qualidade deixa de ser privilégio de quem tem recursos para contratar assistência técnica especializada. Para milhares de produtores brasileiros, especialmente os da agricultura familiar, uma plataforma gratuita no celular pode ser a diferença entre uma safra bem conduzida e uma oportunidade perdida.




