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Banana irrigada de Bom Jesus da Lapa entra no mapa das Indicações Geográficas
Reconhecimento oficial do Inpi coloca a fruta baiana entre os 154 produtos certificados no país e fortalece o posicionamento comercial da região
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A banana produzida no perímetro irrigado do Projeto Formoso, em Bom Jesus da Lapa (BA), acaba de conquistar o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência. O reconhecimento foi publicado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e reposiciona a fruta no mercado. Não é detalhe burocrático. É ativo comercial.
O selo confirma que a notoriedade da banana está diretamente ligada ao território, ao sistema de irrigação e ao manejo adotado pelos produtores locais. O mercado sentiu o movimento.
Bom Jesus da Lapa está inserido em uma região estratégica do Vale do São Francisco, onde clima semiárido, solos específicos e irrigação tecnificada criaram um padrão produtivo consistente ao longo dos anos. Porteira para dentro, o diferencial está no controle hídrico e no manejo fitossanitário. Porteira para fora, o impacto é reputacional — e financeiro.
A área delimitada para a IG corresponde aos limites do município. Isso significa rastreabilidade territorial clara, algo cada vez mais exigido por atacadistas e redes varejistas. Quando o consumidor paga mais por uma fruta com origem certificada, ele compra previsibilidade de qualidade.
A Bahia agora soma seis Indicações Geográficas na categoria Indicação de Procedência. Já estavam na lista o cacau e chocolate do Sul da Bahia, o café do Oeste baiano, a cachaça da Microrregião de Abaíra e a renda de bilro de Saubara. O café da Chapada Diamantina, por sua vez, possui Denominação de Origem. Além disso, o Estado divide com Pernambuco as IGs das uvas e mangas do Vale do Submédio São Francisco e dos vinhos e espumantes do Vale do São Francisco.
Mas o que isso significa na prática?
Significa margem. Significa poder de negociação. Significa defesa contra commodity pura.
O Brasil soma hoje 154 Indicações Geográficas reconhecidas pelo Inpi. É um número relevante, mas ainda distante de países como a Itália, que acumula quase 900 certificações para alimentos e bebidas. Existe espaço para crescer — e Bom Jesus da Lapa decidiu não esperar.
Para Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, o selo vai além da proteção jurídica. “Na maioria das vezes, temos um número expressivo de famílias envolvidas na fabricação daquele produto e que geralmente prezam por práticas sustentáveis, trazendo renda e reconhecimento cultural para a comunidade onde vivem”, afirmou em nota.
Sob essa ótica, a IG não é apenas marketing territorial. É estratégia de desenvolvimento regional. Quando um produto conquista identidade própria, ele reduz dependência de intermediários e fortalece o mix de comercialização.
A banana irrigada de Bom Jesus da Lapa já tem presença consolidada nos grandes centros consumidores. Agora, com o selo, a tendência é buscar diferenciação também no mercado externo, onde a origem pesa na formação de preço.
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