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Baterias de carros elétricos podem virar fertilizante agrícola e reduzir dependência de importação

Revisão: Derick Machado
2 de fevereiro de 2026
in Noticias
Baterias de carros elétricos podem virar fertilizante agrícola e reduzir dependência de importação

O crescimento acelerado dos veículos elétricos trouxe ganhos ambientais evidentes na redução de emissões. Entretanto, um desafio começa a ganhar escala silenciosamente: o destino das baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) após o fim de sua vida útil, geralmente em torno de uma década. Diante desse cenário, pesquisadores da Universidade de Wisconsin–Milwaukee propõem uma solução que conecta mobilidade elétrica e produção agrícola de forma estratégica.

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O grupo liderado pelo professor Deyang Qu, chefe do Departamento de Engenharia Biomédica da instituição, desenvolveu um método químico capaz de transformar baterias usadas em fertilizantes agrícolas, ao mesmo tempo em que recupera o lítio para reutilização industrial. Assim, o que hoje representa um passivo ambiental e econômico pode se converter em ativo produtivo para dois setores distintos.

A base da tecnologia está em um processo conhecido como troca iônica, amplamente empregado em tratamento de água e em aplicações industriais. Nesse sistema, resinas especiais substituem os íons de lítio presentes na bateria por íons de hidrogênio ou potássio. Como resultado, mais de 90% do lítio pode ser recuperado de forma eficiente, com reações que atingem equilíbrio em cerca de 20 minutos.

Após a retirada do lítio, entretanto, a solução residual não perde valor. Pelo contrário, ela ainda concentra fósforo, potássio e nitrogênio — três macronutrientes essenciais à agricultura moderna. Dessa forma, o processo gera dois fluxos produtivos: devolve o lítio à cadeia de fabricação de baterias e converte os demais componentes em matéria-prima para fertilizantes.

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Segundo Deyang Qu, o modelo atual de reciclagem das baterias LFP enfrenta um entrave econômico relevante. “Hoje, custa mais reciclar as baterias do que o valor do que recuperamos”, afirmou o professor em nota oficial da universidade. Por isso, a busca por uma alternativa financeiramente viável tornou-se central. Ao incorporar a produção de fertilizante à equação, o projeto passa a agregar valor adicional ao resíduo, tornando o processo mais sustentável sob o ponto de vista econômico.

Além disso, o impacto potencial vai além do reaproveitamento de materiais. Fertilizantes são insumos estratégicos para a produtividade agrícola e para a segurança alimentar. Grande parte dos minerais utilizados na formulação desses produtos é importada, o que expõe o setor a oscilações geopolíticas e logísticas. Nesse contexto, a reciclagem de baterias pode representar uma fonte doméstica imediata de nutrientes, reduzindo a dependência externa e o consumo energético associado à mineração tradicional.

Outro ponto relevante é a eficiência operacional. Como o método utiliza tecnologias já consolidadas comercialmente, a ampliação para escala industrial tende a ser mais viável do que processos experimentais complexos. A pesquisa, inicialmente conduzida em laboratório com apoio interno da universidade e em colaboração com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, avança agora para testes práticos.

A próxima etapa prevê a produção do fertilizante em maior volume e sua comparação com produtos convencionais em campo aberto. Está programado um experimento em uma área de um acre cultivada com tomates, o que permitirá avaliar desempenho agronômico, absorção de nutrientes e possíveis impactos no rendimento das plantas. Caso os resultados confirmem a eficácia do insumo, a equipe pretende apresentar a tecnologia a fabricantes de fertilizantes e discutir sua aplicação em larga escala.

Sob essa ótica, a proposta dialoga com dois desafios contemporâneos: a gestão sustentável de resíduos industriais e a necessidade de aumentar a eficiência na produção de alimentos. Em vez de tratar as baterias usadas apenas como passivo ambiental, a pesquisa as reposiciona como reserva estratégica de nutrientes.

“Há apenas duas opções para lidar com esse tipo de resíduo. Ou os fabricantes, ou o governo terão de pagar pelo descarte. Isso nos inspirou a buscar uma solução economicamente sustentável”, conclui Deyang Qu.

Fonte: Umsoplaneta

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