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Café da Serra de Apucarana recebe selo de origem e fortalece economia regional

by Derick Machado
27 de janeiro de 2026
in Noticias
Café da Serra de Apucarana recebe selo de origem e fortalece economia regional

A cafeicultura paranaense acaba de alcançar um novo marco. O Café da Serra de Apucarana recebeu a 24ª Indicação Geográfica (IG) concedida ao Paraná, consolidando o Estado como referência nacional na produção de alimentos com identidade territorial reconhecida. Mais do que um selo, a certificação atesta que as qualidades sensoriais do produto estão diretamente ligadas ao meio geográfico — solo, clima, altitude e, sobretudo, ao saber-fazer transmitido entre gerações.

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Abrangendo os municípios de Apucarana, Cambira e Arapongas, o reconhecimento na modalidade Denominação de Origem (DO) posiciona o café da região ao lado de produtos que carregam uma relação intrínseca com o território. Trata-se da terceira DO paranaense, reforçando o avanço da cafeicultura de qualidade no Estado.

Denominação de Origem: quando o território define o sabor

Diferentemente da Indicação de Procedência, a Denominação de Origem reconhece que as características do produto decorrem essencialmente do ambiente natural e das práticas locais. No caso do Café da Serra de Apucarana, fatores como altitude superior a 700 metros, temperaturas amenas e regime de chuvas bem distribuído contribuem para a maturação lenta dos grãos da variedade arábica, o que eleva a complexidade sensorial da bebida.

Além disso, a presença de ácido fosfórico no solo da região favorece um perfil equilibrado, com acidez delicada e notas frutadas que remetem a frutas amarelas e vermelhas, além de nuances de melaço. Entretanto, não é apenas o ambiente que determina o padrão superior: métodos seletivos de colheita e secagem controlada garantem uniformidade e preservação dos aromas.

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Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Marcio Nunes, a certificação confirma a consolidação da qualidade regional. “O reconhecimento do Café da Serra de Apucarana com o selo de Indicação Geográfica comprova que a cafeicultura paranaense encontrou o seu caminho através da qualidade”, celebrou. Segundo ele, a combinação entre técnicas modernas e tradição produtiva permitiu elevar o patamar do café paranaense nos mercados interno e externo.

Impacto direto na economia local

O selo deve beneficiar diretamente 250 produtores de Apucarana, 50 de Cambira e um de Arapongas. Entretanto, os reflexos vão além das propriedades certificadas. A valorização do produto tende a ampliar margens de comercialização, fortalecer cooperativas e impulsionar cadeias ligadas à torrefação e ao comércio especializado.

O prefeito de Apucarana, Rodolfo Mota, destaca que o reconhecimento chega em um momento estratégico. “Na prática, isso significa mais dinheiro no bolso do produtor, garante um padrão de qualidade para o consumidor e gera, também, mais dinheiro para a economia do município”, pontua. Atualmente, o município ocupa a quinta posição entre os maiores produtores de café do Paraná, com cerca de 1.200 hectares cultivados e produção anual aproximada de 2,3 mil toneladas, movimentando R$ 215 milhões por ano.

Aliás, a relação histórica da cidade com a cafeicultura é tão profunda que bairros receberam nomes de variedades como Catuaí e Sumatra, evidenciando a identidade cultural construída em torno da produção.

Organização coletiva e apoio institucional

A conquista da IG foi viabilizada com o apoio do programa Sebraetec, do Sebrae/PR, além de recursos da Prefeitura de Apucarana e suporte técnico do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR). A Associação dos Cafeicultores de Apucarana (Acap) teve papel central na articulação dos produtores e na padronização das práticas exigidas pelo regulamento da Denominação de Origem.

Para Carlos César Bovo, presidente da Acap, o reconhecimento é resultado de características únicas do território. “O selo reconhece que o café de Apucarana é especial. Graças às características do solo e do clima da nossa cidade, produzimos um café que só é encontrado aqui e na África”, afirma.

Já o consultor do Sebrae/PR, Tiago Correia da Cunha, ressalta o diferencial competitivo proporcionado pela certificação. “Com a IG, Apucarana se soma a Mandaguari e às cidades do Norte Pioneiro como referência em qualidade na cafeicultura, atestando as boas práticas de produção e manejo. Esse selo dá uma vantagem competitiva para o café conquistar novos mercados nacionais e internacionais”, destaca.

Fonte: AEN

  • Derick Machado

    Derick Machado é editor e curador de conteúdo especializado em agronegócio. Acompanha de perto as principais pesquisas, tecnologias e movimentos de mercado que impactam produtores rurais brasileiros, com base em fontes institucionais como Embrapa, Cepea/Esalq, MAPA e IBGE.

    E-mail:  contato@agronamidia.com.br

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