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Cafeicultura paranaense vira atração imersiva no Show Rural

Revisão: Derick Machado
5 de fevereiro de 2026
in Noticias
Cafeicultura paranaense vira atração imersiva no Show Rural

O café paranaense assume papel de destaque no Show Rural Coopavel 2026, realizado de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel, ao se transformar em uma experiência imersiva que une ciência, sensorialidade e identidade regional. O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) apresenta o Centro de Experiências do Café, um espaço concebido para traduzir, de maneira prática e acessível, como pesquisa agronômica, tecnologia e manejo no campo impactam diretamente o que chega à xícara do consumidor.

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Aberto gratuitamente ao público das 8h às 17h, o ambiente foi estruturado para conduzir produtores, estudantes, técnicos e apreciadores por uma jornada que ultrapassa o sabor final. Aliás, a proposta é justamente ampliar o olhar sobre a complexidade da bebida, evidenciando que cada nota sensorial carrega decisões tomadas desde o plantio até a torra.

A pesquisadora do IDR-Paraná, Patrícia Santoro, idealizadora do projeto, destaca que o espaço nasceu com a intenção de provocar curiosidade e aprofundar o entendimento sobre o café. “A ideia é mostrar que o café vai muito além do sabor final. Cada aroma, cada nota sensorial, é resultado de uma combinação de fatores como cultivo, clima, solo, manejo, processamento e torra. Queremos que o visitante vivencie isso na prática, interagindo e aprendendo”, afirma. Dessa forma, a experiência deixa de ser apenas contemplativa e passa a ser formativa.

A imersão começa pela percepção dos aromas presentes em cafés de alta qualidade produzidos no Paraná. Frutas, flores, especiarias e chocolate surgem como pistas sensoriais que ajudam o visitante a reconhecer a diversidade do perfil regional. Em seguida, o percurso avança para a compreensão dos gostos básicos e da adstringência, permitindo que o público identifique como os métodos de processamento pós-colheita influenciam diretamente o resultado final da bebida.

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Antes de chegar à xícara, entretanto, o grão passa por uma etapa decisiva: a torra. O espaço dedica atenção especial às transformações físicas e químicas que ocorrem nesse processo, evidenciando como pequenas variações de temperatura e tempo podem alterar significativamente o perfil sensorial. Assim, o visitante percebe que qualidade não é acaso, mas consequência de decisões técnicas bem fundamentadas.

O roteiro também contempla a degustação de cafés oriundos de diferentes regiões produtoras do Estado, possibilitando comparações entre perfis sensoriais distintos. Solo, clima, relevo e práticas agronômicas se revelam como fatores determinantes na construção da identidade de cada bebida. Por isso, o Centro de Experiências atua também como vitrine da diversidade produtiva paranaense.

O percurso se encerra com a apresentação das cultivares desenvolvidas pelo IDR-Paraná, reconhecidas por produtividade, vigor e resistência a pragas, doenças e nematoides. Contudo, não se trata apenas de desempenho no campo. Essas variedades também foram selecionadas pela capacidade de gerar grãos com elevado potencial de qualidade na xícara, alinhando rentabilidade e valorização de mercado.

Para a diretora de Pesquisa e Inovação do IDR-Paraná, Vania Moda Cirino, a iniciativa reforça o papel estratégico da instituição na consolidação da cafeicultura estadual. “Traduz para diferentes públicos o trabalho que o IDR-Paraná desenvolve há décadas. É ciência aplicada, inovação e assistência técnica conectadas ao produtor e ao consumidor, mostrando que o Paraná tem tecnologia, qualidade e identidade na produção de cafés”, afirma. Assim, o espaço não apenas divulga resultados, mas demonstra o impacto concreto da pesquisa no campo.

A trajetória do café no Paraná, aliás, é marcada por resiliência. Após a geada de 1975, que redesenhou o mapa produtivo do Estado, a atividade deixou de priorizar volume e passou a concentrar esforços na excelência da bebida. Nas décadas seguintes, investimentos em novas cultivares, aprimoramento do manejo, evolução nos processos pós-colheita e fortalecimento da avaliação sensorial permitiram um reposicionamento estratégico no cenário nacional.

Hoje, a qualidade do café paranaense é certificada por três indicações geográficas: a Indicação de Procedência Norte Pioneiro do Paraná e as Denominações de Origem Mandaguari e Serra de Apucarana. Essas certificações reconhecem não apenas tradição produtiva, mas também a influência determinante de fatores geográficos sobre aroma, acidez, corpo e doçura dos grãos. Por isso, agregam valor e consolidam reputação no mercado.

Atualmente, a cafeicultura ocupa cerca de 25 mil hectares no Estado, com produção estimada em 715 mil sacas beneficiadas para 2026. Presente em aproximadamente 180 municípios, a atividade é majoritariamente conduzida por propriedades da agricultura familiar, que representam cerca de 80% do total. Nesse contexto, iniciativas como o Centro de Experiências do Café ganham relevância estratégica, pois aproximam ciência e produtor, fortalecem identidade regional e ampliam a percepção de valor do café paranaense.

Fonte: AEN

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